Habituado a vencer clássicas ou etapas montanhosas de grandes voltas sem qualquer oposição, o camisola vermelha deixou toda a concorrência para trás no último troço da subida a Puerto El Bartolo, contagem de montanha de primeira categoria, com nove quilómetros e inclinação média de 7,1%, e ultrapassou o fugitivo Ramses Debruyne (Alpecin-Premier Tech) na primeira aparição da terra batida na Vuelta.
O campeão mundial parecia lançado para mais uma vitória incontestável, antes de o espanhol, de 31 anos, se destacar do grupo perseguidor e realizar um tremendo último quilómetro, que lhe permitiu ultrapassar Pogacar no topo da subida, a cerca de 20 quilómetros da meta.
O duo segurou a vantagem para a concorrência na descida e no final plano da tirada entre Alcossebre e Castelló de la Plana, de 177,5 quilómetros, que terminou com a 38.ª vitória em etapas do Giro, do Tour ou da Vuelta por parte do corredor de 27 anos, que não escondeu a surpresa pelo desempenho de Mas.
“Fiquei realmente surpreendido no topo da montanha. Passou por mim como um foguete. Não esperava. Tinha ouvido no rádio que tinha uma vantagem de 40 segundos para os perseguidores. Fiquei um pouco chocado. Foi bom contar com ele nos últimos 10 quilómetros, porque não tinha água. Tiro-lhe o chapéu”, disse o vencedor da tirada, ao cabo de 4:12.40 horas, e líder da geral, com 15:38.27 minutos.
Apesar de ter falhado a conquista da etapa, o maiorquino da Movistar isolou-se no segundo lugar da geral, a 3.34 minutos de Pogacar, após ganhar 52 segundos a Primoz Roglic (Red Bull-BORA-hansgrohe), agora terceiro da geral, a 4.21, a Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), quarto, a 4.50, e a Felix Gall (Decathlon), quinto a 04.55.
“Dou-me muito bem com o calor. Hoje esteve muito calor. No sprint, o Pogi fez o que tinha de fazer. Tenho de pensar dia após dia e de me focar na classificação geral”, frisou o ciclista com quatro pódios na Vuelta, após três segundos lugares, em 2018, 2021 e 2022, e um terceiro, em 2024.
A principal fuga da etapa consumou-se na descida após a segunda contagem de montanha do dia - Coll de la Bandereta -, com 16 corredores que chegaram a deter uma vantagem de 2.40 minutos, antes da terceira contagem, no alto de Desierto de Las Palmas, em que seis elementos ficaram para trás, incluindo Wout van Aert (Visma-Lease a Bike), agora segundo na classificação por pontos, a da camisola verde.
No pelotão, a UAE Emirates intensificou o ritmo, primeiro com o português João Almeida e o norte-americano Kevin Vermaerke e, mais tarde, com o australiano Jay Vine e o espanhol Pablo Torres, antes de Pogacar impor uma ‘lei’ à qual só Mas resistiu, num dia em que Ramses Debruyne se evidenciou na fuga, foi terceiro na etapa e subiu ao oitavo lugar da geral.
Segundo na Vuelta 2025, João Almeida ocupa o 104.º lugar da classificação geral, a 53.09 minutos do camisola vermelha, enquanto o outro luso em prova, Ivo Oliveira (UAE Emirates), é 164.º, a 1:08.12 horas, após um dia marcado pelo abandono do britânico Josh Tarling (Ineos), irmão de Finlay Tarling, corredor que morreu em 14 de agosto, aos 19 anos, durante a Volta a Portugal, após colisão com veículo alheio à corrida.
Na sexta-feira, a sétima etapa, de, vai ligar Vall d’Alba, na Comunidade Valenciana, a Aramón Valdelinares, na comunidade de Aragão, ao longo de 149,8 quilómetros que incluem cinco contagens de montanha, entre as quais se destaca a subida final, de primeira categoria.
