Análise: Fernando Muslera e Luis Suárez, duas gestões distintas de Marcelo Bielsa

Marcelo Bielsa durante uma pausa para hidratação frente à Arábia Saudita
Marcelo Bielsa durante uma pausa para hidratação frente à Arábia SauditaREUTERS/Paul Childs

O Uruguai, apesar de dominar o jogo, não foi além do empate na jornada inaugural frente à Arábia Saudita (1-1). A presença de Fernando Muslera e a ausência de Luis Suárez suscitaram dúvidas no pequeno país.

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O deslize de Espanha frente ao Cabo Verde (0-0) não beneficiou o Uruguai. Apesar da sua grande superioridade, a Celeste empatou com a Arábia Saudita (1-1), tendo até de resgatar o ponto, já que foi necessário um segundo remate de Maxi Araújo, do Sporting, para igualar aos 80 minutos e finalmente bater um Mohammed Al-Owais quase perfeito, num jogo em que a bicampeã mundial rematou 27 vezes e fez 10 remates enquadrados com a baliza.

Na baliza e no ataque, as decisões de Marcelo Bielsa levantaram dúvidas. Após o primeiro jogo, as questões continuam mais vivas do que nunca.

Muslera de regresso após três anos de ausência

Desde um amigável sem grande história frente ao Panamá (5-0) a 11 de junho de 2022, Fernando Muslera não tinha voltado a jogar pelo Uruguai. Nem sequer tinha sido convocado desde o final do último Mundial... até à última data FIFA de março. Frente à Inglaterra (1-1), Marcelo Bielsa apostou no guarda-redes de 40 anos e, após um último teste com Sergio Rochet, o titular no Catar, diante da Argélia (0-0), decidiu confiar no jogador de referência com 134 internacionalizações. Uma confiança inesperada que Muslera não retribuiu totalmente, já que cometeu um erro no golo da Arábia Saudita.

Os números de Fernando Muslera
Os números de Fernando MusleraFlashscore

Apesar dos seus 40 anos, não tem um rival claro, nem um sucessor que tenha encerrado o debate numa posição tão estratégica. Após a eliminação na fase de grupos em 2022, Rochet não deixou um registo suficientemente sólido para manter a titularidade, apesar de ter conseguido três balizas invioladas (Bolívia, Estados Unidos na fase de grupos e depois frente ao Brasil, nos quartos de final). O peso de Muslera foi suficiente para lhe devolver o lugar.

Luis Suárez, o supersuplente que falta?

No ataque, embora Edinson Cavani se tenha despedido da Celeste no último Mundial, Luis Suárez ainda esperava estar presente na América do Norte. Suplente na Copa América 2024, onde o Uruguai terminou em terceiro, o avançado de 39 anos do Inter Miami não conseguiu criar ligação com Marcelo Bielsa. E, no fundo, a carreira do Pistoleiro já ficava para trás. No entanto, o Uruguai iniciou o Mundial com uma dupla atacante formada por Darwin Núñez e Federico Viñas. Ou seja, um jogador que não pode jogar pelo Al Hilal desde a chegada de Karim Benzema e que não compete desde fevereiro, e outro que, apesar de ter marcado nove golos na Liga pelo Oviedo, fê-lo num clube que terminou em 20.º lugar no campeonato.

Por isso, tal como com Muslera, porque não convocar Luis Suárez, que vinha de assinar um hat-trick pelo Inter Miami frente ao Philadelphia e que, em 99 jogos pela equipa norte-americana, soma 48 golos e 30 assistências?

É sabido que a gestão de Bielsa não agradou a Luis Suárez, que o expressou publicamente após a Copa América... antes de pedir desculpa. 

"Nunca diria que não à seleção se precisasse de mim, sobretudo com um Mundial à porta", retificou a 1 de abril passado: "Nesse momento, afastei-me porque sentia que devia dar espaço aos mais jovens. Disse algo que não devia ter dito. Já pedi desculpa a quem de direito".

El Loco não o apontou diretamente, mas apesar de ter recordado o grande papel do avançado na história da Celeste, não quis convocá-lo para um último Mundial.

No fundo, a decisão faz sentido: com 39 anos, Luis Suárez já cumpriu o seu ciclo e não se pode esquecer o Mundial-2022 de Cavani, que foi um fracasso total porque o Matador estava fora de forma e não tinha condições para disputar uma competição deste nível. No entanto, haverá neste momento um avançado charrúa melhor do que ele? Olhando para o rendimento da dupla frente à Arábia Saudita, a ajuda de um suplente como Luis Suárez poderia ter sido útil, nem que fosse apenas para aliviar a pressão sobre os titulares.