Avançando para setembro de 2026: Antonelli lidera o campeonato do mundo com 59 pontos de vantagem, depois de superar o muito mais experiente colega de equipa George Russell num Mercedes verdadeiramente imparável. Em apenas 12 meses notáveis, o jovem italiano passou de promessa a piloto principal e favorito ao título mundial.
O céu é o limite para este jovem italiano, que se tornou o mais novo piloto da história a liderar um campeonato do mundo, no Japão, mais cedo nesta época. Seis meses depois, Antonelli não só continua a liderar o campeonato, como o faz com uma vantagem considerável, depois de se mostrar cada vez mais forte.
Após uma época de estreia com altos e baixos, o Antonelli de 2026 apresenta-se mais maduro e confiante e, apesar de ainda cometer alguns erros, o líder destacado do campeonato está a provar porque é que Toto Wolff apostou nele para substituir Lewis Hamilton. O alemão acreditou no talento de Antonelli, apoiou sempre o seu jovem prodígio nos momentos difíceis do ano passado e agora está a colher os frutos.
Antonelli passou de estrela do futuro a realidade em apenas 12 meses, surpreendendo todos, mas não foi por acaso – o ritmo impressionante e talento natural eram evidentes desde os tempos do karting.
A velocidade de Antonelli impressionou desde cedo
Desde o início do percurso de Antonelli no desporto motorizado que era evidente o seu talento. Começou no karting aos cinco anos e vencia corridas em qualquer categoria onde competisse. O pai, Marco Antonelli, percebeu que o filho tinha algo de especial quando, com apenas 10 anos, Kimi controlou o volante de um Lamborghini no circuito de Adria, no nordeste de Itália, enquanto o pai controlava as mudanças e os travões.
"Eu não conseguia ver a pista porque ele estava à minha frente com o capacete. Só conseguia ver ao meu lado as placas de referência antes de cada curva – 100m, 50m", contou Marco à BBC Sport em agosto.
"Começámos a conduzir, passo a passo, cada vez mais rápido. No fim, acelerei como se estivesse sozinho e cheguei ao ponto de travagem no final da reta, 320 km/h, travei muito forte e mesmo no limite. O carro tinha muito sobreviragem. O Kimi controlou a sobreviragem na perfeição, depois acelerei, o Kimi terminou a sobreviragem, mudou de mudança e seguiu. Disse: 'OK, para, porque agora já se tornou perigoso.' Mas quando vi o vídeo, 10 anos, no meu colo, sobreviragem, tudo perfeito, pensei: 'Talvez ele tenha mesmo algo especial'", relatou.
Antonelli substitui Hamilton na Mercedes
Depois de mostrar ser demasiado bom para o karting no final de 2021, Antonelli começou a competir em carros em 2022 e rapidamente dominou também a Fórmula 4 e, mais tarde, a Fórmula 3. Nada parecia abalar este jovem prodígio – uma característica que estamos a ver ao vivo esta época, ao enfrentar os melhores pilotos do mundo e a tornar tudo rotineiro.
Toto Wolff não perdeu tempo a integrá-lo na academia da Mercedes e, depois de impressionar na época de estreia na F2, o alemão ficou convencido de que Antonelli estava pronto para dar o salto para o grande palco. Substituir uma lenda como Hamilton aos 18 anos, com apenas um ano de experiência em F2, teria sido demasiado para a maioria dos jovens pilotos.
E talvez, no início, a pressão de tentar estar à altura de um dos maiores de sempre tenha pesado um pouco nos ombros de Antonelli. Mas mesmo numa desafiante época de 2025, houve mais do que provas suficientes do que Wolff via no veloz italiano. Antonelli garantiu pódios consecutivos em São Paulo e Las Vegas no final da sua época de estreia, terminando 2025 de forma encorajadora.

Mercedes constriu um verdadeiro foguete
Mas ao entrar em 2026, Antonelli, tal como o resto da grelha, enfrentou a incerteza de novos regulamentos. Os carros teriam potência igual, baterias maiores e combustível sustentável – e também teriam um aspeto bastante diferente. No entanto, rapidamente ficou claro que 2026 seria um bom ano para a Mercedes e uma oportunidade para o jovem Antonelli.
Quando terminou a primeira sessão de treinos livres na Austrália, confirmou-se o que muitos já temiam: Toto Wolff tinha construído um verdadeiro foguete, a fazer lembrar o Mercedes de 2014, que viria a dominar o desporto.
No início da época, toda a pressão recaía sobre o piloto número um da Mercedes, George Russell, e com razão, já que Russell estava a igualar Hamilton no final do tempo de Lewis nas Flechas de Prata. Russell era há muito apontado como futuro campeão do mundo e pensava-se que teria uma grande oportunidade assim que Wolff lhe desse o carro mais rápido da grelha.
Russell começou a época como previsto, ao vencer o Grande Prémio da Austrália à frente do seu colega de equipa Antonelli. Mas, surpreendentemente, essa viria a ser a única vitória de Russell até à Áustria, em junho, enquanto o seu colega de equipa venceu cinco corridas consecutivas após a Austrália, assumindo uma liderança confortável no campeonato do mundo.
2026 de Antonelli é uma das "maiores surpresas" da carreira de Wolff
Russell foi prejudicado por problemas de fiabilidade no seu carro em algumas ocasiões, mas mesmo nesses fins de semana, Antonelli foi muitas vezes o piloto mais rápido, tendo o jovem italiano superado sistematicamente o seu colega de equipa nas qualificações.
O consenso é que Russell ficou aquém do esperado e deveria ser mais competitivo; Antonelli tem estado brilhante e até um Russell confiante teria dificuldades em igualar o ritmo do italiano.
E se ficou surpreendido com a ascensão meteórica de Antonelli ao topo da Fórmula 1, não está sozinho – nem mesmo o chefe de equipa da Mercedes consegue acreditar totalmente.
“Acho que os grandes, eles sabem. Diz-se que é preciso um para reconhecer outro. E penso que, quando ouvimos o Lewis ou o Max no ano passado, já diziam que ele tinha potencial. E foi isso que sentimos também na equipa, ao olhar para os seus registos anteriores no karting e nas fórmulas de formação. Ainda assim, sair do inverno e acertar praticamente em todas as corridas é uma das maiores surpresas da minha carreira no automobilismo profissional", explicou Wolff.
Antonelli chega ao Grande Prémio caseiro com a notícia de que vai partir do fundo da grelha, depois de a Mercedes ter sofrido uma pesada penalização.
Mas descartar esta estrela italiana já se revelou um erro ingénuo no seu curto percurso na Fórmula 1. Não será fácil e terá de ultrapassar muito tráfego, mas se alguém pode fazer o impossível em 2026, é Antonelli. Não se surpreenda se ele aumentar a vantagem no campeonato na tarde de domingo, em vez de perder terreno para os rivais.
Antonelli tem sido um campeão do mundo em formação desde os primeiros sinais que o seu pai viu naquele Lamborghini há uma década e uma vitória contra todas as probabilidades na corrida em casa este fim de semana deixá-lo-ia a um passo de tornar esse sonho realidade.
