“Acho que fiz até um bom combate diante de todos, nessa minha terceira prova de regresso. Mas custa um bocado perder assim. Ali foi algo que a gente realmente tinha treinado. Nem foi um erro, foi um acerto dela”, explicou à agência Lusa a judoca, que compete em +78 kg.
Rochele Nunes perdeu no golden score (prolongamento) do seu primeiro combate, diante da estónia Emma Aktas, uma judoca de 18 anos que foi quinta nos Mundiais do último ano e que também eliminou a campeoníssima francesa Romane Dicko (cinco títulos).
“Ela é uma atleta nova, não tão experiente como eu, mas tem tido resultados bons. Tanto que avançou hoje também na prova, perdeu a meia-final. Foi quinta no Campeonato do Mundo, acho, no ano passado. Sabia que não seria uma adversária fácil. Mas fico um bocado triste e chateada perante a minha missão. Porque é sempre chegar aqui e disputar medalhas e estar no pódio”, defendeu.
A judoca do Benfica acrescentou que está numa “nova etapa” da carreira, “num novo ponto de partida”, mas que há tempo para lutar pelo apuramento olímpico para Los Angeles-2028, que ainda não começou, e com a vontade de “avançar mais nas provas”.
Diogo Brites também caiu diante do estónio Karl Turk, e o seu adversário protagonizou, igualmente, uma das surpresas do dia, ao eliminar na ronda seguinte o primeiro cabeça de série, o neerlandês Jur Spijkers.
“A realidade é que não foi uma participação boa. Perdi no primeiro combate. Isso é sempre... é mau. A verdade é que é mau. Ele esteve melhor do que eu. Mesmo que tivesse perdido nos quartos, para mim também seria mau. Porque o objetivo é... vimos sempre para as medalhas, não é?”, disse no final o judoca.
Brites esteve na sua quarta competição internacional na categoria de +100 kg, para a qual subiu há cerca de meio ano, e, diante de Turk, perdeu no último dos quatro minutos, com uma desvantagem de waza-ari, após uma imobilização.
“Esta foi a minha terceira ou quarta prova oficial de circuito, a +100 kg. Duas correram bem. As outras duas, o nível maior, mais exigência. Não tive resultados tão bons, não cheguei à medalha. Isto é sempre experiência. Acho que é sempre isto. É sempre experiência, mas o objetivo é sempre ser melhor”, referiu.
Desde 2016, é a primeira vez que Portugal não sobe ao pódio em Europeus, depois de ter conquistado medalhas consecutivas em nove edições, pelas já retiradas Joana Ramos e Telma Monteiro, mas também por Jorge Fonseca, Patrícia Sampaio, Catarina Costa, João Crisóstomo, Rochele Nunes e Bárbara Timo.
Em Tblissi, com exceção das olímpicas Rochele e Timo, a seleção portuguesa apresentou-se muito desfalcada, em especial perante as ausências de Patrícia Sampaio (-78 kg), campeã europeia em título, e de Catarina Costa (-48 kg), vice-campeã.
Sampaio, medalha de bronze olímpica em Paris-2024, sofreu em fevereiro uma rotura ligamentar num joelho, e Catarina Costa, que tem quatro medalhas em Europeus, três das quais de prata, recupera de uma cirurgia ao cotovelo.
Outro grande ausente, por lesão, foi Jorge Fonseca (-100 kg), bronze olímpico em Tóquio-2020 e bicampeão mundial em 2019 e 2021, bem como os olímpicos Taís Pina (-70 kg), lesionada numa mão, e João Fernando (-81 kg).
