A corrida nasceu a 13 de setembro de 1970, mas o percurso estava então limitado ao Central Park, no coração de Manhattan. Em 1976, a maratona saiu do pulmão verde da megalópole, numa aposta ousada dos organizadores para unir os cinco distritos de Nova Iorque: Staten Island, Brooklyn, Queens, Bronx e Manhattan.
A ideia genial transformou a prova numa ocasião incontornável. Este domingo são esperados cerca de 60.000 participantes de 140 países numa grande festa popular na maior cidade dos Estados Unidos, com mais de dois milhões de espetadores a animá-los.
Na primeira edição, foram 127 os corredores que pagaram um dólar de inscrição para tentar completar as quatro voltas no Central Park, algo que apenas 55 conseguiram. Gary Muhrcke, bombeiro nova-iorquino, sagrou-se campeão acabado de sair do turno da noite.
Estreia de Almgren
Este ano, nomes importantes tentarão imitá-lo. Na categoria masculina, o queniano Benson Kipruto, vencedor no ano passado após um sprint final espetacular, ambiciona repetir o feito. Se o conseguir, o medalhado de bronze olímpico em Paris-2024 será o primeiro bicampeão consecutivo desde o compatriota Geoffrey Mutai, em 2013.
Terá pela frente o etíope Deresa Geleta, o queniano CyBrian Kotut e antigos vencedores, como o neerlandês Abdi Nageeye (2024) e o queniano Geoffrey Kamworor (2017 e 2019), que persegue um sonoro triplete. As esperanças norte-americanas estarão depositadas em Conner Mantz e Zouhair Talbi.
Também há grande expetativa em torno da estreia numa maratona do sueco Andreas Almgren, um dos melhores fundistas europeus. "Ainda não me senti nervoso. Neste momento, é apenas emoção (...) Não sei se alguma vez estive tão entusiasmado com uma corrida", declarou Almgren, de 31 anos.
Recente campeão mundial de meia maratona, o sueco adaptou o seu programa de treino, com uma carga mais elevada e mais sessões longas, além de um estágio em altitude em Flagstaff, no oeste dos Estados Unidos.
Nova Iorque, última grande maratona do ano, não costuma ser terreno propício aos recordes mundiais devido aos desníveis do percurso e à ausência de lebres, mas conquistar as ruas emblemáticas continua a ser um dos triunfos mais prestigiantes do atletismo.
Obiri, grande favorita
Na prova feminina, Hellen Obiri tentará conservar o trono que conquistou no ano passado, quando pulverizou o recorde da prova com um tempo de 2:19.51 horas. A atleta queniana, também vencedora em 2023, não terá desta vez pela frente a estrela Sifan Hassan, campeã olímpica da maratona em Paris.
Obiri terá, isso sim, de vigiar muito de perto a compatriota Sheila Chepkirui, campeã em 2024 e terceira no ano passado. As norte-americanas Jessica McClain, Annie Frisbie e Weini Kelati, assim como a uruguaia Julia Paternain, estão entre as corredoras que sonham surpreender na meta situada no Central Park.
