Diretora da Academia do Benfica na Ucrânia detida pela Interpol

Maria Krivopishina (à esquerda) na assinatura do projeto de escola de futebol do Benfica na Ucrânia, em 2019
Maria Krivopishina (à esquerda) na assinatura do projeto de escola de futebol do Benfica na Ucrânia, em 2019 SL Benfica

Maria Krivopishina, antiga diretora da Academia do Benfica na Ucrânia, foi detida pela Interpol em Montenegro. A informação foi confirmada por Ruslan Kravchenko, procurador-geral da Ucrânia, numa publicação no Facebook.

Suspeita no caso da morte de uma criança de 10 anos num acampamento de jovens futebolistas em Kiev, em 2023, Maria Krivopishina foi colocada numa lista de busca internacional e agora prepara-se para regressar ao seu país de origem, de onde se ausentou desde o momento em que foi notificada como sendo suspeita na investigação, depois de um tribunal montenegrino ter ordenado a sua extradição.

Leia mais - Diretora da Academia do Benfica na Ucrânia na lista de procurados pela Interpol

De acordo com o despacho da Procuradoria Geral, a dirigente é suspeita ao abrigo do Artigo 271, ponto 2, do Código Criminal da Ucrânia, que pune a violação dos requisitos de segurança no trabalho que resulte na morte de uma pessoa. A investigação apurou que a responsável pela Academia do Benfica cometeu violações grosseiras das medidas de segurança, algo que terá sido confirmado por exames forenses. O tribunal ordenou a detenção da suspeita, apesar da sua ausência, decisão confirmada pelo Tribunal de Recurso de Kiev.

"Este caso é uma questão de princípio para mim. Quando me reuni com os pais do rapaz falecido, prometi-lhes que os responsáveis pela sua morte seriam levados à justiça. Quando uma criança está hospedada num acampamento, os adultos assumem a responsabilidade pela vida e segurança dessa criança. Não de forma formal, mas na realidade, todos os dias e a cada minuto. Os pais confiam a estas instituições o que têm de mais precioso. E se essa confiança foi traída, o Estado é obrigado a apurar o papel de todos os que eram responsáveis por garantir a segurança da criança. Fugir para o estrangeiro não elimina a responsabilidade. Nenhum país e nenhuma fronteira devem tornar-se um meio para escapar à justiça", escreveu Ruslan Kravchenko.

"Gostaria também de recordar que a acusação contra o treinador do acampamento, acusado de deixar a criança em perigo, já se encontra em tribunal para julgamento. Este caso continua sob a minha supervisão pessoal. Para a família do rapaz, a justiça já chega com anos de atraso. É nosso dever fazer tudo o que for possível para garantir que ela seja feita", acrescentou o procurador-geral da Ucrânia.

Durante o acampamento, o treinador levou as crianças para nadar num lago com 9 metros de profundidade e deixou-as sem a supervisão de um adulto. Ivan Goncharuk, de 10 anos, não sabia nadar e afogou-se. Os pais da criança ligaram repetidamente para a administração do acampamento logo no dia do acontecimento, mas as suas ligações foram ignoradas e acabaram por saber da morte do filho pela polícia. Segundo a investigação, o treinador em questão já tinha sido acusado de abandono anteriormente.

Maria Krivopishina é filha de Oleksiy Krivopishin, antigo chefe dos Caminhos de Ferro do Sudoeste da Ucrânia, que em 2019 foi acusado de desviar mais de 50 milhões de hryvnias (cerca de 1 milhão de euros).

Futebol