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A antiga número seis mundial sempre afirmou desde o início que o comissário da agência antidopagem alemã chegou no dia 3 de dezembro fora da janela de uma hora designada e não apresentou as credenciais adequadas. Agora, Vondrousova admite que todo o processo subsequente e a ameaça de ver a sua carreira terminar deixaram-na completamente impotente.
"Nunca imaginei que teria de escrever algo assim. Todos os dias sente-se o medo de perder o controlo sobre a própria vida. Este é um período incrivelmente exaustivo e doloroso que afetou a minha vida muito mais do que alguma vez poderia imaginar" escreveu Vondrousova no Instagram.
Contestou veementemente o facto de a Agência Internacional de Integridade do Ténis (ITIA) a ter tratado como se tivesse sido encontrada uma substância proibida na sua amostra.
"O ténis foi toda a minha vida desde que peguei numa raquete pela primeira vez, em criança. Deu-me tudo e eu retribuí tudo. Nunca recorri ao doping e nunca tive um único teste positivo na minha carreira. Sempre entrei em campo sabendo que nunca tinha tomado nada ilegal", sublinhou, acrescentando que apenas 72 horas após o incidente contestado, realizou um novo teste com registo limpo: "O resultado foi negativo. Tal como todos os testes anteriores".
Enquanto os representantes da ITIA defendem que os controlos podem ser desagradáveis mas são essenciais para a integridade do desporto, a jogadora de 26 anos revelou o lado mais sombrio da investigação.
"Os últimos sete meses foram os mais difíceis da minha vida. Sete meses de espera, incerteza e luta. Em vez de esperança diária, estes meses foram preenchidos por medo e impotência. Um período em que tive de expor a minha vida privada de uma forma que a maioria das pessoas só partilha com os mais próximos", descreveu Vondrousova o calvário até à decisão.
"Colaborei, respondi a todas as perguntas e forneci tudo o que me foi pedido. Testemunhei perante o tribunal e dei tudo de mim. Todos os dias atualizava a minha localização para poder ser testada. E fui testada. Todos os testes deram negativo", indicou.
Apesar de o tribunal independente ter reconhecido, na fundamentação escrita, que a tenista não agiu de forma racional naquela noite crucial devido a uma reação aguda de stress, não considerou isso uma justificação suficiente. Em resposta, a jogadora checa deixou uma mensagem clara às autoridades do ténis.
"Durante todo o tempo espera-se que a verdade seja suficiente. Que, se fores honesta e colaborativa, tudo correrá bem. Mas, por vezes, isso não chega. Sempre respeitei as regras e compreendo porque existem. Só gostava que nunca perdessem a sua humanidade. E que quem as faz cumprir seja também responsabilizado pelos mesmos padrões", continuou Vondrousova.
Continua por esclarecer se a vencedora do prémio de Atleta do Ano de 2023 vai recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) em Lausana, como sugeriu o seu representante legal Jan Exner após o anúncio da decisão.
A própria tenista admite que, neste momento, procura sobretudo paz interior.
"Uma das coisas mais difíceis foi aceitar que o futuro da minha carreira já não está nas minhas mãos. Tenho orgulho de não termos desistido e de termos lutado até ao último dia. Mas hoje, não consigo dizer o que virá a seguir. Os últimos meses tiraram-me a alegria, a confiança e o sentimento de segurança. Não sei quanto tempo vai demorar até voltar a encontrar tudo isso", concluiu.
