De regresso aos Mundiais, depois de no ano passado ter interrompido uma série de 12 presenças consecutivas em elites devido a lesão, o bairradino de 37 anos assume à Lusa que a sua veterania não lhe confere mais responsabilidade.
“Até pelo contrário. A experiência também te ajuda. Há sempre responsabilidade, mas sabemos que tudo vai correr bem e daremos sempre o nosso melhor por Portugal”, explicou.
Figura incontornável no ciclismo português, ou não fosse o recordista nacional de participações em grandes Voltas – é também o primeiro corredor da história a completar 24 grandes consecutivas sem abandonos -, o ciclista luso com mais presenças olímpicas (quatro) escusou-se a fazer prognósticos para o ‘crono’ agendado para domingo, primeiro dia dos Mundiais.
“No ‘crono’, tanto eu como o Ivo (Oliveira) vamos dar o nosso melhor. Eu vou correr contra o tempo. Tudo depende se no dia nos sentimos bem ou mal. Há muitos fatores que podem tornar a corrida diferente. É óbvio que é um percurso bastante plano, técnico, com muitas curvas”, detalhou à Lusa.
Embora ainda não tenha podido pedalar na totalidade dos 39,2 quilómetros do percurso do crono, o que acontecerá apenas no sábado – “aí sim vou realmente saber o que me espera” -, o ciclista da Movistar admite que o traçado pode “favorecer os corredores mais possantes”, como Remco Evenepoel, o tricampeão mundial em título.
“O único que lhe pode fazer frente será, parece-me a mim, o Filippo Ganna”, previu, preferindo, contudo, esperar para ver se o belga tem um dia mau.
Sobre as perspetivas de Portugal para este exercício, lembra que Ivo Oliveira “tem um ritmo competitivo elevado”, por vir da Volta a Espanha, e diz sentir-se “bem”.
“Quanto à prova de estrada, temos uma boa equipa. Temos tanto o (Afonso) Eulálio, que mostrou aqui em Quebec e Montreal que está numa excelente forma, (como) o João (Almeida), que também vem de uma Volta a Espanha que terminou bastante bem”, destacou.
Nono no ano passado nos difíceis Mundiais de Kigali, o melhor jovem do Giro-2026 desponta numa seleção que inclui ainda António Morgado e Tiago Antunes, duplamente medalhado nos Jogos do Mediterrâneo Taranto-2026, além dos dois Oliveiras e de Almeida, o melhor voltista nacional da atualidade.
“Acho que temos uma boa equipa para tentar aspirar a, pelo menos, um top 10. Acho que esse será o ponto-chave da nossa corrida. Quanto a mim, vou tentar ajudar os colegas no que for preciso e, quiçá, também fazer parte da estratégia”, anteviu.
A prova masculina de fundo de elites vai encerrar os Mundiais em 27 de setembro, com os ciclistas a percorrerem 273,7 quilómetros, com um desnível acumulado de 3.803 metros.
“A corrida vai ser muito mais aberta, porque há menos equipas que podem controlar. Não vai ser fácil. A ambição é grande e esperemos que corra tudo bem. Sem azares, podemos fazer um bom Mundial”, reiterou.
A ausência do bicampeão em título, o estratosférico Tadej Pogacar, a recuperar da grave queda que sofreu na Volta a Espanha, aumentou o lote de candidatos, na opinião de Oliveira.
“Não estando o Pogacar, haverá bastante mais oportunidades para alguns poderem ser campeões do mundo, como o (mexicano Isaac) del Toro, que vai ter de jogar muito bem, porque não tem seleção para controlar”, analisou.
Além do terceiro classificado do Tour 2026 e vencedor de inúmeras provas esta época, nomeadamente o Grande Prémio de Montreal, o capitão português aponta ainda Evenepoel, o britânico Thomas Pidcock ou o jovem francês Paul Seixas, não excluindo a existência de surpresas.
“Há seleções que também podem jogar outras cartas e será fundamental a estratégia da equipa”, concluiu.
