Ténis: Moïse Kouamé, uma maturidade fora do comum com apenas 17 anos

Moïse Kouamé na quinta-feira
Moïse Kouamé na quinta-feiraDIMITAR DILKOFF/AFP

Durante muito tempo apontado como um talento de enorme potencial, o francês Moïse Kouamé impressiona pela maturidade e força mental inabalável aos apenas 17 anos, no seu primeiro quadro principal de um Grand Slam em Roland-Garros.

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Na segunda ronda, Moïse Kouamé superou na quinta-feira o paraguaio Adolfo Daniel Vallejo ao cabo de uma batalha épica de quase cinco horas (6-3, 7-5, 3-6, 2-6, 7-6 (8)).

"Isto mostra que ele tem qualidades interiores inegáveis enquanto competidor. O talento não é apenas técnico ou físico, mas também mental", elogiou o seu novo treinador Liam Smith, que já tinha trabalhado algumas épocas ao lado de Gaël Monfils.

Nascido em Sarcelles (Val-d'Oise) em 2009, o mais novo de cinco irmãos (um irmão, três irmãs), Kouamé desenvolve estas qualidades desde muito cedo.

"Peguei no pequeno Moïse quando ele tinha quatro anos e meio ou cinco anos", contou à AFP Bernard Joly, com quem Kouamé bateu as suas primeiras bolas no Tennis Club Sarcellois.

"Muito rapidamente, mudámo-lo de grupo, para junto de crianças um ano ou um ano e meio mais velhas do que ele. Como tinha capacidades, integrou-se muito bem e percebeu-se logo que evoluía muito depressa", recorda.

"Com quatro ou cinco anos", as crianças da família Kouamé "(deslizavam) já nos courts de terra batida", maravilha-se Aly Mouhamad, treinador de ténis do clube de Sarcelles. "O Moïse impressionou-me pelas suas qualidades físicas e pelas suas deslizadas para ir buscar a bola".

"Nunca é demasiado depressa"

Em 2022, Kouamé ingressa na academia de Justine Henin em Lovaina-la-Nova, na Bélgica, onde treina durante um ano e meio.

"Ele tem muita vontade. É mesmo um trabalhador. Tem esta vontade de aprender, esta vontade de evoluir", elogiou a tetracampeã de Roland-Garros numa entrevista transmitida em abril na RTBF.

Em 2023, depois de vencer em três sets o torneio Petits As em Tarbes, já falava como um veterano do circuito: "Por vezes, é preciso saber ganhar a jogar mal".

Quatro anos depois, o jogador cresceu bastante (1,91 m), a facilidade manteve-se, mas a personalidade afirmou-se e o discurso tornou-se mais sólido.

"Nunca é demasiado depressa", garantia Kouamé no início de abril em Monte Carlo, quando os jornalistas o comparavam ao capitão da seleção francesa Kylian Mbappé, conhecido sobretudo pela frase "a mim não me fales de idade".

O prodígio francês está agora muito bem acompanhado: uma mãe dedicada, Suzanne, que o incentiva desde que pegou numa raquete, Daryl Monfils (irmão de Gaël) como agente, Liam Smith como novo treinador e Richard Gasquet como conselheiro principal.

"O Richard é uma oportunidade incrível para ele", considerava em fevereiro o selecionador francês da Taça Davis, Laurent Raymond.

"Mais disciplinado e concentrado"

O Biterrois, que foi capa de uma revista especializada aos nove anos e venceu o seu primeiro encontro profissional aos 15, "conhece todas as armadilhas", acrescentava junto da AFP. "Tenho a certeza de que lhe vai poupar tempo".

Ainda 833.º do ranking mundial no início do ano, a disputar torneios do circuito ITF (terceira divisão do ténis profissional), Kouamé está a um passo de entrar no top 200.

O jovem, impaciente, soma recordes de precocidade: mais jovem de sempre a vencer um encontro no Masters 1000 de Miami em março e a qualificar-se para a 3.ª ronda de um Grand Slam desde… a lenda Rafael Nadal (Monte Carlo e Wimbledon em 2003).

"Há sempre uma transição em que se passa de jovem do circuito secundário ao circuito profissional principal, e normalmente cometem-se erros de principiante. Trabalhámos muito (...) para melhorar a sua capacidade de ser mais disciplinado e concentrado", explica o seu treinador Liam Smith.

"Viu-se nos encontros anteriores: houve altos e baixos e, mesmo assim, saiu-se muito bem", congratula-se o norte-americano. Embora seja "um pouco cedo" para pensar em vencer o torneio, Kouamé desfruta do seu percurso, mantendo, ainda assim, no fundo da mente, o "sonho" de triunfar em Paris e em todos os Grand Slams.

Agora às portas dos oitavos de final, defronta este sábado o chileno Alejandro Tabilo (36.º), muito satisfeito por já estar onde está com tão pouca idade, mas com a cabeça cheia de sonhos: "Vencer Roland-Garros, claro", e os quatro torneios do Grand Slam.

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