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Volta: Porto vai acolher etapa da edição que assinala centenário em 2027

87.ª Volta a Portugal em bicicleta terminou no Porto, este domingo
87.ª Volta a Portugal em bicicleta terminou no Porto, este domingoVolta a Portugal

O Porto tornou-se este domingo o primeiro município a confirmar que vai acolher uma etapa da 88.ª Volta a Portugal em bicicleta, edição que assinala o centenário da corrida, fundada em 1927.

“Ninguém se esquecerá de um acidente que nos marcou a todos. Há coisas que não são controláveis. Dentro do que é controlável, esta edição foi um sucesso. Queremos dizer que somos o primeiro município a associar-se a uma competição épica, que cumprirá o centenário”, disse o presidente da Câmara Municipal, Pedro Duarte, após a conclusão da 87.ª edição, hoje, na Avenida dos Aliados.

Sem se esquecer da ocorrência que ditou a morte de Finlay Tarling, ciclista britânico que tinha 19 anos e que colidiu com um veículo ligeiro de mercadorias em Ponte de Lima, durante a oitava e antepenúltima tirada da edição deste ano, na sexta-feira, o autarca vincou que a etapa de hoje, com um circuito entre Porto e Vila Nova de Gaia foi “um sucesso”.

Sem esclarecer se a cidade invicta vai integrar o roteiro da Volta de 2027 no último dia, com um traçado que proporcione um final semelhante ao de hoje, com a vitória de Rui Oliveira (UAE Emirates), Pedro Duarte assumiu que gostaria de proporcionar “uma etapa tão impactante como a deste ano."

Na conferência de imprensa decorrida no átrio do edifício que é sede da Câmara Municipal do Porto, o diretor de prova, Ezequiel Mosquera, assumiu que os últimos 11 dias foram “os de menos trabalho” após dois meses em contrarrelógio para garantir o percurso de 1.430 quilómetros que os ciclistas cumpriram entre 05 de agosto e hoje.

Convencido de que a chegada ao Porto foi “digna de Volta a França”, o antigo ciclista espanhol realçou que as futuras edições da Volta irão reunir chegadas tradicionais, como as da Torre, da Senhora da Graça e de Fafe, com traçados inéditos, num “país maravilhoso” em que se pode “fazer tudo em termos de orografia”.

É preciso conservar certos traçados, mas ir procurando traçados inéditos. Tínhamos muita fé na dupla passagem pela Senhora da Graça e na etapa do Gerês. Há etapas que são fáceis de negociar, mas difíceis de vender. A etapa do Gerês foi belíssima. Tentaremos, dentro do possível, inovar sobre a tradição”, salientou, enaltecendo ainda as crescentes audiências televisivas ao longo da prova.

O antigo corredor, natural de Santiago de Compostela, reconheceu que “a nota negativa” da corrida foi o “lapso de tempo dramático” que desencadeou a colisão entre Finlay Tarling e o veículo ligeiro, tendo agradecido a postura do responsável da NSN Development Team, o espanhol Ruben Plaza, com quem correu.

Agradeço enormemente a elegância do seu diretor desportivo, que foi meu colega e correu aqui em Portugal. Teve uma postura muito elegante e educada. Temos de agradecer a sua postura, lamentar tudo isto e continuar”, salientou.

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Cândido Barbosa, enalteceu um traçado com “abrangência de todo o território” de Portugal Continental e prometeu trabalho para uma competição melhor em 2027, enquanto o secretário de Estado do Desporto, presente na cidade invicta para o encerramento da corrida, realçou que a Volta a Portugal é um “veículo de promoção da prática desportiva”.

É impressionante a capacidade do ciclismo para atrair o público para ver os ciclistas à porta de sua casa ou para se encontrar num outro lugar, no alto de uma serra ou no centro de uma cidade. (…) Estou seguro que, no próximo ano, o ano do centenário, vamos ter mais um grande evento desportivo”, projetou.