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Semana na NBA: Timberwolves e Blazers arrancam em grande, Heat com dificuldades

Giannis e os Heat tiveram um início de época terrível
Giannis e os Heat tiveram um início de época terrívelČTK / AP / Rebecca Blackwell / Flashscore

Com o regresso da NBA, recuperamos a nossa rubrica habitual para analisar as principais histórias e momentos dos últimos sete dias na maior e melhor liga de basquetebol do mundo.

Esperanças dos Miami Heat sofrem sobressalto precoce 

Em junho, os Miami Heat captaram a atenção do mundo do basquetebol ao adquirirem, através de uma troca, a antiga superestrela dos Milwaukee Bucks, Giannis Antetokounmpo. Dois meses depois, Miami voltou a fazer manchetes ao contratar o lendário especialista em triplos Klay Thompson. Os Heat também acrescentaram Tim Hardaway Jr. e o veterano Bobby Portis, reforçando ainda mais o plantel com jogadores experientes.

A mensagem era clara: Miami já não se contentava em lutar por um lugar no play-in ou em ser eliminado precocemente nos play-offs. Depois de terminar a época passada com um registo de 43-39 e falhar o acesso à fase final, os Heat apostaram forte na superestrela grega e rodearam-na de veteranos experientes, determinados a competir com as melhores equipas da Conferência Este. Miami foi com tudo, elevando as expectativas e apontando a uma longa caminhada nos play-offs.

Em vez disso, o início da época transformou-se num pesadelo. A primeira semana de competição foi um desastre para os Heat, que perderam os três jogos: o jogo de abertura em casa, 131-106, frente aos Minnesota Timberwolves. Depois, foram claramente inferiores aos Detroit Pistons em casa, 128-111.

A última vez que os Heat começaram uma época com 0-2 foi em 2022/23, quando acabaram por chegar às Finais da NBA como oitavos classificados, antes de perderem com os Denver Nuggets. Essa caminhada serviu de lembrete de que um início dececionante não define necessariamente toda uma época.

Mas depois Miami perdeu na visita aos Charlotte Hornets e caiu para 0-3. A última vez que os Heat começaram desta forma foi em 2007/08, época que a equipa terminou com o pior registo da liga (15-67). Essa temporada continua a ser uma comparação preocupante: Miami terminou com 15-67, registando o pior balanço da liga. 

Com ambições de conquistar o título, os Heat enfrentam agora um primeiro teste à sua capacidade de reação. Precisam também, cada vez mais, de transformar um plantel repleto de estrelas numa equipa vencedora. Conseguirão os Heat ser competitivos na Conferência Este? 

Timberwolves arrasam

Os Minnesota Timberwolves começaram a época com três vitórias em três jogos e uma coisa é certa: esta equipa é um verdadeiro espetáculo. Ultrapassaram sem dificuldades os Heat, os Orlando Magic e os Toronto Raptors sempre com margens superiores a 20 pontos. Como resultado, tornaram-se apenas a terceira equipa da NBA de sempre a vencer os três primeiros jogos por 20 ou mais pontos.

Com LaMelo Ball agora ao lado de Anthony Edwards, esta parece ser uma equipa que adora jogar um basquetebol entusiasmante. Os padrões ofensivos atléticos são um prazer de ver, e a química parece estar noutro nível. Edwards marcou 45 pontos no jogo de abertura da época, frente a Giannis e aos Heat, deixando desde cedo um aviso sobre aquilo que esta equipa é capaz de fazer.

Mas talvez tenha passado despercebido o quão fortes têm sido defensivamente. Após três jogos, têm a melhor defesa da liga, com um rating de 96,1, enquanto LaMelo tem mostrado outra faceta. O seu rating defensivo individual é de 81,2. Os Timberwolves são uma equipa imperdível neste momento e continuarão a ser uma força ofensiva ao longo de toda a época.

Se LaMelo e companhia se mantiverem concentrados na defesa, serão um adversário temível.

Mais do que apenas Dame Time

 Havia grande entusiasmo em Portland, onde os Trail Blazers se preparavam para abrir a época frente aos Phoenix Suns. Damian Lillard estava finalmente de regresso, depois de uma longa recuperação de uma rotura do tendão de Aquiles, Ja Morant fazia a estreia há muito aguardada, e Micah Nori iniciava a primeira época regular como treinador principal.

O ambiente no Moda Center, completamente lotado, era elétrico, mas poucos poderiam ter previsto o que se seguiu. Portland arrancou com uma impressionante sequência de 21-0, chegou a liderar por 52 pontos e acabou por vencer tranquilamente por 124-83.

Lillard não perdeu tempo a recordar aos adeptos aquilo que lhes faia falta. O jogador de 36 anos marcou 25 pontos em apenas 24 minutos, concretizando seis em dez triplos. Depois de conquistar o terceiro título no Concurso de Triplos em fevereiro, enquanto ainda recuperava da lesão, Lillard voltou a mostrar que a pontaria continua afinada.

Morant acrescentou 14 pontos e oito assistências, mas talvez o sinal mais encorajador tenha sido a facilidade com que Portland pareceu repartir as responsabilidades ofensivas, em vez de depender de desempenhos individuais.  

A segunda partida foi bastante mais complicada. Os Sacramento mantiveram Portland sob pressão durante todo o jogo, com Domantas Sabonis a registar um impressionante triplo-duplo de 27 pontos, 19 ressaltos e 10 assistências. O rookie Darius Acuff Jr. acrescentou 33 pontos em 26 tentativas de lançamento de campo, elevando para uns notáveis 50 o total de lançamentos nos dois primeiros jogos da carreira na NBA.

Ainda assim, os Blazers reagiram e garantiram a vitória por 128-120, liderados pelos 26 pontos de Deni Avdija. Toumani Camara também merece um destaque especial pela exibição frente aos Kings. O extremo belga marcou 19 pontos, concretizando cinco em 10 lançamentos de três pontos, incluindo cestos cruciais sempre que Sacramento ameaçava reduzir a diferença.

Dois jogos dificilmente permitem tirar grandes conclusões, sobretudo na competitiva Conferência Oeste. Mas, embora o regresso de Lillard possa ter voltado a colocar Portland no centro das atenções, a primeira semana sugere que esta equipa dos Blazers é muito mais do que Dame Time.

Ty Jerome: uma primeira semana de sonho

Os Memphis Grizzlies viraram recentemente uma página importante. Adeus a Jaren Jackson Jr. e Ja Morant, depois de Desmond Bane ter partido para a Florida. Esta equipa, que era apontada como candidata a chegar ao topo da NBA, desmoronou-se, com parte da culpa a recair no base All-Star Morant e nas suas peripécias fora do campo.

A equipa caminha agora para uma reconstrução, com a escolha no draft deste verão de Cameron Boozer, apontado como uma futura estrela. Mas, antes de olharmos para o futuro, há o presente. E esta época deverá ser dececionante para os Grizzlies em termos de resultados. Só que os primeiros jogos assistiram ao aparecimento de um herói inesperado: Ty Jerome.

Um antigo jogador itinerante, contratado para equilibrar salários, que tinha revelado alguns lampejos de talento durante a passagem pelos Cleveland Cavaliers. A sair do banco, tinha ocasionalmente deixado a sua marca, mas nada que fizesse prever um início de época assim. 45 pontos logo no jogo de abertura frente aos Utah Jazz: o máximo da carreira.

Depois, marcou 28 pontos contra os Golden State Warriors e 31 frente aos Kings. É certo que se pode argumentar que acumular muitos pontos em pavilhões vazios é algo que vários jogadores conseguem fazer, mas, acima de tudo, isso resultou em três vitórias. Um impacto real, portanto, e um contraste marcante com Zach LaVine, por exemplo, que marcou 37 pontos no seu último jogo, mas acabou sem a vitória. 

O resultado: Ty Jerome é atualmente o melhor marcador da NBA. Também apresenta percentagens de lançamento impressionantes - 56,3% de campo e 42,9% da linha de três pontos. Além disso, Memphis ainda tem quatro jogos relativamente acessíveis antes de começar a defrontar as melhores equipas. Mas, voltando ao base, que ficou afastado durante praticamente toda a época passada, será que esta explosão vai durar?

É tentador dizer que sim, porque, numa equipa sem um objetivo claro, cheia de confiança e depois de ter provado que pode fazer a diferença, Memphis deverá continuar a dar-lhe liberdade. Mas será que a franquia poderá sentir-se tentada a trocá-lo dentro de algumas semanas, quando o seu valor estiver no auge?

Um candidato ao título ficaria certamente encantado por ter uma arma destas a sair do banco, sobretudo porque ele foi muito útil nesse papel nos Cavs. Com mais minutos e exposição, é provável que ainda voltemos a ouvir falar de Ty Jerome.

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