Ana Dias, avançada de 28 anos, jogou no futebol russo, norte-americano, mexicano e turco e sente-se agora uma jogadora muito diferente daquela que deixou o Amora em 2020/2021.Em entrevista ao site do Sporting, deu conta das sensações nas primeiras semanas de leão ao peito e dos objectivos que tem, destacando que se foca mais no colectivo.
Falar com a comunicação social: "Não é algo que adore, até evito (risos), mas já sei que aqui vou ter de falar algumas vezes e está tudo bem."
Prefere treinar e jogar? "Exactamente e foi para isso que fui contratada (risos)."
Primeiras semanas de trabalho: "Estão a correr muito bem. A exigência está mesmo lá em cima, num nível muito alto, mas estamos todas a trabalhar muito bem e a adaptação está a correr super bem. Para mim está a ser a adaptação mais fácil de todas. Claro que é o meu país, não há entraves na língua ou na cultura, mas digo em termos de equipa. Fui mesmo muito bem recebida e acolhida na equipa, está toda a gente a ser impecável comigo e todos se têm mostrado disponíveis para me ajudar em tudo."
Há alguma coisa que a tenha surpreendido? "A união, talvez. O grupo está mesmo muito unido desde o início e isso é óptimo. E quando falo do grupo, falo das jogadoras e de todo o staff. Está a ser muito bom e essa, se calhar, foi a coisa que mais me surpreendeu até agora."
Estágio no Algarve: "Está a correr muito bem. É um momento diferente e que serve para criarmos ligações entre nós, mas, acima de tudo, para trabalharmos de forma intensa e é isso que temos feito. Sabemos perfeitamente a época que nos espera e, por isso, o trabalho está a ser muito e muito exigente. Faço um balanço muito positivo até porque vejo que estamos todas muito comprometidas, motivadas e a responder da melhor maneira com vista ao que aí vem."
Momento físico e mental individualmente: "Fisicamente estou super cansada (risos), mas acho que isso é um ótimo sinal. E, mentalmente, estou muito bem, confiante, motivada, com muita vontade de continuar a trabalhar assim, muita vontade de acrescentar e de continuar a crescer."
Já está entrosada com a equipa e com as ideias do treinador? "Sim. Claro que isso é algo que acontece aos poucos, que leva o seu tempo e que vai lá com mais trabalho em conjunto, mas diria que sim. Estou no bom caminho."
Micael Sequeira: "Está a ser bom, ele é muito exigente e muito perfecionista. Tem as ideias muito bem definidas, é rigoroso nisso e nós temos tentado responder da melhor maneira até porque acreditamos muito no que ele quer."
Marcou no jogo com o Torreense: "É sempre importante ir somando minutos e, no meu caso, marcar. Espero que tenha sido o primeiro de muitos golos porque é para isso que estou a trabalhar. Foi um bom teste para mim e para todas nós."
Experiência no estrangeiro: "Acho que me vai ajudar muito e já ajuda, por exemplo, na forma como encaro as coisas. Ter jogado noutros países e noutros contextos deu-me a capacidade de encarar tudo com maior positivismo, assim como me deu uma mentalidade mais competitiva, a capacidade de jogar ou de me adaptar a diferentes estilos e momentos de jogo."
Quais as diferenças entre a Ana Dias que deixou Portugal em 2020 e a que regressou em 2026? "São muitas, a começar na idade. Saí daqui com 22 ou 23 anos e cresci muito nos últimos anos. Cresci como pessoa e como jogadora, não sou a mesma que era há seis anos, sinto que evoluí de forma drástica e, olhando para trás, sinto que estou mesmo na minha melhor versão."
Desenvolvimento do futebol feminino em Portugal: "Para ser sincera, não acompanhei ao pormenor, mas acompanhei a evolução no geral. Há mais equipas, equipas mais profissionais, mais jogadoras de fora, físicos diferentes e até vídeo-árbitro – o que não acontece em todos os campeonatos, acontece em poucos até. É ótimo ter havido tanta evolução, mas é preciso continuar a investir nas melhorias porque, acredito mesmo, a nossa Liga tem potencial para se tornar numa das melhores."
Isso também motivou a sua escolha pelo Sporting? "Na realidade, bastou ser o Sporting. Da mesma forma que saí, e senti na altura que era o momento certo, também sabia que um dia queria regressar, mas teria de ser para um grande clube e isso, felizmente, aconteceu."
Liga, Taça da Liga e Taça de Portugal: o que espera das competições nacionais esta temporada? "Dado o que já falámos, e falando em particular da Liga BPI, espero-a mais equilibrada. Em termos de competitividade está melhor - quando eu saí o Sporting e o Benfica ganhavam muitas vezes por goleada e isso já não acontece tanto -, mas espero e acredito que este ano seja ainda mais equilibrada. Espero por jogos mais difíceis e todos quase como se fossem uma final.
Quais são os objetivos do Sporting? "Ganhar todos os jogos para assim conseguirmos também ganhar tudo o que há para ganhar."
E os da Ana Dias? "Sinceramente, não sou de objetivos individuais. Acima de mim, está o coletivo e é por esses objetivos que gosto de trabalhar, não colocando pressão de jogos para fazer ou golos para marcar. Quero é trabalhar e estar a 100 por cento para quando for chamada ajudar ao máximo o Sporting."
PERGUNTAS RÁPIDAS
Maior ídolo no futebol? "No futebol não tenho. O meu ídolo é a minha mãe, por tudo o que ela é."
Como começou a jogar futebol? "Por influência da família - pai e mãe ligados ao futsal - e porque era muito enérgica."
Modalidade que mais gosta para além do futebol? "Voleibol, que também joguei."
Tem algum talento escondido? "Não, mas conta tocar com a língua na ponta do nariz? (risos)."
Artista musical favorito? "Sara Correia."
Filmes ou Séries? "Séries. Prison Breack, por exemplo."
Férias de sonho? "Diria na Grécia."
Uma palavra para descrever as primeiras semanas de Sporting? "Trabalho. Exigência. Compromisso. Tantas, não sei. Mas isso é o que estou a sentir agora e o que sinto, de uma forma geral, sempre."
