O organismo que rege o futebol mundial, a FIFA, e o seu presidente, Gianni Infantino, anunciaram planos para criar uma subsidiária comercial, a FIFA Forward Enterprise, que iria gerir os seus maiores eventos, incluindo o Mundial e o Mundial de Clubes.
A FIFA estaria aberta a investimento privado minoritário ao abrigo de um plano que Infantino afirmou que iria "impulsionar o desenvolvimento do desporto a nível global", angariando até 4,2 mil milhões de dólares para a empresa, avaliada em 20 mil milhões de dólares.
A FIFA retirou a proposta após uma forte reação negativa, incluindo da UEFA, que boicotou por unanimidade todos os torneios da FIFA enquanto o plano estivesse em cima da mesa. A UEFA saudou a retirada dos planos, mas declarou ainda assim ter perdido a confiança na FIFA e no presidente Infantino.
Numa carta publicada pelo jornal britânico The Telegraph, a UEFA ameaçou avançar com uma ação judicial contra Gianni Infantino caso seja destruída qualquer prova relativa aos planos da 'FFE'.
"A UEFA vem, por este meio, notificar formalmente que está a considerar ativamente a possibilidade de avançar com ação judicial, arbitragem e/ou queixas regulatórias decorrentes e relacionadas com o plano FFE proposto pela FIFA e todos os assuntos conexos, conforme descrito abaixo", lê-se na carta.
"O senhor e a FIFA devem tomar de imediato todas as medidas necessárias para identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações eletrónicas referidas neste aviso que estejam na sua posse, custódia ou controlo, ou na posse, custódia ou controlo da FIFA. Estas obrigações existem independentemente de qualquer política interna de retenção de documentos que o senhor ou a sua organização mantenham e prevalecem sobre quaisquer políticas rotineiras de destruição ou eliminação de documentos que, de outro modo, se aplicariam", acrescenta.
O presidente Gianni Infantino está sob forte pressão para se demitir, com a UEFA a exigir uma nova liderança e o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, a ser apontado como possível sucessor do dirigente ítalo-suíço.
Prazo de cinco dias
A UEFA continuou a carta reforçando a pressão exercida sobre Infantino por si própria, pela AFC e pela CONCACAF.
"A UEFA – assim como outras confederações, associações-membro da FIFA e intervenientes do futebol – condenou veementemente o plano FFE, considerando-o fundamentalmente incompatível com a boa governação do futebol. Dado que se antecipam procedimentos, está obrigado a preservar de imediato todos os materiais relevantes (conforme definido abaixo). A UEFA notifica-o formalmente de que qualquer destruição, eliminação, alteração, ocultação ou perda de materiais relevantes após a receção deste aviso – ou após qualquer data anterior em que o senhor estava, ou razoavelmente deveria estar, ciente de que se antecipavam procedimentos – pode constituir destruição de provas", pode ler-se.

Gianni Infantino recebeu da UEFA, no início da semana, a escolha entre se demitir ou enfrentar uma moção de censura que, pelo número total de membros da FIFA pertencentes a confederações que rejeitaram abertamente a proposta, levaria à sua destituição efetiva do cargo.
A UEFA concedeu a Infantino um prazo de cinco dias para cumprir as suas exigências.
"A UEFA solicita que acuse a receção deste aviso por escrito no prazo de cinco (5) dias úteis a contar da presente data e que confirme nesse reconhecimento: (i) que recebeu e compreendeu este aviso; (ii) que tomou de imediato as medidas necessárias para preservar os materiais relevantes conforme exigido; (iii) a identidade do responsável ou da pessoa encarregue de supervisionar o cumprimento deste aviso na sua organização; (iv) se tem conhecimento de quaisquer materiais relevantes que já tenham sido destruídos ou eliminados, caso em que deverão ser fornecidos todos os detalhes", conclui a carta.
