Na véspera de entrar em cena, naquele que será o sexto Europeu da carreira ao serviço de Portugal, pelo qual compete desde 2019, a judoca, nascida no Brasil, quer aproveitar a experiência para subir degraus e os Europeus são mais uma etapa no percurso.
“A parte da minha volta custou-me um pouco mais do que esperava, a minha expectativa era muito alta, achava que ia realmente chegar e ganhar na primeira prova, não aconteceu, nem na segunda. Mas, acho que a minha preparação começou a ser um pouco diferente, quando percebi que precisava dar um passo para trás. Acho que o fato da maternidade foi ok, mas o mais difícil foi a idade, o meu corpo já não recupera tão rápido quanto antes, então isso fez-me trabalhar com um pouco mais de qualidade”, disse a judoca à agência Lusa.
Rochele Nunes comentava os recentes desempenhos, sem resultados, no Grand Prémio da Áustria e no Grand Slam de Tblissi, mas o regresso à Geórgia para os Europeus, uma competição que diz admirar, fez-lhe apostar num trabalho de maior qualidade. Na estreia no domingo, na segunda ronda dos +78 kg, ao 22.º combate no tatami 2, Rochele Nunes vai lutar com a estónia Emma-Melis Aktas, de 18 anos, uma jovem com quem treinou no recente estágio em Tatas, na Hungria.
“Não me recordo muito do treino com ela, acho que é um lado bom, porque se ela me tivesse batido tinha-me lembrado com certeza, então acho que eu fiz um treino bom, sei que ela é uma menina nova, que está a crescer muito, foi quinta no campeonato do mundo”, assinalou Rochele Nunes.
Aktas tem tido uma evolução rápida e este ano foi medalha de bronze no Grande Prémio da Áustria, depois de no último ano ter resultados significativos em juniores, mas também no Grande Prémio de Lima, com uma medalha de prata, e no Mundial de Budapeste, em seniores.
Mais lusos em cena
Além de Rochele Nunes, a seleção portuguesa fecha no domingo a participação com Diogo Brites, judoca do peso mais pesado, que entrou na convocatória para Tblissi depois de ter sido bronze no Open Europeu de Sófia, em janeiro.
“O objetivo agora é ganhar o maior número de combates possível, acumular pontos e surpreender-me em cada prova”, disse o judoca à Agência Lusa e quando ainda tem o objetivo de subir no ranking, a pensar nos Jogos de Los Angeles-2028.
Diogo Brites, que competiu em 2021 nos Europeus em Lisboa, terá a sua estreia em Tblissi diante de Karl Turk, judoca estónio que é 69.º do mundo, um pouco à frente do português, o último inscrito na categoria, na 110.ª posição.
"É um bom primeiro combate, na ronda seguinte, se vencer, apanho o número um da prova, mas isso não faz com que fique nervoso ou stressado", comentou ainda o judoca.
A participação lusa nos Europeus teve início na quinta-feira, com a seleção a contar desde então com nonos lugares de Miguel Gago (-66 kg), Otari Kvantidze (-73 kg) e Bárbara Timo (-70 kg), todos com uma vitória e uma derrota, enquanto Maria Siderot (-52 kg) e Bernardo Tralhão (-60 kg) perderam nos combates de estreia.
