Giro: A "maglia rosa" deu asas a Afonso Eulálio, que contrariou todas as previsões

Afonso Eulálio defendeu a liderança da Volta a Itália do assalto de Jonas Vingegaard
Afonso Eulálio defendeu a liderança da Volta a Itália do assalto de Jonas VingegaardČTK / imago sportfotodienst / Fotoreporter Sirotti Stefano

A "maglia rosa" deu esta terça-feira asas a Afonso Eulálio, que apesar de ter perdido quase cinco minutos para Filippo Ganna, o vencedor do contrarrelógio, defendeu a liderança da Volta a Itália do assalto do ciclista dinamarquês Jonas Vingegaard.

Mais do que a esperada vitória do italiano da Netcompany INEOS ou as evidentes debilidades do líder da Visma-Lease a Bike, longe do seu melhor nível, os 42 quilómetros de contrarrelógio da 10.ª etapa demonstraram que o português da Bahrain Victorious falava verdade quando disse que a camisola rosa lhe deu força.

Contrariamente a todos os prognósticos, inclusive o seu – na véspera, em conferência de imprensa, foi perentório a responder que perderia a maglia hoje -, Afonso Eulálio segurou a liderança da geral, agora reduzida a meros 27 segundos de vantagem para Vingegaard, um dececionante 13.º classificado no crono, a distantes três minutos de Filippo Ganna.

Sofri, sofri, sofri, mas cheguei aqui e mantive a ‘maglia rosa’. É incrível. Só no final é que o carro me começou a dizer ‘estás perto do Jonas’, mas, num primeiro momento, pensei que estava perto, mas não para manter a camisola. No final, começaram a dizer-me ‘30 segundos’ e continuei a acreditar”, revelou o português na flash-interview.

O corredor da Bahrain Victorious assumiu que não estava nos seus planos manter a camisola rosa após o exercício individual entre Viareggio e Massa, que cumpriu na 41.ª posição, a 04.57 minutos de Ganna, vencedor em 45.53.

Vou continuar a acreditar nos próximos dias. Continuarei a lutar”, prometeu.

Embora tenha sido Ganna o vencedor do dia, o interesse da 10.ª etapa resumiu-se à luta pela geral, na qual Thymen Arensman (Netcompany INEOS), segundo no crono a 01.54 minutos do seu colega italiano, é agora terceiro.

O neerlandês ultrapassou o austríaco Felix Gall (Decathlon) e está a 01.57 de Eulálio, que embora já perdesse 50 segundos para Vingegaard no primeiro ponto intermédio, cedo deu sinais que iria manter a maglia rosa, apesar de nunca ter feito um crono tão longo.

Entre deceções como Gall ou Jai Hindley (Red Bull-BORA-hansgrohe), que desceu ao sexto posto da geral, ou surpresas como Ben O’Connor (Jayco AlUla), novo quinto classificado, emergiu o figueirense de 24 anos, cada vez mais um sério candidato a lutar pelos primeiros lugares da geral, perante um Vingegaard longe da sua melhor versão – o dinamarquês aparenta estar a apontar o pico de forma para a Volta a França.

Um ‘crono’ num percurso tão longo e totalmente plano não é verdadeiramente a minha especialidade. Nunca brilhei neste terreno. Não acho que me tenha saído demasiado mal”, avaliou o campeão em Vuelta2025 e duas vezes vencedor do Tour (2022 e 2023).

O contrarrelógio da 10.ª etapa foi desenhado para consagrar o atual tetracampeão italiano da especialidade e Ganna não defraudou, estabelecendo em cada ponto intermédio o novo melhor tempo, uma superioridade confirmada na meta.

"É fantástico um contrarrelógio longo como este, gostei muito. Estou satisfeito por, finalmente, haver um bom ‘crono’ para mim, sem subidas”, assumiu.

Quem mais se aproximou do registo do vice-campeão olímpico de contrarrelógio foi o seu colega neerlandês Thymen Arensman, com outro especialista, o francês Rémi Cavagna (Groupama-FDJ), a ser terceiro, a 01.59.

Entre os portugueses, o campeão nacional da especialidade, António Morgado (UAE Emirates), foi o melhor, no 28.º lugar, a 04.05 do antigo bicampeão mundial. Mais discreto esteve Nelson Oliveira (Movistar), o mais credenciado contrarrelogista nacional, hoje apenas 38.º, a 04.44.

Feitas as contas, Afonso Eulálio prolonga o seu reinado, que começou após a quinta etapa, quando integrou a fuga do dia e foi segundo classificado. Na quarta-feira, vai somar o seu sexto dia de rosa, na ligação de 195 quilómetros entre Porcari e Chiavari.

O próximo grande teste à liderança do luso da Bahrain Victorious acontece no sábado, com a jornada de alta montanha com final em Pila.