Recorde as incidências da partida

Portugal entrou na última jornada da fase de grupos da Liga das Nações com a margem que tinha construído ao longo de uma campanha quase perfeita. A equipa das quinas dependia apenas de si para segurar o primeiro lugar e garantir a promoção à Liga A, sabendo que podia até perder, desde que evitasse uma derrota por três ou mais golos de diferença. Conseguiu o objetivo. Mas fê-lo da forma mais sofrida e menos convincente.
Na Finlândia, num piso sintético pouco habitual para a seleção nacional e num terreno onde Portugal nunca tinha vencido, a equipa de Francisco Neto apresentou uma imagem pálida, demasiado distante da autoridade demonstrada nos jogos anteriores. A derrota por 3-1 frente à Finlândia não retirou o primeiro lugar nem a subida, mas deixou sinais de alerta num jogo em que a seleção portuguesa esteve quase sempre desconfortável.
Muitas mudanças, equipa perdida
Francisco Neto promoveu sete alterações em relação ao triunfo por 5-0 frente à Letónia, no Estoril, e Portugal sentiu dificuldades desde cedo. A Finlândia, obrigada a vencer por números claros para ainda sonhar com a liderança do grupo, entrou forte, pressionante e com capacidade para criar problemas, sobretudo pelo corredor direito.
O primeiro aviso transformou-se em golo aos 11 minutos. Após uma recuperação de bola sobre Kika Nazareth, num lance em que Portugal ficou a pedir falta, Adelina Engman cruzou para a área e Nea Lehtola apareceu a desviar para o 1-0. Era o prémio para a entrada mais agressiva da equipa da casa e o castigo para um Portugal pouco confortável no jogo.
A seleção nacional reagiu sem grande brilho, mas com o talento de sempre de Kika Nazareth. Aos 29 minutos, quase junto à linha lateral, a jogadora do Barcelona bateu um livre em arco, a bola ganhou uma trajetória inesperada e surpreendeu Anna Koivunen. Um golo de enorme execução, a devolver Portugal ao jogo numa altura em que a equipa precisava de uma faísca individual para disfarçar as dificuldades coletivas.
O empate não mudou, porém, a tendência do encontro. Portugal teve uma boa oportunidade aos 32 minutos, primeiro por Ana Capeta, com defesa de Koivunen, e depois por Tatiana Pinto, travada por Eva Nyström, mas continuou a sofrer demasiado. Aos 34 minutos, Inês Pereira impediu o segundo da Finlândia, após remate de Lotta Lindström, em mais uma incursão pelo lado direito. Pouco depois, Emma Koivisto atirou ao poste e, aos 37 minutos, Ria Öling obrigou novamente Inês Pereira a intervir.
Ao intervalo, o empate era simpático para Portugal. A Finlândia tinha sido mais intensa, mais rematadora e mais capaz de empurrar a seleção das quinas para zonas desconfortáveis.

Sofrimento até ao final
A segunda parte confirmou o problema. Tal como no primeiro tempo, a Finlândia entrou mais forte e voltou a colocar-se em vantagem logo aos 47 minutos. Oona Siren rasgou a defesa portuguesa com um passe de grande qualidade e Nea Lehtola voltou a aparecer em destaque, a driblar e a rematar para o 2-1.
Portugal tinha de responder, mas continuava com muitas dificuldades para impor o seu jogo. A equipa das quinas, que tinha sofrido apenas um golo nos cinco jogos anteriores, sofria agora o dobro numa só noite. A superioridade finlandesa não estava apenas no marcador: estava também na forma como o jogo se desenrolava.
Aos 58 minutos, Jéssica Silva ficou a pedir grande penalidade, mas a árbitra mandou seguir num lance polémico. Pouco depois, aos 63 minutos, a avançada portuguesa esteve muito perto do empate. Ana Capeta trabalhou bem pela direita, serviu Jéssica, que rodou sobre Emma Koivisto e rematou para uma grande defesa de Anna Koivunen.

Foi um dos poucos momentos em que Portugal conseguiu ameaçar com verdadeira clareza. Do outro lado, a Finlândia continuava perigosa, sobretudo em transição. Aos 77 minutos, Sanni Franssi ficou muito perto do golo, mas rematou ao lado numa oportunidade clara.
O terceiro acabaria por chegar dois minutos depois. Na sequência de um pontapé de canto batido por Olga Ahtinen, Eva Nyström subiu completamente sozinha na área e cabeceou para o 3-1. Um golo que confirmou a vitória finlandesa e expôs, uma vez mais, as fragilidades portuguesas numa noite difícil.
Portugal perdeu, sofreu, esteve longe da sua melhor versão e saiu da Finlândia com uma imagem demasiado pálida para aquilo que vinha a construir nesta Liga das Nações. Ainda assim, a vantagem acumulada ao longo da fase de grupos foi suficiente para segurar o primeiro lugar e garantir a promoção à Liga A.
No fim, fica o objetivo cumprido. Mas também fica o aviso: Portugal subiu, sim, mas percebeu na Finlândia de forma clara que o próximo patamar vai exigir muito mais.
Melhor em campo Flashscore: Nea Lehtola (Finlândia)
