“Felizmente, a recuperação foi boa. Mais rápida que, se calhar, até estávamos à espera. Nas últimas três semanas, já consegui treinar bastante bem. E o resultado foi o que se viu no contrarrelógio, ou seja, as sensações voltaram como eram antes”, destacou o corredor da Movistar, em declarações à agência Lusa.
No regresso à competição, após seis semanas de paragem devido a uma fratura de clavícula – caiu num treino no final de fevereiro e teve de ser operado -, o mais experiente dos ciclistas portugueses no WorldTour foi terceiro no contrarrelógio inaugural d’O Gran Camiño, ocupando à partida para a terceira etapa o segundo lugar da geral, a apenas um segundo do compatriota Rafael Reis (Anicolor-Campicarn).
“Todos sabemos que aqui há excelentes corredores e muito boas equipas. Estou numa boa posição, é certo, mas o Gran Camiño não é uma prova fácil. E aqui também todos treinam, todos fazem os seus sacrifícios, eu também, mas vamos tentar”, admitiu sobre a perspetiva de lutar por um top 3 final.
No entanto, Nelsinho encara a prova galega, sobretudo, como uma corrida que lhe permite ganhar “aquele ritmo competitivo” que lhe falta para chegar bem à Volta a Itália, que começa em Nessebar, na Bulgária, em 08 de maio, e termina em Roma, no dia 31.
“E, depois, ainda tenho algumas semanas até ao Giro para me recuperar desta prova e voltar a treinar”, pontuou.
Eterno otimista, Oliveira consegue encontrar algo de positivo no revés que lhe aconteceu, considerando que a paragem de seis semanas não prejudicará a sua participação na corsa rosa, onde alinhará na sua 23.ª grande Volta.
“Até, se calhar, tive sorte. Provavelmente, sentir-me-ei um bocadinho mais fresco, porque não fui ao Paris-Nice, também não fui ao País Basco e esta corrida aqui na Galiza, se calhar, é mais fácil”, avaliou.
Para a prova italiana, o objetivo, “como sempre”, é trabalhar para o líder da Movistar, no caso o espanhol Enric Mas, além de “tentar chegar a Roma” e dar o seu melhor.
Quase 10 anos depois da sua última vitória, naquele que foi o seu quarto título nacional de contrarrelógio em elites – tem também um de fundo -, o vencedor de uma etapa na Vuelta-2015 não esconde qual seria um desejo para esta temporada.
“Quem é que não gostava de voltar a levantar os braços? É óbvio. Para isso trabalhamos e para isso treinamos todos os dias, mas hoje em dia no ciclismo cada vez está mais difícil ganhar. Quando vemos na televisão, praticamente ganham sempre os mesmos, mas cá andamos e sempre com a mesma ambição para tentar ganhar”, afirmou.
Questionado pela Lusa se gostaria de regressar aos Nacionais de contrarrelógio, o experiente ciclista de 37 anos, que cumpre a sua 11.ª época na Movistar, respondeu “por que não?”.
“Primeiro, estou focado no Giro e depois logo vemos se realmente vamos aos Nacionais ou não. Depende. Depois falando com a equipa, vemos o que é que podemos fazer”, concluiu.
