Conceição assume mágoa com Vítor Bruno e admite: "Gostaria de ter saído de outra forma do FC Porto"

Sérgio Conceição, antigo treinador do FC Porto
Sérgio Conceição, antigo treinador do FC PortoYASSER BAKHSH / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

Na segunda parte da entrevista à TVI e CNN Portugal, divulgada esta terça-feira, Sérgio Conceição falou da relação com André Villas-Boas, atual presidente do FC Porto, e Vítor Bruno, antigo adjunto do agora ex-técnico do Al Ittihad, bem como dos momentos com Pinto da Costa, antigo presidente dos dragões. O técnico, de 51 anos, deu os parabéns ao clube pelo título e negou as intenções de, um dia, ser presidente dos azuis e brancos.

Leia também - Sérgio Conceição confirma interesse do Benfica e convite da Bélgica: "Estou preparado para tudo"

Título do FC Porto: "Criam-se narrativas falsas. O título do FC Porto foi merecido pela estrutura, treinador e jogadores. Eu tive a particularidade de dar os parabéns aos jogadores todos que ainda tive a oportunidade de treinar, pessoas que fazem parte ainda hoje dos diferentes departamentos do FC Porto. E fiquei contente, sim, pela época que o FC Porto fez".

Ligação aos adeptos portistas: "Perguntou-me isso pelo tal facto de não dar os parabéns nas redes sociais? A minha ligação aos adeptos é umbilical. Depois do FC Porto ganhar o título achei que, pela quantidade de festas, os adeptos nem iam ligar ao que eu ia dizer, porque houve muita festa depois do título. E eu sabia que ia dar esta entrevista e aproveitava esta oportunidade para dar os parabéns, sem dúvida absolutamente nenhuma, pelo título fantástico que conseguiu".

Saída do FC Porto: "A forma como eu gostaria de ter saído do FC Porto certamente era outra. Eu tenho de expressar o meu sentimento. Mas não era fácil também. Houve um ciclo muitíssimo importante na história do FC Porto, que foi o do nosso presidente durante 42 anos, o presidente mais titulado do mundo e o meu, durante sete anos. Sou o treinador mais titulado do FC Porto e não era fácil. Eu hoje compreendo e aceito. E se calhar era necessário haver essa tal transição.

Leia também - Oficial: Sérgio Conceição deixa o Al-Ittihad

"Eu aceito e na altura aceitei também. Não sei se se lembram, mas no dia 26 de maio, há dois anos, na final da Taça de Portugal, estava o presidente Pinto da Costa, o Pepe ao meu lado e estava o atual presidente do FC Porto, mais atrás, que eu puxei para levantar a taça em conjunto. Naquele momento não sabia se ia ficar ou não. Eu tinha assinado um contrato de quatro anos a dois dias das eleições, que foi muito criticado também por toda a gente. E eu posso explicar as razões que me levaram a assinar um contrato a dois dias".

André Villas-Boas e as relações cortadas com Vítor Bruno

Conversa com André Villas-Boas: "Fui-lhe explicar o porquê. Se estivesse na situação dele também, se calhar não gostaria muito que um treinador com sete anos de clube, ganhando aquilo que eu ganhei, com a ligação tão forte aos adeptos, se tivesse metido de um lado (das eleições). E eu estive sempre à parte, até dois dias antes das eleições. Foi quando fui convidado pelo presidente Jorge Nuno Pinto da Costa para ir ao seu gabinete, onde estava também o Pepe, que tinha feito a sua renovação, que se ele fosse reeleito presidente do FC Porto, o Pepe continuaria com ele. Falou de uma forma muito emocionada da sua doença, explicou-me a estratégia que tinha para os próximos anos no Futebol Clube Porto e eu, por amizade, por respeito e por gratidão, aceitei.

E foi isso que fui explicar ao André Villas Boas: dizer que, a partir daquele momento, o meu contrato ficava sem efeito porque tinha aceitado renovar com o FC Porto com um presidente. Como ele já não era presidente do FC Porto, tinha de respeitar. Eu, se estivesse no lugar de André Villas-Boas, também não tinha gostado muito".

Conceição venceu a Taça de Portugal antes de deixar o FC Porto
Conceição venceu a Taça de Portugal antes de deixar o FC PortoPATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

Vítor Bruno: "(Reagi) De forma natural. Não, não (tinha falado). Tínhamos estado na noite anterior, a jantar e ele disse que queria seguir o seu caminho como treinador principal e eu achei muito bem".

Traição de Vítor Bruno: "A atitude, alguns consideram deselegante, podemos adjetivar como quisermos. Pode ser traidora. Eu acho que isso faz parte do passado. Foi um percurso bonito durante muitos anos e as coisas podiam ter sido feitas de outra forma. Faz parte do passado. Não guardo rancores".

Relação com André Villas-Boas: "Foi um treinador ganhador, campeão da (Liga) Europa, teve um percurso curto, mas fantástico, como treinador no Futebol Clube do Porto. Agora, como presidente, o primeiro ano não correu bem, por tudo aquilo que foi uma transição muito difícil, e neste momento é um presidente que ganhou um campeonato nacional e está de parabéns por isso".

Relação com Vítor Bruno: "Não (nunca mais falei). Não (tenciono)".

"Não penso ser presidente do FC Porto"

Ligação com Pinto da Costa: "O presidente foi das pessoas mais importantes na minha vida profissional. Cheguei jovem ao FC Porto, andei emprestado, voltei e tive dois anos maravilhosos e depois regressei numa situação muito difícil do FC Porto onde privei de forma muito intensa. Vivemos momentos difíceis, de euforia. Tivemos três anos em que o clube estava sob alçada do fair play financeiro, meteu-se o covid-19. Foram sete anos muito difíceis, muitas barreiras e obstáculos a ultrapassar. Com persistência e determinação que o presidente tinha fomos ultrapassando com distinção, com títulos".

Vontade de ser presidente: "Tem aí uns trunfos na manga... Sinceramente não penso, não tenho um pensamento a longo prazo. Não me passou pela cabeça, sinceramente. Vamos ouvindo opiniões, hoje é fácil, com a dimensão das redes sociais. Não pensei nem penso num futuro próximo. Num futuro longínquo? Não sei. Vivo de tal forma intensa e apaixonada, o meu dia a dia, a relação com a profissão é tão intensa e forte, que pensar a médio prazo já me custa, imagine a longo prazo".