Recorde aqui as incidências do encontro
Mourinho tem as ideias bem definidas. Quer que Bernardo Silva seja, acima de tudo, o seu organizador, aquele que dita o ritmo e o critério com bola. Mas ainda vai custar ao seu compatriota assimilar esse novo papel. Frente ao Deportivo, apesar de ter tido muita posse, faltou criatividade. E isso que também se associavam por dentro Güler, desta vez a jogar nas costas do avançado, Brahim e Camavinga.

A primeira ocasião clara demorou a surgir. Chegou de bola parada, já bem para lá da meia hora. Um livre cobrado por Güler, rematado de primeira por Endrick e defendido com uma grande intervenção de Leo Román. Antes disso, algum remate de longe do próprio Endrick ou de Camavinga, mas sem perigo real. Perigo verdadeiro foi a entrada dura de Rüdiger sobre Aubameyang para travar uma arrancada do gabonês.
Auba é a grande estrela de um Dépor organizado com bola e solidário e equilibrado a defender. Para seu azar, perdeu Noé Carrillo por lesão. Mas nem assim se desfez. Manteve-se fiel à ideia que lhe valeu a subida de divisão e que alimenta também com Nsongo na frente.
Ainda assim, também de bola parada, num canto, foi como conseguiu incomodar Lunin. E são estas as coisas do futebol. Nesse primeiro remate à baliza dos galegos, o ucraniano agarrou a bola e lançou com força para Brahim. O malaguenho dominou em corrida com a clavícula e, sem deixar a bola cair, calçou as botas de Usain Bolt e apareceu isolado perante Leo Román para bater o guarda-redes a meio caminho. Espetacular o 10 de Marrocos a assinar o 0-1 enquanto Soriano o perseguia impotente. Assim se chegou ao intervalo.
Uma defesa a três
Com sete alterações entre as duas equipas, a segunda parte começou com menos ritmo e com um golo anulado a Espí por um fora de jogo milimétrico. Os adeptos merengues podem ficar com a excelente finalização do seu novo ponta-de-lança e com a defesa a três que Mou implementou quando queria sair a jogar desde trás. Mas os comandados de Antonio Hidalgo leram bem o jogo para pressionar, recuperar algumas bolas, sobretudo roubando-as a Camavinga, e foram encostando o Madrid à sua área. Não conseguiram, no entanto, transformar esses momentos em perigo para Lunin.
Com a entrada de um Vini ainda muito longe da melhor forma e a saída de Cestero, os blancos voltaram a controlar o jogo nos últimos 20 minutos. Limitaram-se a proteger a posse sem correr riscos, a trocar a bola quase nas quatro esquinas, sem que os anfitriões conseguissem sequer cheirar a bola. Alguma arrancada de Dumfries, a fazer de extremo, foi o pouco digno de registo nessa reta final em que o físico já não respondia como antes.
O Deportivo, também já sem energia, ainda conseguiu, novamente de bola parada, testar as luvas de Lunin com um remate de Kevin. E nada mais. O triunfo e o troféu Teresa Herrera ficaram para o Real Madrid.

