Acompanhe o Benfica no Flashscore
Aos 26 anos, o central, que também pode atuar como lateral-esquerdo, é um dos elementos mais antigos da formação da Luz. Com contrato renovado, até 2028, o internacional espanhol não deixou nenhuma pergunta por responder e nesta entrevista que concedeu ao Flashscore falou sobre o início da era Anders Hallberg, elogiou as contratações que foram feitas e prometeu uma águia mais consistente que tentará conquistar todos os títulos que estão em jogo, entre os quais o campeonato nacional que foge desde 2007/08.

"As novas caras já perceberam a dimensão do clube"
- Gostava que começasse por fazer um balanço deste início de época. A temporada arrancou há pouco tempo, há um novo treinador e novas ideias. Como tem corrido esta primeira semana de trabalho?
Iniciámos esta nova época com grande entusiasmo e muita motivação. Já trabalhamos há mais de uma semana e nota-se que todo o grupo está focado e empenhado em preparar da melhor forma o arranque da temporada, sobretudo o jogo da Supertaça.
O objetivo passa por construir uma equipa forte e competitiva, capaz de honrar a história e a exigência do Benfica. Queremos lutar pelos títulos e ser competitivos em todas as competições em que participarmos.
As novas caras têm-se integrado muito bem e já perceberam a dimensão do clube, a responsabilidade de representar o Benfica e aquilo que significa vestir esta camisola. Acredito que temos todas as condições para fazer uma grande época.
- O que é que os adeptos podem esperar desta equipa? O treinador falou, na apresentação, de um andebol mais rápido e mais vertical. O que é que vai mudar neste Benfica?
Queremos ser uma equipa mais rápida, dinâmica e vertical, exatamente como o treinador pretende. O plantel foi construído com jogadores de características diferentes, o que nos permite ter mais soluções e tornar a equipa mais completa.
O objetivo é chegar aos jogos do campeonato e da Liga Europeia no melhor nível possível, impondo a nossa identidade e praticando um andebol ofensivo, intenso e competitivo. Acredito que os adeptos vão encontrar uma equipa diferente daquela que viram nas últimas épocas.
- Como tem sido trabalhar com o novo treinador Anders Hallberg? O que é que ele vos tem pedido?
Há aspetos que pertencem apenas ao balneário e devem ficar entre nós. Aquilo que se viu nos primeiros dias foi apenas uma pequena brincadeira relacionada com o grito que fazemos antes e depois dos treinos.
Como sou um dos jogadores com mais tempo de casa, juntamente com o Alexis, procurámos explicar aos novos colegas algumas das tradições da equipa e ajudá-los a integrar-se o mais rapidamente possível. Isso também faz parte do nosso papel dentro do grupo.
- Esta será a sua quinta época no Benfica e é um dos jogadores mais antigos do plantel. Houve novamente muitas mudanças na equipa. O que é que se pode esperar deste novo ciclo?
É verdade que o plantel sofreu muitas alterações e vamos precisar de algum tempo para assimilar as novas ideias e encontrar a nossa melhor versão. Ainda assim, estamos a trabalhar muito bem e existe uma grande confiança dentro do grupo.
Todos temos muita vontade de voltar ao pavilhão, encontrar as bancadas cheias e sentir novamente o apoio dos adeptos. Não tenho dúvidas de que estarão em força na Supertaça e vamos dar tudo para conquistar esse primeiro troféu da temporada.
- Na final da Taça de Portugal, o Sporting venceu apenas no prolongamento num encontro muito equilibrado. Que Benfica podemos esperar na Supertaça?
Talvez muitas pessoas não esperassem um jogo tão equilibrado, mas a verdade é que as duas semanas de preparação que antecederam essa final foram muito positivas. Fizemos um excelente trabalho e, apesar de não termos conquistado o troféu, fiquei satisfeito com a resposta da equipa.
Essa é a imagem que queremos transmitir: uma equipa capaz de discutir os jogos até ao fim, lutar pela vitória e manter-se competitiva perante qualquer adversário. Queremos ser melhores do que fomos no passado e apresentar uma versão mais consistente.
- O Benfica é candidato ao título?
Sabemos que conquistar o campeonato será muito difícil, mas a nossa obrigação é dar o máximo para tentar vencer todas as competições: o campeonato, a Taça de Portugal, a Supertaça e a Liga Europeia.
Temos consciência da qualidade das equipas que vamos encontrar, mas estamos concentrados no nosso trabalho. Caso consigamos atingir o nosso melhor nível, acredito que teremos condições para lutar pelos títulos.

"Teremos de trabalhar ainda mais para construir o Benfica que pretendemos"
- O que pensa do Sporting, do FC Porto e das restantes equipas do campeonato? O que tem faltado ao Benfica para alcançar maior consistência?
Não é novidade para ninguém que o Sporting atravessa um excelente momento. Tem realizado grandes jogos na Liga dos Campeões e terminou a última edição do campeonato sem derrotas.
O FC Porto também sofreu várias alterações no plantel, mas continua a apresentar-se a um nível elevado e conseguiu fazer um bom percurso na Liga Europeia.
O campeonato português está cada vez mais competitivo. Equipas como o Águas Santas, ABC, Marítimo e Belenenses têm vindo a evoluir e a trabalhar cada vez melhor. Nenhum jogo será fácil e, por isso, teremos de trabalhar ainda mais para construir o Benfica que pretendemos.
- O Benfica venceu a Liga Europeia de andebol na época 2021/22. Sonham voltar a chegar tão longe na competição?
Essa conquista foi um momento inesquecível para todos. São épocas especiais, daquelas que não acontecem muitas vezes, mas servem também para mostrar que é possível alcançar esse nível.
Entramos sempre na Liga Europeia com enorme ambição, conscientes de que vamos enfrentar adversários muito fortes. Ainda assim, acreditamos que, se conseguirmos colocar em prática a identidade que o treinador pretende e apresentarmos o nosso melhor andebol, poderemos fazer um percurso muito positivo. Falar já em conquistar novamente a competição seria precipitado, mas temos a ambição de chegar o mais longe possível.
- O Benfica não conquista o campeonato desde 2007/08. Esse peso sente-se dentro do grupo?
Sabemos há quanto tempo o Benfica não vence o campeonato, mas não faz sentido vivermos agarrados ao passado. A nossa responsabilidade é olhar para a frente e concentrarmo-nos apenas nesta temporada.
Cada época representa uma nova oportunidade. O plantel mudou bastante, chegaram jogadores com qualidade e experiência, e todos partilhamos o mesmo objetivo: devolver ao Benfica um título que os adeptos esperam há muitos anos.

- Vai iniciar a quinta época no Benfica e renovou recentemente contrato. O que representa esse voto de confiança?
Antes de mais, sinto-me muito grato ao Benfica por continuar a acreditar em mim e no meu trabalho. Renovar contrato é um sinal claro de confiança e isso deixa-me muito feliz. Desde que cheguei, apenas eu e o Alexis permanecemos no plantel, mas essa é a realidade do desporto. Uns jogadores saem, outros entram, e cabe-nos manter viva a identidade do Benfica.
Da minha parte, quero continuar a evoluir, adaptar-me às novas ideias do treinador e dar sempre o máximo para ajudar a equipa a alcançar os seus objetivos.
- Prefere jogar como lateral esquerdo ou como central?
Sinto-me confortável nas duas posições. Tudo depende das necessidades da equipa e daquilo que o treinador pedir. Se for preciso jogar a central, estarei preparado para assumir essa função. Se a equipa precisar de mim como lateral esquerdo, também darei a melhor resposta. O mais importante é contribuir para o sucesso coletivo.
- Em que aspetos considera que ainda pode evoluir?
Acho que ainda tenho muito para melhorar. Apesar da experiência que já acumulei, continuo a sentir que posso evoluir em vários aspetos do meu jogo. Quero tornar-me mais forte defensivamente, crescer no ataque, melhorar a ligação com o pivô, marcar mais golos, fazer mais assistências e continuar a evoluir em todas as áreas. O objetivo é ser um jogador cada vez mais completo.

"A melhor forma de trazer mais pessoas ao pavilhão é ganhar"
- Tem apelado várias vezes ao apoio dos adeptos. O que pode ser feito para que o pavilhão esteja mais cheio ao longo da época e não apenas nos jogos decisivos?
A melhor forma de trazer mais pessoas ao pavilhão é ganhar. Os adeptos querem ver a equipa vencer e disputar títulos. Cabe-nos conseguir bons resultados, continuar a avançar na Liga Europeia e no campeonato e mostrar que estamos preparados para lutar pelos nossos objetivos.
Quando os adeptos acreditam na equipa e enchem o pavilhão, fazem a diferença. Todas as equipas precisam desse apoio para alcançar o seu melhor nível e nós não somos exceção.
- Nesta primeira semana de trabalho, houve algum reforço ou jogador mais jovem que o tenha surpreendido?
Todos têm deixado uma boa impressão, por isso seria injusto destacar apenas um. Ainda assim, gostei muito daquilo que vi do Thulin. É um guarda-redes muito experiente, com excelentes características físicas, muito rápido e extremamente inteligente entre os postes. Acredito que vai surpreender muitos adeptos ao longo da época.
- Tem já 19 internacionalizações pela seleção espanhola. Sonha voltar a representar Espanha?
Sem dúvida. Desde que saí de Pamplona, nunca escondi que um dos meus grandes objetivos é regressar à seleção. Representar o nosso país é sempre um enorme orgulho. Sei que existe uma concorrência muito forte na minha posição, mas isso apenas me motiva a trabalhar ainda mais. Quero voltar a merecer uma convocatória e disputar grandes competições internacionais.
As referências e o português: "Quero continuar a evoluir"
- Quem são as suas principais referências no andebol?
Talvez não sejam nomes muito conhecidos do grande público, mas uma das pessoas que mais me marcou foi Carlos Chocarro, o meu primeiro capitão no Anaitasuna. Era um líder extraordinário dentro do balneário e ajudou-me muito quando ainda era muito jovem e estava a dar os primeiros passos no andebol profissional. Mantemos uma excelente relação e, sempre que volto a casa, faço questão de estar com ele. Continua a ser uma referência para mim.
- E quais foram os melhores jogadores com quem já partilhou balneário?
Tive a felicidade de jogar com grandes atletas. Na seleção espanhola, destaco Eduardo Gurbindo, que também é da minha terra. Aprendi muito com ele, sobretudo pela inteligência com que interpretava o jogo, tanto com bola como sem bola.
No Benfica, recordo com enorme admiração Jonas Källman. Mesmo já com mais de 40 anos, era dos jogadores que melhor treinava, nunca se queixava e estava sempre disponível para ajudar os colegas. Foi um exemplo de profissionalismo e uma pessoa que me marcou bastante.
- Como aprendeu português?
Ainda tenho muito para melhorar, mas acho que já me consigo fazer entender. Agora até vai ser um desafio diferente, porque há menos jogadores portugueses no balneário e vou ter de praticar mais o inglês. Passei bastante tempo a aprender português e quero continuar a evoluir.

"Sempre defendi que uma equipa portuguesa deve ter jogadores portugueses"
- Como foi trabalhar com Jota González? O que acha que faltou para conquistar títulos no Benfica?
Foi pena não termos conseguido oferecer-lhe a Taça de Portugal na despedida. Teria sido a melhor forma de reconhecer o trabalho que desenvolveu. O Jota é um treinador com um enorme conhecimento de andebol e ideias muito interessantes. Nem sempre foi possível colocar tudo em prática, mas isso faz parte do desporto. Tenho a certeza de que continuará a ter sucesso, como já demonstrou ao longo da carreira e, mais recentemente, ao serviço da seleção da Polónia.
- O Benfica conta este ano com um núcleo importante de jogadores portugueses, muitos deles formados no clube. Como tem sido a integração desse grupo?
A integração tem sido muito natural. Sempre defendi que uma equipa portuguesa deve ter jogadores portugueses e, sobretudo, atletas formados no próprio clube. Eles conhecem o Benfica melhor do que ninguém, sabem o que representa vestir esta camisola e chegam preparados para assumir essa responsabilidade.
Além disso, têm muita qualidade e um enorme potencial de crescimento. O João Bandeira e o Afonso Mendes, por exemplo, evoluíram durante os empréstimos em Espanha e regressaram muito mais preparados. Estão no plantel por mérito próprio e acredito que terão muitas oportunidades para mostrar o seu valor ao longo da época.
- E qual tem sido o seu papel enquanto um dos jogadores mais experientes do plantel?
Quanto ao meu papel, procuro ajudar todos os que chegam, sobretudo os mais jovens. Também fui um jogador novo um dia e sei a importância de encontrar um balneário que acolha bem quem entra. Se puder facilitar essa adaptação, fá-lo-ei sempre.
- Se pudesse contratar três jogadores para reforçar o Benfica, quem escolheria?
Felizmente essa decisão não depende de mim. Mas, se pudesse escolher alguns jogadores com quem gostava de jogar, começaria pelo Mathias Gidsel, que considero o melhor jogador do mundo na atualidade.
Também gostava de voltar a jogar com o Sergey (Hernández), que deixou uma marca muito importante no Benfica. E, por fim, escolhia o Carlos Chocarro. Já não joga, é verdade, mas foi um capitão extraordinário e uma referência dentro do balneário. Ter alguém com a liderança dele seria sempre uma mais-valia.
- E se pudesse escolher o seu sete ideal?
Na baliza escolhia o Sergey Hernández, na ponta direita ficava com o Afonso Mendes, na lateral direita escolhia o Mathias Gidsel. Ao centro optava pelo Lazar Kukić, na lateral esquerda escolhia o Simon Pytlick, como pivô o Ludovic Fàbregas e na ponta esquerda o Ian Barrufet.
- Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos adeptos do Benfica para esta nova temporada?
Quero pedir aos adeptos que acreditem neste projeto. É verdade que o plantel sofreu muitas alterações e que vamos precisar de algum tempo para atingir o nosso melhor nível. Há um novo treinador, novas ideias e uma equipa bastante renovada, mas a ambição e a exigência continuam exatamente as mesmas.
Tenho a certeza de que esta será uma época diferente. Vamos trabalhar diariamente para atingir os nossos objetivos e dar tudo em campo para recolocar o Benfica onde merece estar. O apoio dos adeptos será fundamental e espero que estejam connosco desde o primeiro jogo até ao último.

