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Alexia Putellas e a Bola de Ouro feminina: "O futebol fala por mim"

Alexia Putellas com a sua nova equipa.
Alexia Putellas com a sua nova equipa.Reuters/Matthew Childs

Principal candidata a conquistar a sua terceira Bola de Ouro, a superestrela espanhola Alexia Putellas considera, numa entrevista à AFP, "que o futebol fala" por ela, um mês antes da cerimónia em Londres, a sua nova casa depois de 14 anos no FC Barcelona.

A jogadora de 32 anos, considerada a Rainha do futebol espanhol, decidiu deixar Barcelona este verão, depois de conquistar a sua quarta Liga dos Campeões. Vai agora dar rosto a um novo projeto ambicioso promovido pela empresária norte-americana Michele Kang, também proprietária do Lyon, nas London City Lionesses.

- De um império dominante para outro por construir. Como está a decorrer a transição?

É uma mudança radical na minha vida. Uma aprendizagem constante no dia a dia: a cultura, a língua, a mudança de país, de cidade... Tudo. Percebi que, se um dia tivesse de pôr fim à minha aventura no Barça, não faria muito sentido voltar a viver a mesma experiência, sobretudo porque isso é impossível. Tinha de ser algo completamente diferente. É um clube praticamente novo, cuja história ainda está por escrever. É por isso que procuro trazer para aqui essa cultura e essa mentalidade vencedora.

- É possível tentar reproduzir em Londres o estilo de jogo do Barça e da seleção espanhola?

Na formação do Barça, vemos raparigas e rapazes de 10 anos a jogar da mesma forma que a equipa principal. Isso exige muito tempo, trabalho e um entendimento que é quase impossível alcançar em qualquer outro clube do mundo. É uma questão de cultura. O meu objetivo aqui é construir algo novo, diferente, procurando trazer todas as minhas qualidades enquanto desportista, dentro e fora do campo.

- Este ano, a Liga dos Campeões ficará sem a sua melhor jogadora. Considera isso um sacrifício ou um privilégio poder vê-la na televisão?

É uma situação um pouco estranha, mas faz parte desta mudança de 180 graus. Já sabia, quando escolhi este projeto, que não participaria na competição este ano, mas a minha última recordação é perfeita: erguer o troféu, estar presente em todos os jogos, mostrar consistência mesmo nos momentos difíceis. Foi extremamente gratificante terminar dessa forma.

- Por outro lado, terá menos jogos para disputar e chegará em melhor forma ao Mundial do Brasil (de 24 de junho a 25 de julho de 2027), em que a Espanha defenderá o título. Pensou nisso quando tomou a sua decisão?

Procuro tomar as minhas decisões tendo em conta todos os aspetos, e esse foi um deles. Ainda falta muito tempo e concentro-me no dia a dia, mas também penso que são estes contextos que me vão preparar para dar o melhor de mim ao longo de todo o ano, para poder estar presente no Brasil, caso a selecionadora assim o entenda. E, uma vez lá, repetir aquilo que conquistámos em 2023.

Os últimos anos de Putella
Os últimos anos de PutellaFlashscore

- A Espanha é campeã do mundo no futebol masculino e feminino. O que faz melhor do que as outras grandes nações?

Os títulos comprovam-no, mas penso que é uma questão de cultura, ligada à forma como encaramos o futebol e à maneira como o vivemos. Desde muito cedo, os pais põem uma bola nos pés dos filhos e, hoje em dia, também das filhas. No final, constatamos que somos referências nos dois casos.

- A cerimónia de entrega da Bola de Ouro terá lugar dentro de um mês. Está ansiosa por voltar a receber o troféu que conquistou em 2021 e 2022, depois da grave lesão no joelho que sofreu em julho de 2022?

Não se trata de voltar a recebê-lo, nunca o considerei meu... Como já passei por isso, desfruto mais do momento agora. É muito mais gratificante sentir que estou entre as potenciais vencedoras, é um motivo de orgulho. Desde que sofri esta lesão, procuro desfrutar de cada instante como se fosse o último, porque não sabemos se isso voltará a acontecer.

- Nas últimas semanas, temos assistido a uma espécie de campanha eleitoral promovida pelos favoritos da categoria masculina. Considera excessivo pedir o voto?

Penso que, se cada pessoa tem a possibilidade e o palco para expressar aquilo que sente, é positivo que o faça, desde que esse sentimento seja sincero. Pessoalmente, gosto que seja o futebol a falar por mim. A época está aí, tal como os jogos e os resultados. Temos a sorte de, atualmente, tudo ser filmado e de as pessoas poderem tirar as suas próprias conclusões.

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