Europeus de Judo: Rochele Nunes frustrada com adeus prematuro no golden score

Rochele Nunes voltou à competição após maternidade
Rochele Nunes voltou à competição após maternidadeJACK GUEZ / AFP

A judoca portuguesa Rochele Nunes disse este domingo custar perder da maneira que foi, no regresso aos Europeus, em Tblissi, depois de ter sido mãe há quase um ano, numa competição em que foi eliminada no combate de estreia.

Acho que fiz até um bom combate diante de todos, nessa minha terceira prova de regresso. Mas custa um bocado perder assim. Ali foi algo que a gente realmente tinha treinado. Nem foi um erro, foi um acerto dela”, explicou à agência Lusa a judoca, que compete em +78 kg.

Rochele Nunes perdeu no golden score (prolongamento) do seu primeiro combate, diante da estónia Emma Aktas, uma judoca de 18 anos que foi quinta nos Mundiais do último ano e que também eliminou a campeoníssima francesa Romane Dicko (cinco títulos).

Ela é uma atleta nova, não tão experiente como eu, mas tem tido resultados bons. Tanto que avançou hoje também na prova, perdeu a meia-final. Foi quinta no Campeonato do Mundo, acho, no ano passado. Sabia que não seria uma adversária fácil. Mas fico um bocado triste e chateada perante a minha missão. Porque é sempre chegar aqui e disputar medalhas e estar no pódio”, defendeu.

A judoca do Benfica acrescentou que está numa “nova etapa” da carreira, “num novo ponto de partida”, mas que há tempo para lutar pelo apuramento olímpico para Los Angeles-2028, que ainda não começou, e com a vontade de “avançar mais nas provas”.

Diogo Brites também caiu diante do estónio Karl Turk, e o seu adversário protagonizou, igualmente, uma das surpresas do dia, ao eliminar na ronda seguinte o primeiro cabeça de série, o neerlandês Jur Spijkers.

A realidade é que não foi uma participação boa. Perdi no primeiro combate. Isso é sempre... é mau. A verdade é que é mau. Ele esteve melhor do que eu. Mesmo que tivesse perdido nos quartos, para mim também seria mau. Porque o objetivo é... vimos sempre para as medalhas, não é?”, disse no final o judoca.

Brites esteve na sua quarta competição internacional na categoria de +100 kg, para a qual subiu há cerca de meio ano, e, diante de Turk, perdeu no último dos quatro minutos, com uma desvantagem de waza-ari, após uma imobilização.

Esta foi a minha terceira ou quarta prova oficial de circuito, a +100 kg. Duas correram bem. As outras duas, o nível maior, mais exigência. Não tive resultados tão bons, não cheguei à medalha. Isto é sempre experiência. Acho que é sempre isto. É sempre experiência, mas o objetivo é sempre ser melhor”, referiu.

Desde 2016, é a primeira vez que Portugal não sobe ao pódio em Europeus, depois de ter conquistado medalhas consecutivas em nove edições, pelas já retiradas Joana Ramos e Telma Monteiro, mas também por Jorge Fonseca, Patrícia Sampaio, Catarina Costa, João Crisóstomo, Rochele Nunes e Bárbara Timo.

Em Tblissi, com exceção das olímpicas Rochele e Timo, a seleção portuguesa apresentou-se muito desfalcada, em especial perante as ausências de Patrícia Sampaio (-78 kg), campeã europeia em título, e de Catarina Costa (-48 kg), vice-campeã.

Sampaio, medalha de bronze olímpica em Paris-2024, sofreu em fevereiro uma rotura ligamentar num joelho, e Catarina Costa, que tem quatro medalhas em Europeus, três das quais de prata, recupera de uma cirurgia ao cotovelo.

Outro grande ausente, por lesão, foi Jorge Fonseca (-100 kg), bronze olímpico em Tóquio-2020 e bicampeão mundial em 2019 e 2021, bem como os olímpicos Taís Pina (-70 kg), lesionada numa mão, e João Fernando (-81 kg).