O presidente da FIFPRO Europa, David Terrier, afirmou que a FIFA está presa numa "verdadeira guerra", com uma quebra de confiança entre federações e confederações após a proposta falhada do presidente Gianni Infantino para vender os direitos comerciais do Mundial.
Infantino, que procura a reeleição em março, enfrentou uma revolta aberta nas últimas duas semanas, depois de três confederações – UEFA, AFC e CONCACAF – terem criticado a sua conduta e pedido a sua demissão.
"Neste momento, a questão já não é se Gianni Infantino deve continuar ou demitir-se. É evidente que estalou uma verdadeira guerra, com perda de confiança de muitas federações e confederações. Não estou a dizer que Infantino tem obrigatoriamente de sair. Penso que, tendo em conta o contexto atual, a questão quase já nem se coloca", disse Terrier à Reuters.
"O problema não é se ele deve demitir-se ou não. O que precisamos são reformas, e elas são indispensáveis. Existe uma verdadeira falta de confiança e sérias dúvidas sobre o funcionamento do sistema", sustentou.
Após uma reunião de crise em Marrocos na semana passada, a FIFA pediu desculpa às suas 211 associações membros pelos erros na gestão da proposta e afirmou que a sua liderança reafirmou o total apoio a Infantino.
"Estilo inaceitável"
A FIFA alertou ainda contra tentativas de minar Infantino, sublinhando que qualquer contestação à sua liderança deve respeitar os estatutos e procedimentos democráticos do órgão máximo.
No entanto, Terrier avisou que a FIFA corre o risco de repetir os erros que assombraram a organização antes do escândalo de corrupção que levou à queda do antigo presidente Sepp Blatter em 2015.
"Este estilo de governação já não é possível nem aceitável; é precisamente aquilo que temos vindo a denunciar há anos. Estamos numa situação pior do que quando Blatter se demitiu. Se continuarmos com o mesmo sistema, enfrentaremos as mesmas suspeitas e o futebol não ficará numa situação positiva. Chegámos a um ponto em que há suspeitas a mais e as reformas são necessárias", afirmou.
"O presidente da FIFA deve ser quem as impulsiona e apoia. Nesse caso, tem de estar disposto a colocar o seu mandato em causa. Sem isso, aconteça o que acontecer, será uma derrota para o futebol", prosseguiu.
"Última oportunidade"
A FIFA insistiu que todas as ações tomadas relativamente à proposta cumpriram os seus regulamentos e salientou que os erros estiveram relacionados com o processo e a comunicação, e não com violações das regras de governação.
No entanto, Terrier afirmou que a crise demonstrou que pode ser "a última oportunidade para mudar o sistema".
"Estes poderes têm de ser partilhados, com um presidente que seja garante, mas que não detenha todo o poder. É a última oportunidade que temos para garantir reformas e implementar mecanismos que protejam o futebol. A administração da FIFA não está em condições, nem é capaz, de atuar como contrapoder ou como guardiã das leis, estatutos e regulamentos em vigor – incluindo para o próprio presidente", rematou.
