A entrevista teve lugar após o painel de Kessler no Portugal Football Summit, em que respondeu a perguntas do Flashscore e de alguns órgãos de comunicação social portugueses.
- O Barcelona venceu o Lyon por 4-0 na final e conquistou quatro dos últimos seis títulos da Liga dos Campeões. Este tipo de domínio de um só clube é positivo para o futebol feminino ou deveria ser mais contestado?
- O Barcelona tem sido claramente a superpotência dos últimos anos. O que as pessoas esquecem é que o clube trabalhou arduamente para chegar a esse patamar. Disputou muitas edições da Liga dos Campeões e perdeu muitos jogos antes de chegar ao topo. É claro que é bom para a modalidade que novos clubes possam desafiar os melhores, e tenho a certeza de que o Barcelona também está sempre à procura de um novo desafio. Esta época, em particular, penso que haverá uma verdadeira luta pelo título, porque o equilíbrio parece ser grande. Vamos ver quem acaba por levantar o troféu este ano.

- O Real Madrid terá pago cerca de 1,5 milhões de euros por Felicia Schroder, e o Barcelona pagou um valor recorde do clube por Kerolin. Valores deste tipo eram impensáveis no futebol feminino há alguns anos. Até que ponto este mercado em crescimento é saudável e a que velocidade pode crescer de forma sustentável?
- É uma pergunta muito pertinente. As taxas de transferência mostram o enorme interesse que existe na nossa modalidade e aquilo que os clubes estão agora dispostos a pagar. Mas tem toda a razão: também precisamos de analisar de que forma estes custos serão recuperados. Foi por isso que disse anteriormente, em palco, que é muito importante para mim colocar os clubes e as ligas numa situação sustentável, em que consigam obter retorno do investimento. Temos de garantir que o futebol feminino não é um fenómeno passageiro. Queremos mais investimento e estamos a investir mais em todos os níveis, mas também precisamos de construir algo que continue a existir daqui a cinco e dez anos.
- A Espanha e a Inglaterra defrontaram-se tanto na final do Mundial como na final do Europeu. As seleções da UEFA vão dominar o Mundial do próximo ano, no Brasil?
- Bem, sou muito parcial. Tenho, obviamente, enorme confiança nas seleções europeias e tenho a certeza de que as veremos nas fases adiantadas. Mas o Brasil parece estar bem, e os EUA estão muito motivados e têm uma boa equipa. Haverá muitas candidatas ao título mundial. Ainda assim, conto com as nossas seleções europeias para, esperemos, trazerem o troféu de volta para casa.
- Falou sobre o crescimento das competições, com a Taça Europa a juntar-se à Liga dos Campeões. O futebol masculino também conta com a Liga Jovem da UEFA, destinada ao desenvolvimento de jovens talentos. Essa é a próxima prioridade do futebol feminino?
- Neste momento, a nossa prioridade no futebol de clubes tem sido levar mais equipas seniores às competições europeias. Também temos enfrentado o desafio mais amplo de conseguir mais investimento no futebol feminino, garantindo simultaneamente a existência de receitas que o compensem. Por isso, uma Liga Jovem talvez seja um pouco prematura nesta fase. Não penso que muitos clubes europeus estejam ainda preparados para investir numa competição desse tipo. Estamos sempre disponíveis para discutir ideias, mas ainda há poucos anos introduzimos a exigência de os clubes terem sequer equipas jovens, o que foi um passo ambicioso através dos nossos critérios de licenciamento. Quero muito que os clubes atinjam primeiro uma situação sólida. Depois veremos o que acontece no futuro.
