O português da Bahrain Victorious tinha avisado que o líder da Visma-Lease a Bike lhe roubaria a camisola quando quisesse e, hoje, finalmente o campeão em título da Vuelta e duas vezes vencedor do Tour decidiu que estava na hora da liderança do Giro ser sua, lançando um demolidor ataque a cerca de 5.000 metros da meta, para somar o terceiro triunfo em etapas na sua estreia na prova.
“Penso que esta (vitória) será aquela que eu mais recordarei”, assumiu Vingegaard, após fazer o pleno em etapas de alta montanha, no final dos 133 quilómetros desde Aosta, que cumpriu em 03:53.01 horas, e de destronar Eulálio.
Maglia rosa desde a quinta etapa, o figueirense de 24 anos cedeu a uns 10 quilómetros do alto de Pila, mas, com a ajuda de Damiano Caruso, conseguiu manter-se na segunda posição, a 02.26 minutos de Vingegaard, e à frente de Felix Gall (Decathlon), conservando ainda a camisola branca de melhor jovem.
O austríaco foi segundo na etapa, a 49 segundos, e subiu ao terceiro lugar da geral, a 02.50 minutos do novo líder da 109.ª edição do Giro, que está mais perto de tornar-se no oitavo ciclista da história a completar a trilogia em grandes Voltas.
A etapa curta, mas extremamente dura, era atrativa para especialistas em fugas, caçadores de etapas ou homens que falharam na geral, pelo que, após vários ataques, se reuniram na frente 27 corredores, entre os quais Giulio Ciccone (Lidl-Trek), Enric Mas (Movistar), Aleksandr Vlasov (Red Bull-BORA-hansgrohe), Andreas Leknessund (Uno-X), Wout Poels (Unibet Rose Rockets) ou o trio da UAE Emirates Igor Arrieta, Jan Christen e Jhonatan Narváez.
Enquanto a fuga ia conhecendo variações à medida que as contagens de montanha do dia iam sendo ultrapassadas – havia mais duas primeiras categorias no caminho -, Eulálio ia demonstrando dificuldades, aparentemente devido ao calor que se fazia sentir.
No início da subida a Pila, de regresso ao traçado da corsa rosa após três décadas de ausência, restavam na frente 12 fugitivos, com menos de dois minutos de diferença para o grupo de favoritos, onde o consagrado Damiano Caruso fez um trabalho excecional para o seu colega português – o vice-campeão do Giro2021 até água foi buscar.
A 10 quilómetros do alto, eram Ciccone, Vlasov, Poels, Mas e o seu colega Einer Rubio, Jan Hirt (NSN) e David de la Cruz (Pinarello Q36.5) os ciclistas que seguiam na frente, enquanto Eulálio cedia ao ritmo imposto por Sepp Kuss, o vencedor da Vuelta2023, que neste Giro regressou à sua versão de gregário de luxo do pelotão.
Após ter lutado com tudo o que tinha, o figueirense despediu-se definitivamente da camisola rosa, mas não da luta pelo pódio, muito por culpa de Caruso, que na sua última participação na corsa rosa ajudou o seu companheiro a minimizar as perdas, enquanto homens como Ben O’Connor (Jayco AlUla) passavam dificuldades.
Sabia-se que hoje Vingegaard iria assumir a liderança da geral e o dinamarquês não defraudou, lançando um fulminante ataque a que ninguém conseguiu responder, embora Felix Gall (Decathlon) tenha tentado, e que anulou definitivamente a fuga a pouco mais de 5.000 metros do alto.
"Tínhamos um plano desde o início, queríamos controlar a corrida e foi o que os meus colegas fizeram. Fizeram um trabalho incrível toda a etapa, foi muito impressionante, estou tão orgulhoso deles e por ter conseguido retribuir-lhes", assumiu o vencedor.
Enquanto o ciclista da Visma-Lease a Bike rumava à vitória, lá atrás Jai Hindley (Red Bull-BORA-hansgrohe) batalhava para ser terceiro – chegou a 58 segundos – e o seu jovem companheiro italiano Giulio Pellizzari demonstrava que o seu alegado mau estado de forma era apenas um bluff, ao ser quinto, a 01.03 minutos, atrás do compatriota Davide Piganzoli, companheiro de Vingegaard.
Eulálio foi 15.º na etapa, a 02.49 de Vingegaard, numa jornada em que o neerlandês Thymen Arensman (Netcompany INEOS) desiludiu e caiu a quarto da geral, a 03.03 minutos do novo maglia rosa.
No dia em deixou de haver um português na liderança da Volta a Itália, Nelson Oliveira (Movistar) foi 45.º, a 26.29 minutos, e António Morgado 99.º, a quase 40 do vencedor.
No domingo, o pelotão cumpre a 15.ª etapa, a última antes do derradeiro dia de descanso, com os sprinters a terem uma oportunidade nos 157 quilómetros entre Voghera e Milão.
