Suspeita no caso da morte de uma criança de 10 anos num acampamento de jovens futebolistas em Kiev, em 2023, Maria Krivopishina foi colocada numa lista de busca internacional e agora prepara-se para regressar ao seu país de origem, de onde se ausentou desde o momento em que foi notificada como sendo suspeita na investigação, depois de um tribunal montenegrino ter ordenado a sua extradição.
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De acordo com o despacho da Procuradoria Geral, a dirigente é suspeita ao abrigo do Artigo 271, ponto 2, do Código Criminal da Ucrânia, que pune a violação dos requisitos de segurança no trabalho que resulte na morte de uma pessoa. A investigação apurou que a responsável pela Academia do Benfica cometeu violações grosseiras das medidas de segurança, algo que terá sido confirmado por exames forenses. O tribunal ordenou a detenção da suspeita, apesar da sua ausência, decisão confirmada pelo Tribunal de Recurso de Kiev.
"Este caso é uma questão de princípio para mim. Quando me reuni com os pais do rapaz falecido, prometi-lhes que os responsáveis pela sua morte seriam levados à justiça. Quando uma criança está hospedada num acampamento, os adultos assumem a responsabilidade pela vida e segurança dessa criança. Não de forma formal, mas na realidade, todos os dias e a cada minuto. Os pais confiam a estas instituições o que têm de mais precioso. E se essa confiança foi traída, o Estado é obrigado a apurar o papel de todos os que eram responsáveis por garantir a segurança da criança. Fugir para o estrangeiro não elimina a responsabilidade. Nenhum país e nenhuma fronteira devem tornar-se um meio para escapar à justiça", escreveu Ruslan Kravchenko.
"Gostaria também de recordar que a acusação contra o treinador do acampamento, acusado de deixar a criança em perigo, já se encontra em tribunal para julgamento. Este caso continua sob a minha supervisão pessoal. Para a família do rapaz, a justiça já chega com anos de atraso. É nosso dever fazer tudo o que for possível para garantir que ela seja feita", acrescentou o procurador-geral da Ucrânia.
Durante o acampamento, o treinador levou as crianças para nadar num lago com 9 metros de profundidade e deixou-as sem a supervisão de um adulto. Ivan Goncharuk, de 10 anos, não sabia nadar e afogou-se. Os pais da criança ligaram repetidamente para a administração do acampamento logo no dia do acontecimento, mas as suas ligações foram ignoradas e acabaram por saber da morte do filho pela polícia. Segundo a investigação, o treinador em questão já tinha sido acusado de abandono anteriormente.
Maria Krivopishina é filha de Oleksiy Krivopishin, antigo chefe dos Caminhos de Ferro do Sudoeste da Ucrânia, que em 2019 foi acusado de desviar mais de 50 milhões de hryvnias (cerca de 1 milhão de euros).
