“Após o apuramento dos signatários e do número total de sócios efetivos referente ao mês de abril, constatou-se que não foi alcançado o quórum de um quinto de subscritores. Por não estarem reunidas estas condições exigidas pelos estatutos do Boavista, não é legalmente possível proceder à marcação da AG extraordinária”, pode ler-se numa mensagem enviada aos associados das panteras pela MAG, à qual a agência Lusa teve acesso.
Em 23 de abril, o movimento Unidos pelo Boavista entregou na secretaria do Boavista um requerimento, com 270 assinaturas, a pedir a convocação de uma AG extraordinária, visando a destituição da direção e a nomeação de uma Comissão Administrativa para gerir o clube até novas eleições.
Quatro dias depois, numa reunião realizada no Estádio do Bessa, no Porto, a secretaria ‘axadrezada’ comunicou o número total de sócios efetivos do Boavista referentes a abril, enquanto a MAG, presidida por Miguel Lixa Barbosa, informou os mandatários dos signatários que o rácio necessário para a marcação da sessão magna extraordinária não tinha sido atingido.
“Tendo surgido algumas dúvidas sobre a forma de contagem e validação, a MAG quer clarificar que, desde o primeiro minuto, assumiu que essa responsabilidade caberia exclusivamente à secretaria. Sendo a autoridade administrativa do clube, a secretaria fez o seu trabalho de forma técnica e independente, sem qualquer participação ou interferência de sócios ou de órgãos sociais”, garantiu.
Além de agradecer à secretaria e aos funcionários do Boavista, a MAG reconheceu o “interesse, capacidade de mobilização, rigor e correção” dos signatários no processo, estando em vias de marcar uma reunião ordinária para prestar esclarecimentos aos associados e apresentar os relatórios de gestão e contas dos exercícios financeiros do Boavista em 2022, 2023 e 2024.
A iniciativa do movimento Unidos pelo Boavista surgiu dois meses depois de a administradora de insolvência das panteras, Maria Clarisse Barros, ter prescindido da coadjuvação da direção liderada por Rui Garrido Pereira na gestão da atividade do clube, passando a assegurá-la, na companhia de outra pessoa, com o acordo da comissão de credores.
O clube teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), enquanto a SAD axadrezada viu os respetivos credores votarem por unanimidade a continuação da atividade da sociedade.
Desde março, diversos ativos imobiliários do Boavista têm sido leiloados, entre os quais o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente, que estão à venda por um valor mínimo de 32,9 ME e um montante base de 37,9 ME entre 27 de abril e 20 de maio, sob intermediação da Leilosoc.
Reinaugurado em 2003 e inutilizado desde maio de 2025 por impedimento das autoridades, o Estádio do Bessa foi um dos 10 recintos utilizados por Portugal na organização do Euro-2004 e integra um recinto com cerca de 78 mil metros quadrados de área, sendo que, se não for vendido em conjunto com o complexo desportivo, apresenta 27 ME de fasquia mínima e 31,1 ME de valor base.
A direção do Boavista apresentou ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia um pedido urgente de impugnação do leilão de imóveis, ao passo que a claque Panteras Negras, o mais representativo grupo organizado de adeptos ‘axadrezados’, também anunciou a intenção de recorrer aos tribunais para tentar suspender o leilão e declarar a nulidade do processo.
O Boavista, campeão nacional em 2000/01, terminou 11 épocas seguidas na Liga em 2024/25, ao descer à segunda divisão, antes de a SAD falhar o licenciamento para as competições profissionais e nacionais e ser relegada por via administrativa para o escalão principal da associação do Porto.
A SAD está a jogar como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, e já desceu à segunda divisão distrital, tendo sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.
Por estar solidário com as dívidas da SAD, da qual detém 10% do capital social e acusou-a de falhar o cumprimento integral do protocolo celebrado entre as partes, o clube abdicou de competir no quarto e último escalão portuense em outubro de 2025, sem fazer qualquer partida esta época.
Antevendo o colapso do Boavista, o líder dos Panteras Negras fundou no ano passado o Panteras Negras Footballers Club, recém-promovido ao terceiro escalão distrital.
