NFL: As maiores surpresas e desilusões do draft de 2026

O quarterback Diego Pavia foi uma das deceções
O quarterback Diego Pavia foi uma das deceçõesČTK / AP / George Walker IV / Profimedia

O Draft da NFL de 2026 chegou ao fim! Após três dias de avaliações e decisões estratégicas, a ordem das escolhas está completa. Em breve, as estrelas em ascensão vão sentir o fulgor dos holofotes profissionais e tentar o seu lugar no estrelato. Para alguns, o sonho concretizou-se com a chamada telefónica que mudou as suas vidas. O trabalho árduo e a dedicação valeram a pena. Houve alegria e entusiasmo. Para outros, a seleção transformou-se num jogo de espera agridoce.

Os candidatos passaram anos a preparar-se para esta oportunidade, sob o olhar atento de olheiros que os analisaram ao detalhe. As previsões inundaram a internet, mas o draft vive de reviravoltas. Os Las Vegas Raiders abriram as hostilidades ao selecionar o quarterback Fernando Mendoza (Indiana) com a primeira escolha geral — um segredo aberto que deu lugar a uma sucessão de surpresas.

Aqui estão as maiores surpresas e deceções do draft de 2026 da NFL.

Surpresas:

Ty Simpson, QB, Alabama

Os Los Angeles Rams causaram impacto com a 13.ª escolha geral ao escolher Ty Simpson, mas o que roubou a cena foi a reação de Sean McVay. O treinador principal pareceu desapontado e desanimado após a escolha, como se estivesse a viver um pesadelo.

Os Rams chocaram o mundo do futebol americano. Com Matthew Stafford ainda ao leme, esperava-se que a equipa - candidata ao Super Bowl - reforçasse outras posições. A decisão foi controversa: McVay não tinha falado com Simpson durante todo o processo de pré-draft ou no combine.

 É justo dizer que a subida de Simpson nas projeções surpreendeu quase todos, especialmente por ter sido titular apenas uma temporada em Alabama e pelas dúvidas sobre a transição para o nível profissional. No entanto, se há alguém capaz de potenciar um QB, é McVay. Simpson terá tempo para aprender com os melhores.

Carnell Tate, WR, Ohio State

Tate não era o melhor wide receiver disponível no papel, mas os Tennessee Titans viram nele algo especial para o escolher na quarta posição. Apesar de a equipa ter investido fortemente em recetores no ano passado, a direção não hesitou em garantir Tate para fazer dupla com Cam Ward.

No seu último ano em Ohio State, registou 51 receções para 875 jardas e nove touchdowns. A sua velocidade em linha reta impressionou no combine, mas é o seu teto de evolução que entusiasma os adeptos. Na faculdade, mostrou capacidades para se desmarcar contra os melhores defesas do país. Agora, terá que dar o salto para a melhor liga do mundo.

Uar Bernard, DT, Nigéria

Uma das escolhas mais fascinantes de sempre. Na sétima ronda (251.ª escolha), os Philadelphia Eagles selecionaram Uar Bernard. Se procurar o seu perfil universitário, não o encontrará: Bernard nunca jogou futebol americano organizado. Brilhou no acampamento da NFL na Nigéria e entrou no programa International Player Pathway.

Com 1,93m e 138kg, Bernard é um fenómeno físico com apenas 6% de gordura corporal. Correu as 40 jardas em 4,63 segundos — números irreais para o seu tamanho. Terá agora como mentor Jordan Mailata, o australiano que fez o mesmo percurso nos Eagles em 2018. “É como ver Victor Wembanyama jogar. Os números não lhe fazem justiça. Os jogadores da NBA não têm 6% de gordura corporal", disse o treinador de quarterbacks George Whitfield-

Agora, Bernard terá a oportunidade de jogar futebol americano de verdade. E ganhar um papel consistente com os Eagles. "É um sonho que se tornou realidade para mim, porque trabalhei muito para isso. Não joguei futebol americano, mas passei por alguns treinos que me fizeram acreditar que vou melhorar a cada dia", disse Bernard. 

Caleb Banks, DL, Flórida

Banks seria uma escolha óbvia de primeira ronda se estivesse saudável, mas uma lesão no pé limitou-o a apenas três jogos na última época. Quando voltou a lesionar-se no combine, muitos pensaram que a sua cotação cairia a pique. Contudo, os Minnesota Vikings (n.º 18) decidiram arriscar no seu potencial atlético raro. Se recuperar totalmente, o coordenador defensivo dos Vikings, Brian Flores terá um diamante em bruto para a sua defesa.

"Quando se vê um tipo com este tipo de tamanho raro, atletismo raro, é preciso olhar bem para ele. Penso que tem um potencial muito elevado e estou entusiasmado por o ter na nossa equipa, na nossa defesa e no nosso balneário. Ele é inteligente. O futebol americano é importante para ele; ele quer ser um grande companheiro de equipa, por isso sentimo-nos muito confortáveis durante todo o processo e muito entusiasmados por o termos contratado", disse Flores.

Deceções:

Diego Pavia, QB, Vanderbilt

Balões com as cores da escola de Vanderbilt. Um número 2 grande e iluminado no chão, fazendo referência ao número da camisola de Diego Pavia. Uma mesa cheia de chapéus - 32 para ser exato, representando todas as equipas que poderiam ter escolhido o quarterback. No sábado à noite, a triste realidade instalou-se. O telefone não tocou. Ninguém apontou para ele. Então... o que correu mal?

Diego Pavia tornou-se o primeiro finalista do Troféu Heisman a não ser escolhido desde 2014. Apesar de ter levado Vanderbilt a uma época histórica (10-3) e de ter sido o Jogador Ofensivo do Ano da SEC, o seu comportamento fora do campo terá pesado. Pavia é visto por muitos como arrogante e as suas declarações — afirmando que não aceitaria ser suplente — aliadas à sua baixa estatura (1,77 m), afastaram as 32 equipas.

Depois de perder o Troféu Heisman para Fernando Mendoza e ficar em segundo lugar, publicou nas redes sociais uma fotografia a insultar quem votou. Mais tarde, pediu desculpa. 

Tyren Montgomery, WR, John Carroll

A jornada de Tyren Montgomery até ao draft foi notável: trocou o basquetebol pelo futebol americano em 2020, quando estava aborrecido devido à pandemia de COVID-19, e subiu a pulso desde a Divisão III. Embora esperasse ouvir o seu nome nas rondas finais, o recetor não foi recrutado. No entanto, a desilusão foi mitigada rapidamente: assinou como agente livre não recrutado (UDFA) com os Tennessee Titans, mantendo vivo o sonho da NFL.

Rueben Bain Jr., EDGE, Miami

Talvez a maior queda do Draft. Esperado no top-10, Bain caiu até à 15.ª posição, selecionado pelos Tampa Bay Buccaneers. A desilusão na sua voz era evidente. O motivo? Em primeiro lugar, Bain optou por não treinar com as equipas imediatamente antes da seleção e reforçar o seu caso mostrando as suas capacidades. Mas a segunda razão teve provavelmente um papel mais importante: o comprimento dos seus braços.

Ainda assim, Bain quebrou uma barreira histórica, já que equipas da NFL raramente recrutam pass rushers com braços tão curtos. Mas ainda assim provou ser produtivo, ao ajudar Miami na época passada a chegar à final nacional. Financeiramente, esta queda pode custar-lhe cerca de 10 milhões de dólares em salário garantido.

Jermod McCoy, CB, Tennessee

Em 2024, McCoy era um talento de top-20 ao serviço dos Tennessee Volunteers. O cornerback permitiu apenas 31 receções em 62 tentativas, forçando os quarterbacks adversários a tomar decisões precipitadas. Com este tipo de números, voltaria a figurar no top-20 deste draft. No entanto, uma rutura do ligamento cruzado anterior (LCA) retirou-o de toda a temporada de 2025.

"Todos os médicos que me operaram disseram-me que estou bem. Sinto que estou bem, mas se houver algo que eles queiram que eu faça para a longevidade da minha carreira, estou disposto a fazer isso. Vou ouvir a equipa, porque sinto que eles têm os meus melhores interesses. Por isso, honestamente, qualquer que seja o plano da equipa para mim, vou fazê-lo", disse McCoy na conferência de imprensa após o draft.

Embora tenha recuperado a tempo do Pro Day, surgiram relatos de que poderia precisar de uma nova cirurgia para garantir a longevidade da carreira. Os Raiders acabaram por selecioná-lo apenas na quarta ronda (101.ª escolha). Se os problemas físicos ficarem para trás, Las Vegas pode ter garantido a maior pechincha deste draft.