Congresso da FIFA em Vancouver arranca sem o Irão - e a presença no Mundial-2026?

Congresso da FIFA poderá tomar este ano decisões de grande alcance para o-Mundial 2026
Congresso da FIFA poderá tomar este ano decisões de grande alcance para o-Mundial 2026MEHMET EMIN MENGUARSLAN / ANADOLU VIA AFP

A primeira viagem futebolística do ano terminou para o Irão logo no aeroporto de Toronto. A delegação liderada pelo presidente da federação, Mehdi Taj, e pelo secretário-geral, Hedayat Mombeini, pretendia participar esta quinta-feira no 76.º Congresso da FIFA, mas, após problemas na entrada no país, regressou de imediato ao portão de embarque para o voo de regresso. Assim, antes mesmo do início, já pairava uma sombra sobre a assembleia geral da comunidade futebolística – e as dúvidas quanto à participação no Mundial continuam a aumentar.

Faltando 42 dias para o arranque do torneio de grande dimensão nos Estados Unidos, México e Canadá, Gianni Infantino, presidente da FIFA, sente cada vez mais pressão relativamente à questão do Irão. Segundo um comunicado da federação iraniana, citado por vários meios de comunicação do país, houve uma "ofensa" por parte de um agente policial à chegada ao aeroporto. Como consequência, a delegação cancelou a sua presença no congresso em Vancouver e iniciou de imediato a viagem de regresso.

O presidente da federação, o secretário-geral e o seu adjunto regressaram à Turquia no primeiro voo disponível "devido ao comportamento inadequado dos funcionários da imigração no aeroporto e à ofensa dirigida a um dos mais respeitados membros das forças armadas iranianas", referiu o comunicado.

De acordo com a imprensa, Taj foi impedido de entrar no país na quarta-feira, apesar de possuir um visto válido.

Posição de Trump sobre participação do Irão é incerta

O presidente da federação, que em dezembro passado não conseguiu obter visto para os Estados Unidos para o sorteio do Mundial, em Washington, tem um passado ligado aos serviços secretos da Guarda Revolucionária iraniana. Desde 2024, o Canadá classifica esta organização como terrorista. A entidade Immigration, Refugees and Citizenship Canada (IRCC) afirmou à AFP que, por questões de privacidade, não pode comentar casos individuais, mas sublinhou: "Membros da Guarda Revolucionária não têm autorização para entrar no Canadá."

Infantino recusou recentemente responder a perguntas sobre a participação do Irão no Mundial, apesar do conflito no Médio Oriente. O poderoso líder da FIFA garantiu que a equipa irá "participar sem qualquer dúvida".

A seleção iraniana qualificou-se desportivamente e irá disputar os seus jogos nos Estados Unidos, conforme planeado. O presidente dos EUA, Donald Trump, alterou várias vezes a sua posição sobre o tema. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou recentemente que os jogadores são bem-vindos nos Estados Unidos.

No entanto, podem existir restrições para acompanhantes com ligações à Guarda Revolucionária iraniana, considerada organização terrorista pelos Estados Unidos e outros países.

"Pode acontecer que não os deixemos entrar, mas isso não se aplica aos jogadores", explicou Rubio. Entre os acompanhantes estará, provavelmente, o próprio presidente da federação, Taj, a quem também foi recusada a entrada no Canadá para o congresso.

Com o Mundial no horizonte, as federações-membro da FIFA esperavam obter respostas de Infantino durante o congresso em Vancouver. É natural, afirmou o presidente da federação alemã, Bernd Neuendorf, à SID, "que, pouco antes do início do Mundial, se revisitem os temas que têm impacto internacional".

E, acima de tudo, permanece – não apenas desde este último incidente – a questão sobre a participação do Irão no Mundial-2026.