A bielorrussa de 28 anos esteve a dois pontos de garantir um lugar nas meias-finais de Roland Garros este mês, antes de ceder perante a russa Diana Shnaider e, mais tarde, afirmar que tinha caído num "buraco profundo e escuro" a nível mental.
Esta derrota surgiu um ano depois de ter sido finalista em Roland Garros, onde deixou escapar o título, voltando a colocar em destaque a sua decisão de 2022 de deixar de trabalhar com um psicólogo, embora entretanto tenha voltado atrás nessa decisão.
"Liguei ao meu psicólogo... senti que precisava de falar sobre tudo o que tenho passado nos últimos, não sei quantos anos", Sabalenka contou ao site de ténis Bounces durante o seu percurso até às meias-finais de Berlim este mês: "Foi realmente útil. Mudei muitas coisas e estou a tentar muitas coisas novas agora. Sinto que preciso de perceber o que acontece, por vezes, nesses encontros para conseguir seguir em frente e evitar que estas situações se repitam."
Energia mental
Wimbledon apresenta agora um novo teste nos relvados, onde a potência bruta de Sabalenka, quatro vezes campeã de torneios do Grand Slam, continua a ser uma grande arma, mas a sua capacidade de manter a calma estará em foco, já que os momentos de pressão surgem mais rapidamente na superfície mais veloz do desporto.
Gustavo Granitto, treinador da Federação Internacional de Ténis, afirmou que a competitividade de Sabalenka por vezes tolda a sua tomada de decisões e que manter um nível elevado na luta por um Grand Slam exige uma energia mental significativa.
"A Aryna é, antes de mais, um ser humano como qualquer um de nós, mas também uma máquina competitiva", disse Granitto, certificado no método Gazing Red2Blue, utilizado por alguns atletas, à Reuters: "Talvez a sua enorme ambição de vencer, que é em grande parte o que a torna número um, aliada à intensidade com que 'vive' o encontro em campo, possa distraí-la ligeiramente do foco e do discernimento ao tomar decisões."
"Terreno escorregadio"
O antigo jogador e psicólogo do desporto Jeff Greenwald afirmou que ser tão intensa e emocionalmente ligada como Sabalenka faz com que, muitas vezes, só exista uma velocidade possível.
"Isto pode tornar-se um terreno escorregadio ao mais alto nível à medida que a pressão aumenta, porque se os erros começam a acumular-se, é difícil voltar atrás", acrescentou Greenwald: "Não é uma regressão, mas os jogadores por vezes sentem o chamado 'macaco às costas' se não conseguem conquistar um grande título durante muito tempo, mas não é isso que aconteceu com ela. Ela teve muito sucesso nos últimos anos para se apoiar. A sua reviravolta foi notável, mas, mais uma vez, quando canaliza toda essa intensidade numa determinada direção, é provável que tenha sucesso."
Como vai Sabalenka reagir?
As duas últimas derrotas de Sabalenka, em Roland Garros e Berlim, terminaram ambas com parciais decisivos de 6-0, o que aponta para uma quebra abrupta que tem levantado dúvidas sobre a sua capacidade de manter o nível quando os encontros lhe fogem do controlo.
"Estou um pouco preocupada com a Sabalenka", disse a comentadora da ESPN e antiga número quatro mundial Mary Joe Fernandez: "O seu jogo adapta-se a todas as superfícies. Deveria adaptar-se à relva, tendo em conta a potência com que bate na bola. Tem uma arma no serviço, outra nas respostas. O que aconteceu em Paris, desmoronou-se. As condições voltaram a afetá-la... continua a ter dificuldades com isso. Vamos ver como reage. Para mim, continua a ser a favorita a vencer Wimbledon, mas já não é uma favorita tão clara como há um mês."

