NBA: Knicks vão animar o ambiente no jogo 3 das Finais apesar dos preços dos bilhetes

Adeptos dos Knicks festejam na rua (2026)
Adeptos dos Knicks festejam na rua (2026)David Dee Delgado/Getty Images

A escalada dos preços dos bilhetes e o reforço da segurança devido à presença do presidente norte-americano Donald Trump não alteram em nada a energia eletrizante do mítico Madison Square Garden, que recebe os jogos 3 e 4 das Finais da NBA.

Acompanhe as incidências do encontro

Os New York Knicks, à procura do seu primeiro título de campeões desde 1973, entram no jogo 3 da série à melhor de sete com uma vantagem de 2-0 frente aos San Antonio Spurs na madrugada de terça-feira, antes do jogo 4 agendado para quinta-feira.

Os preços dos bilhetes dispararam, tornando-se inacessíveis para a maioria dos nova-iorquinos, mas a sala autoproclamada "a mais famosa do mundo" estará ainda assim completamente lotada, com celebridades junto ao campo e a presença de Trump pelo menos para o jogo 3.

O luxo é apenas uma parte do encanto deste recinto com 58 anos. Mas na noite de domingo, cinco pessoas ficaram feridas numa agressão com faca na Penn Station, situada mesmo por baixo da sala – um lembrete das preocupações de segurança que também pairam sobre os grandes eventos em Nova Iorque.

O Garden é uma das salas mais emblemáticas dos Estados Unidos – onde a iluminação amarela e as fotografias vintage de Muhammad Ali ou dos Rolling Stones expostas nos corredores recordam o seu lugar na lenda do desporto e do espetáculo.

"Nada se compara a um jogo de basquetebol no Madison Square Garden", afirma John Guercio, contabilista de cerca de 60 anos e adepto fervoroso dos Knicks.

Bill Bradley, membro do Hall of Fame da NBA e bicampeão pelos Knicks em 1970 e 1973, considera que os adeptos nova-iorquinos são a chave da alma do MSG.

"É um público muito barulhento, entusiasta, exigente, conhecedor", explica Bradley. "E quando se entrega totalmente ao jogo, pode empurrar a equipa". Mas, como Bradley sabe demasiado bem, os adeptos também podem virar-se contra um dos seus – ou até contra toda a equipa.

Colocado numa posição que não era a sua, Bradley teve de suportar os assobios de adeptos furiosos no início da sua carreira profissional, assim como escarros e moedas que lhe foram destinadas. Foi aceite, recorda, "assim que começámos a ganhar".

"Os adeptos aqui são mesmo implacáveis", diz Guercio, que se lembra de um período difícil nos anos 2000, marcado por seis épocas consecutivas sem play-offs e pelos "cânticos de insulto" dirigidos ao treinador Isiah Thomas.

"Quando vens aqui, tens de ter pele dura", continua Guercio. "É por isso que os jogadores gostam de jogar aqui, porque se conseguires ganhar aqui, consegues ganhar em qualquer lado".

Os atuais Knicks conquistaram o coração dos adeptos graças a um estilo combativo que os levou à final da Conferência Este na época passada e lhes permitiu somar 13 vitórias consecutivas nestes play-offs.

"Eles são cativantes, só apetece gostar deles, apetece apoiar a equipa", confessa o superadepto Anthony Donahue. Ao contrário de alguns heróis do passado, de Walt Frazier a Charles Oakley passando por Latrell Sprewell, estes Knicks não têm personalidades extravagantes.

Mas "lutam, nunca desistem", sublinha Donahue. "Não me parece que saiam para festas. Não fazem disparates. Mantêm-se fiéis a si próprios", acrescenta. "E Nova Iorque acolheu-os de braços abertos".

Donahue não acredita que os preços exorbitantes dos bilhetes tenham alterado o ADN do MSG.

Mesmo sendo agora difícil encontrar um bilhete por menos de 7.000 dólares no mercado de revenda para o duelo de segunda-feira, salienta que os preços são muito mais baixos para os detentores de lugares anuais.

"Assisti a todos os jogos dos play-offs este ano", afirma Donahue. "O ambiente do Garden é sempre incrível".

Rich Swann, que assiste aos jogos há mais de 30 anos, distingue o ambiente da época regular daquele dos play-offs. "Durante a época regular, há pessoas que vêm apenas para ver um jogo, é uma atividade como outra qualquer. Também vêm turistas", explica Swann. "O ambiente dos play-offs é diferente. Aí, é a sério".