Gianni Infantino e a FIFA anunciaram na manhã deste sábado que a proposta para a 'FIFA Forward Enterprise' seria retirada após receberem uma forte reação negativa. A subsidiária, avaliada em 20 mil milhões de dólares, teria uma participação de 20% no Mundial e ficaria responsável pela organização e lucros do torneio, com Infantino a presidir à empresa.
A AFC e a CONCACAF anunciaram na sexta-feira que rejeitariam a proposta da FIFA, um dia depois de a UEFA ter anunciado um boicote total a todas as competições da FIFA enquanto a proposta estivesse em cima da mesa.
Após a decisão da FIFA de retirar a proposta, a UEFA emitiu um comunicado a apoiar a decisão, mas também lançou críticas ao presidente Gianni Infantino, afirmando que "não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol" e que o "acordo obscuro, de bastidores e opaco que ele (Infantino) engendrou e tentou impor esteve longe de ser transparente."
'"Quebra fundamental de confiança"
Este sábado, após o anúncio da FIFA, a KNVB emitiu um comunicado a apoiar a posição da UEFA, apoiando a decisão de retirar a proposta, mas ao mesmo tempo criticando Infantino.
"Desde o início, nós – juntamente com a UEFA e as restantes associações europeias – deixámos claro que tanto o conteúdo da proposta como a forma como foi elaborada eram inaceitáveis para nós", lê-se no comunicado.

"A retirada da proposta não significa que a questão esteja resolvida para a KNVB. A forma como todo este processo decorreu levou a uma quebra fundamental de confiança na liderança do presidente da FIFA, Gianni Infantino. A KNVB já não confia na sua liderança. Isto é evidente não só pelas preocupações expressas por associações de todo o mundo, mas também pelas críticas e inquietações dentro da própria organização da FIFA. Esta situação exige uma discussão séria sobre o futuro da governação e da liderança na FIFA", acrescentou a mesma nota.
O presidente Frank Paauw e o secretário-geral Gijs de Jong estiveram presentes na reunião de emergência da UEFA, realizada na quinta-feira, em representação da KNVB, um dos membros fundadores da FIFA.
Após a reunião, Paauw disse à NOS que Infantino "exagerou na sua atuação", mas recusou-se a comentar o futuro do presidente.
"Este desfecho evidencia a importância de as decisões relativas ao futuro do futebol internacional serem tomadas de forma transparente e em estreita consulta com todas as partes envolvidas", prosseguiu o comunicado.
"A KNVB mantém o seu compromisso, juntamente com a UEFA e as federações de futebol de todo o mundo, com uma boa governação e um movimento internacional de futebol forte, em que os interesses do desporto estejam sempre em primeiro lugar", concluiu.
