Eis as grandes histórias que chamaram a atenção dos nossos editores na semana passada:
Do topo ao fundo: 76ers dominados na série
Há uma semana, os Philadelphia 76ers celebravam euforicamente uma enorme vitória no Jogo 7 frente aos Boston Celtics – um triunfo que eliminou os favoritos e colocou Philly na segunda ronda dos play-offs da Conferência Este. No primeiro fim de semana de maio, os 76ers estavam no topo do mundo. E, em apenas uma semana, tudo mudou.
Confiantes e em boa forma, os 76ers preparavam-se para fazer estrondo frente aos terceiros classificados, os New York Knicks, num duelo de rivalidade na Costa Este. Depois de eliminarem os Celtics, Filadélfia sentia-se invencível.
Mas os Knicks entraram a todo o gás, dominando a série desde o primeiro jogo. O conjunto de Nova Iorque continuou a sua impressionante caminhada nos play-offs e varreram os 76ers com classe. Sempre em alta rotação, os Knicks não deram qualquer hipótese de resposta aos 76ers.
Depois da euforia de eliminar os Celtics, o objetivo de Filadélfia era claro: chegar às finais de Conferência. E precisavam dos seus adeptos para os empurrar. “Tenho uma mensagem para os nossos adeptos”, disse Embiid antes do início da série. “Não vendam os vossos bilhetes. Isto é maior do que vocês. Precisamos de vocês".
Em vez disso, o público virou-se contra os 76ers à medida que a sua prestação sofreu uma reviravolta total em relação à primeira ronda. A formação de Filadélfia teve grandes dificuldades no lançamento, enquanto os Knicks jogaram com confiança e arrasaram ofensivamente.
Os Knicks foram superiores em todos os aspetos, varrendo os 76ers em quatro jogos e destruindo as esperanças de nova surpresa. Depois de um arranque tão entusiasmante nos play-offs, os 76ers sofreram um duro golpe que ninguém previa.
Michaela Gaislerová
Wolves reagem e série com os Spurs transforma-se numa batalha
O confronto da segunda ronda entre os Minnesota Timberwolves e os San Antonio Spurs está rapidamente a tornar-se uma das séries mais físicas e imprevisíveis destes play-offs.
Com a eliminatória empatada 2-2, o momento voltou a mudar depois de Minnesota ter conseguido uma vitória por 114-109 no Jogo 4, apesar de enfrentar sérios problemas de lesões.
Depois de ter estado ausente em parte dos play-offs, Anthony Edwards regressou ao seu melhor nível e carregou os Timberwolves nos momentos decisivos. O base All-Star brilhou com 36 pontos, incluindo 16 só no último período, assumindo o comando na reta final e garantindo o triunfo para Minnesota.

Os Timberwolves, no entanto, continuam a pagar caro em termos físicos. A formação de Minnesota já perdeu Donte DiVincenzo para o resto dos play-offs, depois do base ter sofrido uma rotura do tendão de Aquiles durante a série.
O jogo interior de Minnesota voltou a ser fundamental. Naz Reid terminou com 15 pontos e nove ressaltos, enquanto Rudy Gobert somou 11 pontos e 13 ressaltos. Julius Randle contribuiu com 12 pontos e oito ressaltos, permitindo aos Timberwolves controlar os momentos-chave no interior.
O momento mais marcante da noite aconteceu no segundo período, quando Victor Wembanyama foi expulso após ser sancionado com uma falta flagrante de grau 2. A estrela dos Spurs foi excluída depois de atingir Reid com o cotovelo direito no pescoço, numa disputa física debaixo do cesto, deixando o conjunto de San Antonio sem o seu pilar defensivo para o resto do encontro.
Mesmo sem Wembanyama, os Spurs continuaram a lutar graças ao seu núcleo jovem. Dylan Harper e De'Aaron Fox lideraram San Antonio com 24 pontos cada, enquanto Stephon Castle somou mais 20 pontos.
Com a série empatada a duas vitórias para cada lado, a eliminatória regressa agora a San Antonio para um decisivo Jogo 5 na terça-feira. A disponibilidade de Wembanyama permanece em dúvida, enquanto a Liga analisa a falta flagrante de grau 2 e a expulsão automática após o contacto excessivo sobre Reid.
Natalie Csurillova
Sem JDub, sem problema: Mitchell ajuda Thunder
Apesar de ter sido absolutamente dominante esta temporada, os Oklahoma City Thunder estiveram longe de estar a 100%. Os campeões em título perderam o terceiro maior número de jogos por lesão (369) em toda a NBA, apenas atrás dos Memphis Grizzlies (462) e dos Portland Trail Blazers (371). Foram postos à prova, mas resistiram.
E sem batota, claro. Mas, se houvesse alguma batota, então seria porque têm um “código” chamado Ajay Mitchell. O fenómeno belga, escolhido na 38.ª posição do Draft de 2024, teve médias de 13,6 pontos, 3,6 assistências, 3,3 ressaltos e 1,2 roubos de bola por jogo, terminando no quinto lugar da votação para Sexto Homem do Ano.
Mas a sua excelente época – marcada também por lesões – levou-o a assumir um papel de destaque nos play-offs, onde substituiu o lesionado Jalen Williams. E não se limitou a preencher o lugar de JDub – assumiu por completo as rédeas da equipa.
Na primeira ronda frente aos Phoenix Suns, Mitchell entrou no cinco inicial no Jogo 3. O arranque até foi algo discreto: 15 pontos com 5/20 de lançamento, 1/5 nos triplos, duas assistências e seis ressaltos… uma exibição aceitável. Mas foi a última vez que esteve apenas “aceitável”. O belga acelerou logo depois, registando 22 pontos, seis ressaltos e quatro assistências no Jogo 4, fechando a série e deixando os Los Angeles Lakers com muito trabalho de casa antes das meias-finais do Oeste.
Mitchell tem brilhado na série frente aos Lakers, tornando-se um base de alto volume e eficiência, o complemento perfeito para o futuro MVP Shai Gilgeous-Alexander. Em três jogos, o belga tem médias superiores a 20 pontos com 53,3% de eficácia de lançamento, além de um desempenho defensivo de grande nível numa das melhores equipas defensivas da história da NBA.
E guardou o melhor para o fim. No Jogo 3, em Los Angeles, Mitchell foi a figura do OKC com 24 pontos, 10 assistências, três roubos de bola e zero turnovers, tornando-se no primeiro jogador da história dos Thunder a registar pelo menos 20 pontos e 10 assistências sem qualquer perda de bola. Tudo isto num contrato de apenas três milhões de dólares por época até 2028.
Talvez Shai Gilgeous-Alexander tenha resumido tudo da melhor forma: "Pode ser uma surpresa para o mundo, mas não é surpresa nenhuma para nós. Sabíamos quem era o Ajay Mitchell desde o primeiro dia em que entrou no nosso pavilhão, e agora ele está apenas a mostrá-lo ao mundo".
Paul Winters
Pistons no bom caminho apesar dos erros no Jogo 3
Os Detroit Pistons continuam bem encaminhados para a primeira presença nas finais da Conferência Este desde 2008, liderando a série por 2-1 frente aos Cleveland Cavaliers.
No entanto, depois de duas vitórias autoritárias em casa, os Pistons pareciam ter o Jogo 3 controlado no último período e perto de praticamente fechar a eliminatória.

Contudo, Cade Cunningham, que tem sido brilhante nestes play-offs e liderado Detroit, teve um final de jogo desastroso. O base somou três turnovers consecutivos nos últimos dois minutos e meio, muito por culpa do desgaste físico, permitindo aos Cavaliers recuperar o controlo e vencer a partida.
Ainda assim, os Pistons continuam numa posição forte e têm demonstrado ser uma equipa superior à de Cleveland. Por isso, vão certamente procurar responder já no próximo encontro e regressar a Detroit com vantagem de 3-1.
Tolga Akdeniz
A aposta falhada dos Pacers
É fácil esquecer, mas há um ano os Indiana Pacers estiveram a um pequeno passo de conquistar o primeiro título NBA da sua história. Vinte e cinco anos depois da era de Reggie Miller, Indianápolis voltou a receber umas finais da NBA, que terminaram em desilusão com uma derrota no Jogo 7 frente aos Thunder, agravada pela grave lesão no tendão de Aquiles da estrela, Tyrese Haliburton.
Privados do seu líder esta temporada, os Pacers entraram naturalmente em modo “tanking” — algo que, por alguma razão, não pareceu incomodar Adam Silver. A equipa teve uma época miserável, somou 16 derrotas consecutivas e terminou com um registo de 19-63, o segundo pior da liga. Tudo parecia encaminhado para garantir uma escolha alta num Draft apontado como excecional.
Mas, na reta final do mercado de transferências, Indiana surpreendeu tudo e todos. Os Pacers contrataram Ivica Zubac aos Los Angeles Clippers como parte do seu planeamento a longo prazo: Myles Turner tinha saído da equipa e era necessário encontrar um poste fiável para desenvolver o pick and roll quando Haliburton regressasse.
Na altura, o pacote da troca levantou dúvidas: Bennedict Mathurin e Isaiah Jackson incluídos no negócio, além de várias escolhas de Draft, incluindo a deste ano. Com um detalhe importante: a escolha de 2026 continuaria a pertencer aos Pacers caso ficasse entre o primeiro e o quarto lugar da lotaria.
No entanto, apesar de terem uma das maiores probabilidades de conquistar a primeira escolha (14%), o nome dos Pacers apareceu apenas na quinta posição, permitindo aos Clippers — tantas vezes criticados pela troca de Paul George e pelas escolhas associadas — receber a quinta escolha de um Draft que promete ser extraordinário.
Não é a pior aposta da história da NBA; existem exemplos muito mais desastrosos, como o colapso dos Brooklyn Nets em 2013, por exemplo. Mas, para uma equipa de mercado pequeno como Indiana, o Draft continua a ser a principal forma de construir um plantel competitivo.
Os Pacers têm agora o seu poste, mas ele não é necessariamente um dos 10 melhores da NBA na posição. E também não terão reforços vindos do Draft, depois de perderem o seu sexto homem (Mathurin), cuja importância tinha sido tantas vezes elogiada durante a brilhante campanha dos play-offs de 2025.
Sacrificar uma temporada e acabar sem o título, somando ainda as dúvidas sobre se Haliburton conseguirá voltar ao melhor nível: em apenas um ano, os Pacers passaram do céu ao inferno. E é difícil imaginar a equipa entre as principais candidatas na próxima temporada…
Sébastien Gente
