Antigo adjunto de Paulo Bento fala em "ciclo positivo" na Coreia do Sul

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Antigo adjunto de Paulo Bento fala em "ciclo positivo" na Coreia do Sul
Pauço Bento termina contrato com a Coreia do Sul e ainda não sabe o que vai ser o futuro
Pauço Bento termina contrato com a Coreia do Sul e ainda não sabe o que vai ser o futuroAFP
Paulo Bento tem protagonizado um "ciclo positivo" no comando técnico da Coreia do Sul, adversária de Portugal na sexta-feira, na terceira e última jornada do Grupo H do Mundial2022 de futebol, avalia o treinador Ricardo Peres.

"Acredito que, se fecharem aqui um ciclo, qualquer que seja o resultado (no Catar), fecha-se um ciclo positivo. Acima de tudo, pela imagem que o Paulo Bento passa em todos os seus projetos. As pessoas podem ter a sua opinião sobre se ele é bom treinador ou não, mas acho que a esmagadora maioria tem a correta ideia de como é como ser humano", frisou à agência Lusa o técnico, de 46 anos, que já coadjuvou o ex-selecionador nacional e orientou o Busan IPark, do segundo escalão da Coreia do Sul, de novembro de 2020 a junho de 2022.

Paulo Bento, de 53 anos, rendeu Shin Tae-yong em 2018 e tornou-se o segundo português a comandar a Coreia do Sul, após o também ex-selecionador nacional Humberto Coelho (2003-2004), tendo já quebrado os recordes de longevidade (55 jogos) e de vitórias (34, mais 13 derrotas e oito empates) no cargo, numa altura em que está em fim de contrato.

"Futuro depois do Catar? Não faço a mínima ideia. Essa é uma pergunta que terá de ser feita ao Paulo Bento. Acredito que, se ele e a Associação de Futebol da Coreia quiserem, pode continuar no cargo. Não tem sido um trabalho fácil de se fazer com uma qualidade individual não elevada ao longo destes quatro anos, mas esta equipa técnica tem trazido muita qualidade coletiva, espírito e valores que são apanágio da cultura coreana", notou.

Ricardo Peres diz que o estilo vigente nos clubes do principal escalão reflete o "impacto grande" deixado naquele país asiático pelo antigo médio internacional português, que já auxiliou como treinador de guarda-redes do Sporting (2004-2009), da Seleção Nacional (2010-2014), dos brasileiros do Cruzeiro (2016) e dos gregos do Olympiacos (2016/17).

A 11.ª presença, e 10.ª seguida, da Coreia do Sul na prova tem sido condicionada pelas limitações físicas do avançado e "capitão" Heung-min Son, que se lesionou no último mês num jogo dos ingleses do Tottenham e teve de fazer uma intervenção cirúrgica ao rosto.

Se a "estrela" dos guerreiros do Taegeuk foi totalista nas duas jornadas iniciais, Kim Min-jae, defesa do Nápoles, líder isolado da Liga italiana, manifestou queixas musculares nos gémeos e deixou em tempo de compensação a partida com os ganeses, ao passo que o dianteiro Hwang Hee-chan, dos ingleses do Wolverhampton, ainda nem somou minutos.

"Numa seleção que não tem um grupo grande de atletas de elevadíssima qualidade, tal como tem Portugal, sente-se imediatamente o impacto gerado pela ausência de qualquer nome desse lote. A Coreia do Sul tem mostrado uma força coletiva muito grande, mesmo sem ter o seu melhor futebolista nas melhores condições. Depois, Kim Min-jae, que, para mim, será um dos melhores centrais do mundo, tem jogado em pleno sacrifício", contou.

Quarto artilheiro de sempre da seleção, com 35 golos em 106 jogos, Heung-min Son, de 30 anos, lidera o contingente de oito dos 26 atletas convocados por Paulo Bento a atuar no continente europeu, corporizando "uma referência e um exemplo para todos" no país.

"Existe uma necessidade enorme de idolatrar referências na cultura sul-coreana. Quando uma pessoa estabelece uma referência para si próprio, há uma quase devoção total a esse ídolo. É o que se passa com o Heung-min Son ou o Hwang Hee-chan e se passará agora com os dois golos que o Cho Gue-sung fez (ao Gana)", descreveu Ricardo Peres, com destaque para o avançado do Jeonbuk Motors, de 24 anos, que se sagrou o melhor marcador da edição 2022 do campeonato local e tem sido fenómeno nas redes sociais.

Essa tendência para a idolatria alastra-se a "outras áreas" da sociedade, como a K-pop (música popular coreana), numa nação em que "o futebol não é a modalidade mais forte, mas caminha para poder ombrear com o beisebol", face "à influência norte-americana".

"Estes jogadores que têm sido utilizados em campeonatos com impacto mundial, como a Liga inglesa, geram um impacto muito grande na cultura coreana, mediante o que fazem. Há muitos jovens a irem para o futebol simplesmente por causa do Heung-min Son, do Hwang Hee-chan ou do Kim Min-jae, que são referências a nível mundial. Como aquele país apanha a cultura de referência individual, isso faz aumentar o futebol ali", concluiu.