Mundial-2026: Estádios da NFL transformam bancadas, relvado e logótipo

Bancadas, relvado, logótipo: os estádios da NFL transformam-se para o Mundial de futebol
Bancadas, relvado, logótipo: os estádios da NFL transformam-se para o Mundial de futebolREUTERS

Bancadas, relvado, logótipos: os estádios que normalmente recebem a NFL precisaram de vários meses para se renovarem e cumprirem as normas da FIFA para o Mundial-2026.

Como o campo de "soccer" é maior do que o de futebol americano, vários dos 11 estádios escolhidos nos Estados Unidos tiveram de desmontar parte das suas bancadas: nas primeiras filas ou nos cantos.

No Lincoln Financial Field (69.000 lugares) de Filadélfia, custou "vários milhões de dólares" para demolir as bancadas de betão e substituí-las por estruturas metálicas, explica à AFP Frank Gummieny, diretor de operações dos Eagles, a franquia local da NFL.

"Foram instaladas no ano passado, para o Mundial de Clubes. Agora, basta cerca de uma semana para as mover para dentro ou para fora", refere.

No SoFi Stadium de Los Angeles (70.000 lugares), foram retirados 100 assentos em cada canto para adaptar o relvado à regulamentação.

A entidade mundial pretendia inicialmente campos com 80 metros de largura, mas nenhum dos estádios conseguia atingir essa medida, segundo Otto Benedict, vice-presidente de operações da empresa que gere o estádio, inaugurado em 2020. De acordo com a imprensa local, o relvado do SoFi mede 105m por 68m, como todos os estádios nos Estados Unidos para o Mundial-2026.

"Acredito que houve uma excelente colaboração connosco e com os estádios da NFL para perceber até onde se podia ir", acrescenta Otto Benedict.

Estádios climatizados

O SoFi Stadium retirou ainda duas filas adicionais de assentos em dois dos cantos para criar mais espaço. "Queriam pelo menos três metros, e conseguimos chegar aos cinco metros... Quem ficar num canto terá um lugar incrível", muito perto do relvado, destaca o responsável.

Outro desafio foi substituir os relvados sintéticos por relvados naturais ou híbridos resistentes ao calor e à humidade, ou, pelo contrário, ao frescor dos estádios climatizados.

Em Houston, no NRG Stadium – rebatizado como "Estádio de Houston" para o Mundial –, foram reativados os sistemas de rega subterrâneos instalados durante a construção. O comité organizador trouxe dos Países Baixos um condicionador mineral de alto rendimento para favorecer o crescimento do relvado.

Além disso, sendo um estádio climatizado, o teto permanecerá fechado para proteger os adeptos e os jogadores da vaga de calor (cerca de 40°C) prevista para o verão.

"É um relvado de clima frio que vem de Denver", no Colorado, explica à AFP Hussain Naqi, diretor-geral do NRG Park, o complexo onde se encontra o estádio que vai receber cinco jogos.

No AT&T Stadium de Arlington, perto de Dallas, também climatizado e o maior da competição (94.000 lugares), uma luz violeta estimula o crescimento do relvado recém-instalado. São 18 longos braços metálicos com lâmpadas, ligados à estrutura superior do estádio.

Wembley como modelo

O diretor-geral do estádio, Tod Martin, visitou os estádios de Wembley e do Tottenham, em Londres, que dispõem de sistemas semelhantes. Este sistema "fornece toda a luz necessária para que o relvado cresça e se desenvolva de forma ideal", explica à AFP. O Estádio de Dallas vai receber nove jogos, incluindo uma meia-final a 14 de julho.

Em Miami, o processo foi mais simples. O Hard Rock Stadium (65.000 lugares) já tem relvado híbrido e o campo dos Dolphins é suficientemente grande para o futebol. O estádio será palco de sete jogos, incluindo o encontro de atribuição do terceiro lugar.

Os estádios também tiveram de retirar toda a sinalização com os nomes dos patrocinadores tradicionais, que serão substituídos pelos da FIFA durante o Mundial, e até mesmo o nome do estádio em alguns casos, incluindo nos bares e restaurantes.

"É realmente uma tarefa monumental. Para onde quer que olhes, de repente deparas-te com um novo nome ou com algo que é preciso tapar", explica Otto Benedict, do SoFi Stadium de LA.

Em Houston, as operações para cobrir o enorme logótipo "NRG" situado na extremidade do teto custaram... um milhão de dólares, segundo a imprensa local. Só Atlanta conseguiu manter o nome "Mercedes Benz Stadium". Os responsáveis consideraram que remover ou tapar o enorme logótipo do fabricante alemão danificaria o teto retrátil do estádio.