“Acho que este é, digamos, o fruto do trabalho que temos vindo a desenvolver, toda a comunidade tenística. Começando no trabalho nos clubes, também no trabalho da federação e nos apoios que a federação dá a todos os níveis, acabando no Centro de Alto Rendimento (...), que é onde os atletas treinam. O Jaime (Faria) e o Henrique (Rocha) já estão há sete anos, o Nuno (Borges) está há cinco”, notou.
O diretor técnico da Federação Portuguesa de Ténis e responsável direto pela gestão do Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor, em Oeiras, falou com a agência Lusa no dia em que, pela primeira vez, há três jogadores nacionais em simultâneo entre os 100 melhores do mundo, reconhecendo que “as coisas não acontecem por acaso”.
No dia em que Henrique Rocha se estreou no top 100, precisamente no 100.º lugar, Nuno Borges e Jaime Faria ocupam, respetivamente, a 53.ª e a 57.ª posições da hierarquia ATP.
“Tenho um defeito, que é não olhar muito para trás, não olhar muito para o presente, quero mais e mais e acrescentar. Agora, se eu olhar para trás... há 10 anos que me propus liderar esta área, (e) se calhar não diria que ia conseguir, em 10 anos, quatro jogadores top 100”, concedeu, aludindo ainda a Francisco Cabral, o maior especialista nacional de pares, que “também já passou três anos pelo CAR” e é atualmente 27.º classificado da variante.
O também capitão de Portugal na Taça Davis, a maior competição masculina de seleções do ténis, admite sentir-se orgulhoso com os feitos alcançados pela equipa que dirige, embora ressalve que tem a perspetiva de que é sempre “possível fazer mais e melhor”.

“Não há só um segredo, não há só uma razão, mas acho que, se tivesse que escolher, diria que é a junção daquilo que é a competência técnica com uma dedicação muito grande. Ou seja, com uma capacidade de trabalho muito grande, com uma humildade da equipa, presente (no CAR) todos os dias a querer avaliar o trabalho e a querer melhorar”, enumerou.
Antigo 59.º tenista mundial, Rui Machado lembra que a equipa técnica do Jamor nunca esteve focada “em mostrar resultados ou em publicar resultados”.
“Estávamos sempre focados em trabalhar e em criar uma mentalidade muito humilde e trabalhadora. Acho que isso depois acaba por ter resultados, não é? Acreditei sempre que o trabalho dá resultados”, realçou.
Questionado sobre se acredita que Borges, de 29 anos, Faria (23) e Rocha (22), podem superar João Sousa, o melhor luso de sempre no ranking ATP de singulares – foi 28.º -, o algarvio de 42 anos defendeu que os recordes existem para ser batidos.
“Se eu, em 2011, tinha o melhor ranking de um português, agora já sou no quinto. O Jaime tem 23 anos e já é o terceiro, portanto acho que há todas as condições para os recordes irem sendo batidos. Mas isso não retira nem pouco mais ou menos aquilo que é o valor dos resultados anteriores”, afirmou.
Para Machado, quer Nuno Marques, quer João Sousa foram pioneiros, com o melhor tenista de sempre “a abrir caminho a um nível diferente”.
"(Deixou) pelo menos o caminho mais traçado para os mais jovens, porque mais facilitado não acredito nisso, mas sim um caminho mais desbravado. O caminho mais à vista, e isso faz diferença”, justificou, referindo-se ao único tenista luso a conquistar títulos ATP (quatro).
