Ciclismo: "Não me digo que tenho de ganhar a todo o custo", diz Paul Seixas

Paul Seixas, ciclista francês de 19 anos
Paul Seixas, ciclista francês de 19 anosANDER GILLENEA / AFP

Ansioso por se "testar" no temível Muro de Huy, Paul Seixas sublinhou esta terça-feira que vai encarar a Flèche Wallonne com ambição, mas sem se impor a obrigação de a vencer.

"Vai ser uma boa descoberta", afirmou o francês de 19 anos numa conferência de imprensa no seu hotel em Verviers, na véspera da corrida, já a pensar em Liège-Bastogne-Liège no domingo, onde não vai "baixar os olhos" perante Tadej Pogacar.

- Na ausência de Tadej Pogacar e Remco Evenepoel, é o grande favorito?

- Não me coloco na posição de chegar como grande favorito. O meu objetivo é mais testar-me neste esforço curto (no Muro de Huy). Não tenho certezas porque nunca me medi ainda com outros grandes puncheurs. Sei que posso estar bem. Mas não estabeleci como meta obrigatória ganhar."

- Descobriu o Muro de Huy durante o reconhecimento. Ficou surpreendido?

- A única coisa que me surpreendeu foi o estado da estrada, um pouco pior do que pensava. De resto, já esperava que fosse mesmo muito íngreme. E é mesmo muito íngreme. Já o vi bastantes vezes na televisão. O facto de ainda não o ter feito em corrida pode ter algum impacto, é verdade. Por isso é que não me imponho a obrigação de ganhar esta prova. Vai ser uma boa descoberta.

- No ano passado, Pogacar atacou cedo no Muro, isso inspira-o?

- É certo que para mim é mais interessante quando a corrida se lança de longe. Mas no ano passado Pogacar foi realmente muito dominante, acima de todos. Com o frio e a chuva, as condições também eram muito particulares. Vamos ver como corre para mim."

- Entre a Flèche e a Liège-Bastogne-Liège, qual é a corrida mais importante para si esta semana?

- Diria que é Liège. Afinal, é um Monumento. Mas a Flèche também é importante para mim. É uma corrida mítica. Não é um Monumento, mas quase, um espetáculo muito bonito de ver na televisão. Naturalmente, tinha vontade de a disputar um dia.

- Vencer Pogacar no domingo em Liège, é possível?

- Não posso permitir-me baixar os olhos à partida. Não é possível. Nunca parto com uma mentalidade derrotista de pensar que vou lutar pelo segundo lugar. Depois, é a realidade da estrada que o dirá. Mas vou lutar, mesmo que ele seja muito forte, talvez o melhor corredor de sempre. Estou ansioso, é sempre uma grande experiência correr contra ele. É uma honra e também permite puxar por nós próprios e perceber o que ainda falta.

- Nas suas últimas corridas, tem-se mostrado muito ofensivo.

- Tenho mais confiança no meu nível e também evoluí, por isso posso assumir mais a iniciativa. O ano passado foi o meu primeiro ano como profissional. Tinha muito para aprender e não estava ao nível de agora. É claro que é mais agradável para mim, dá-me mais oportunidades.

- Pensa que já começa a meter respeito aos melhores?

- Bem, não sei se se pode falar em medo. Mas faço parte dos que podem lutar com eles. Vamos ver no domingo, imagino.

- Como gere as expectativas à sua volta?

- Não ligo particularmente, mantenho-me focado nos meus objetivos. Fico satisfeito por poder lutar na frente em grandes corridas. Mas ainda há muito a melhorar.

- Já está tomada a decisão sobre a sua participação no Tour de France?

- Dissemos que falaríamos depois de Liège. Para já, tudo se mantém, nada mudou.