Tour: Pogacar não fez cálculos mas deixou Vingegaard desanimado e outros a pensar no pódio

Tadej Pogacar conquistou sexta etapa do Tour após um ataque solitário de mais de 40 quilómetros
Tadej Pogacar conquistou sexta etapa do Tour após um ataque solitário de mais de 40 quilómetrosPeter Goding / Alamy / Profimedia

Tadej Pogacar não fez cálculos ao tempo que podia ganhar esta quinta-feira, com um ataque solitário de mais de 40 quilómetros na sexta etapa do Tour, mas deixou Jonas Vingegaard “desapontado” e os restantes ciclistas candidatos resignados.

“Corremos como se não tivéssemos nada a perder, se explodíssemos, explodíamos, mas no final fomos bem-sucedidos. Estou muito orgulhoso de todos”, salientou o esloveno da UAE Emirates.

Depois de uma primeira aceleração do seu colega mexicano Isaac del Toro no mítico Tourmalet, que deixou Vingegaard em dificuldades, Pogacar isolou-se a uns 42 quilómetros da meta e foi ganhando progressivamente tempo ao líder da Visma-Lease a Bike, sobretudo na descida que se seguiu à contagem de categoria especial.

“Na minha cabeça, deixei tudo ao acaso. O que acontecesse, acontecia. Não estava a calcular os segundos ou minutos que ia ganhar, só queria dar o máximo até ao final”, descreveu o ciclista de 27 anos, assumindo que preferia não ter recuperado a camisola amarela hoje.

O tetracampeão do Tour começou os 186,2 quilómetros entre Pau e o alto de Gavarnie-Gèdre empatado em tempo com o seu arquirrival, mas ganhou-lhe 02.38 minutos na meta, além de outros quatro segundos de bonificação, com o vencedor do Giro2026 já a distantes 02.42 minutos após a sexta etapa.

Obviamente, não foi o dia que eu queria. Eles (Pogacar e Del Toro) fizeram um grande ataque no Tourmalet e eu não consegui segui-los. Tive de ir ao meu ritmo e, no topo, não estava assim tão longe, mas uma descida como esta não é para mim”, declarou o homem que venceu o Tour em 2022 e 2023 e foi ‘vice’ atrás do esloveno em 2021, 2024 e 2025.

Os traumas passados, herdados da queda grave que sofreu há dois anos, a descer, numa etapa na Volta ao País Basco, voltaram hoje para assombrar Vingegaard, com o chefe de fila da Visma-Lease a Bike a perder mais tempo na descida, depois de ter coroado o Tourmalet a apenas 30 segundos de ‘Pogi’.

“Obviamente, estou desapontado, tenho de estar. Mas, às vezes, é assim a vida e não posso mudá-la. Ainda acredito em mim e que as minhas pernas vão melhorar ao longo da prova”, disse um abatido dinamarquês.

A supremacia do bicampeão mundial de fundo foi tal que os restantes candidatos ao pódio só conseguiram elogiar a sua prestação, a começar por Paul Seixas (Decathlon), o estreante de 19 anos que é a maior esperança para que os franceses voltem a ganhar a ‘Grande Boucle’.

“Foi verdadeiramente muito duro, mas penso que me correu bastante bem (a etapa). Geri bem a subida ao Tourmalet e a final, e o resultado foi um bom quinto lugar na meta. Não é nada mau. O Pogacar esteve muito forte e dou-lhe os parabéns”, elogiou o sexto da geral.

Seixas acredita que esteve “onde tinha de estar”, ou seja no grupo que cortou a meta a 02.57 minutos do vencedor e que incluía, entre outros, Isaac del Toro, Remco Evenepoel ou Florian Lipowitz, os líderes da Red Bull-BORA-hansgrohe.

“Perante uma performance como esta, penso que não há muito que possamos fazer”, reconheceu o alemão, que foi terceiro e melhor jovem na passada edição.

Lipowitz entregou mesmo o segundo lugar final a Vingegaard, que também “esteve superforte hoje”, admitindo que agora os corredores de Red Bull terão de correr pelo terceiro lugar, atualmente ocupado por Del Toro.

Não penso na geral, procuro desfrutar de cada etapa. Esta é a minha estreia no Tour e não quero colocar-me pressão, nem dar outro trabalho à equipa”, destacou o jovem mexicano de 22 anos, que foi ‘vice’ do Giro2025.

Del Toro foi hoje terceiro da etapa, batendo ao sprint Evenepoel, que não hesitou em criticar o seu colega Lipowitz e tudo, no geral.

“Pedi um ‘lançamento’ e não o tive. Penso que estou zangado com razão. (...) Temos de ter uma conversa séria esta noite”, disse o belga, que foi terceiro há dois anos e atualmente é quarto na geral.

Evenepoel queixou-se também da falta de colaboração no grupo de perseguidores, apontando diretamente o dedo a Juan Ayuso e Mattias Skjelmose, da Lidl-Trek.

O que é que tínhamos a perder?”, questionou o duplo campeão olímpico, que hoje obrigou a sua equipa a trabalho extra por ter escolhido parar antes do Côte de Loucrup, altura em que começaram os ataques entre nomes importantes do pelotão.

Ciclismo de estrada