Análise: Os números-chave do empate do Atlético de Madrid com o Arsenal na Liga dos Campeões

Eberechi Eze, do Arsenal, durante o jogo frente ao Atletico Madrid
Eberechi Eze, do Arsenal, durante o jogo frente ao Atletico MadridProfimedia

O duelo entre Atlético de Madrid e Arsenal dificilmente teria o mesmo nível de espetáculo da épica meia-final da Liga dos Campeões entre o PSG e o Bayern Munique, mas, tendo em conta o que estava em jogo, a partida prometia, ainda assim, ser bastante interessante de acompanhar.

Recorde as incidências da partida

A equipa de Diego Simeone, que está a 25 pontos do líder da LaLiga, Barcelona, tem agora apenas a Liga dos Campeões como foco, depois de ter sido derrotada na final da Taça do Rei pela Real Sociedad.

Opções de troféus estão a esgotar-se para ambas as equipas

As hipóteses do Arsenal conquistar títulos também estão a diminuir, depois de ter sido eliminado da Taça de Inglaterra pelo Southampton, de ter perdido a final da Taça da Liga frente ao Manchester City e, apesar de liderar a Premier League, os Gunners deverão perder o título caso o City vença todos os jogos que lhe restam.

Na fase de grupos desta edição da competição, os londrinos golearam os Rojiblancos, graças a quatro golos marcados em apenas 14 minutos da segunda parte no Emirates Stadium.

Viktor Gyokeres foi a grande figura desse encontro, ao apontar dois golos, e esse jogo foi a última vez que qualquer equipa nesta edição da prova conseguiu impedir o Atleti de marcar.

Julian Alvarez, jogador que o especialista em transferências do Flashscore, Dean Jones, referiu estar na mira do Arsenal, já tinha nove golos na Liga dos Campeões em 2025/26 antes deste jogo e seria, sem dúvida, um perigo constante para a defesa visitante, caso tivesse oportunidade.

Álvarez em destaque nos primeiros minutos

Diego Simeone fez, de facto, quatro alterações em relação à equipa que eliminou o Barcelona na ronda anterior, lançando Jan Oblak, Marc Pubill, David Hancko e Johnny Cardoso para os lugares de Robin Le Normand, Clement Lenglet, Juan Musso e Nahuel Molina.

Mikel Arteta apenas trocou Eberechi Eze e Cristhian Mosquera por Ben White e Martin Odegaard.

Julián Álvarez foi claramente o mais ativo de todos os jogadores ofensivos na primeira parte, ao somar três remates antes de se completar meia hora de jogo.

O movimento do argentino, a sua leitura de espaços e o conhecimento natural da posição dos colegas criaram inúmeros problemas à defesa dos Gunners nos minutos iniciais, sendo uma das principais razões para Piero Hincapié ter conseguido várias interceções.

Duas formas distintas de jogar

No final da noite, as quatro interceções do defesa representavam quase metade das nove conseguidas por toda a equipa do Arsenal.

Apenas Declan Rice conseguiu igualar o colega com dois desarmes durante o encontro, enquanto oito jogadores do Atlético de Madrid tentaram pelo menos dois.

Estes dados evidenciam uma clara diferença no modo de atuar das duas equipas.

Apesar de se ter sugerido que Mikel Arteta estaria demasiado defensivo nos últimos jogos, os londrinos continuam a ser elogiados pela forma como circulam a bola, enquanto o Atleti é justamente reconhecido por um estilo muito mais físico e combativo.

Madueke em destaque

Três remates de Odegaard, Gabriel Martinelli e Noni Madueke mostraram que o Arsenal também tinha argumentos ofensivos, embora nenhum dos três tenha acertado na baliza.

As tentativas de Madueke para criar perigo foram, no entanto, notórias e, além dos seus seis toques na área do Atleti – o maior registo do lado dos Gunners –, os seus 20 passes completos em 22 tentados e as duas ocasiões criadas destacaram-se.

Os anfitriões tinham dificuldades em impor o seu jogo de passe, mas a entrega e a vontade de vencer eram dignas de registo.

Por exemplo, tanto Julián Álvarez como Ademola Lookman venceram a maioria dos seus 10 duelos individuais, enquanto Koke, Hancko e o incansável Marcos Llorente recuperaram a posse de bola por 19 vezes no total.

Gyokeres colocou o Arsenal na frente

Perto do intervalo, quando ambas as equipas pareciam satisfeitas com o empate, Gyokeres conquistou e converteu uma grande penalidade, dando ao Arsenal uma vantagem preciosa.

No entanto, essa seria a sua única ação de relevo, já que tocou na bola apenas 15 vezes durante o tempo em que esteve em campo – o pior registo da noite, incluindo todos os suplentes, exceto dois de cada lado.

Tendo em conta que o Arsenal tinha vencido todos os 10 jogos anteriores na Liga dos Campeões em 2025/26 ao marcar primeiro, a pressão estava do lado do Atleti, que precisava de reagir e procurar algo do jogo, em vez de se limitar a esperar por oportunidades de contra-ataque.

Matteo Ruggeri criou três ocasiões antes do intervalo – mais do que qualquer outro jogador em campo –, mas graças à solidez defensiva do Arsenal, ao brilhantismo de David Raya na baliza e à ineficácia dos anfitriões, o Atleti foi para o descanso em desvantagem.

Penálti de Álvarez premiou dinamismo do Atleti

Os Rojiblancos entraram com tudo na segunda parte.

Não só dominaram a posse de bola, com 67% até à hora de jogo, como também somaram cinco remates (Julián Álvarez, Lookman, Llorente, Antoine Griezmann x2) antes do lance em que Ben White cometeu mão na bola, originando um penálti para o Atleti aos 54 minutos.

Julián Álvarez converteu com autoridade, assinando o seu 10.º golo na competição esta época, e isso só pareceu dar ainda mais ânimo à equipa, com Griezmann a acertar no ferro e a ver outro remate desviado, enquanto Hancko e Johnny Cardoso também desperdiçaram boas oportunidades.

O Arsenal estava claramente a ser ultrapassado no meio-campo, com Martin Zubimendi a vencer apenas um dos seus cinco duelos, e ele, Rice e Odegaard sem qualquer oportunidade para progredir com bola durante o jogo.

VAR anulou segundo penálti dos Gunners

Perante isto, Mikel Arteta lançou uma tripla substituição, com Martinelli, Madueke e Gyokeres a darem lugar a Bukayo Saka, Gabriel Jesus e Leandro Trossard.

Apesar de os visitantes ainda terem mais cinco remates até ao final, nenhum deles chegou a incomodar Oblak.

O Arsenal acabou por ser infeliz, ao ver um penálti inicialmente assinalado por Danny Makkelie ser revertido após análise do VAR, já que as imagens mostraram que Eze foi claramente tocado por Hancko quando este tentou chegar à bola.

Com a segunda mão ainda por disputar, tudo permanece em aberto, e ambas as equipas sabem que uma exibição convincente no Emirates pode garantir-lhes um lugar na final.

Jason Pettigrove
Jason PettigroveFlashscore