Acompanhe as incidências e relato do encontro
Não há nada no jogo de quarta-feira que faça recordar o encontro de há 40 anos, quando o contexto geopolítico e futebolístico era completamente diferente. O duelo entre Inglaterra e Argentina, que vai decorrer em Atlanta, não só não se disputa no lendário Azteca, onde Diego Armando Maradona se tornou uma lenda, como também apresenta duas seleções com histórias e palmarés completamente opostos.
Em 1986, ambas tinham conquistado um Mundial cada, enquanto hoje a Albiceleste soma três e os Três Leões continuam presos ao seu único triunfo caseiro de há 60 anos.
No entanto, existe um laço muito forte que liga vários jogadores à Premier League, a mais prestigiada do planeta. Atualmente, há seis jogadores no plantel de Lionel Scaloni que atuam na Premier League, sendo que outros já lá jogaram no passado.

Isto não surpreende, dado o papel central da liga no futebol mundial, mas dá uma ideia de como vários elementos da Argentina aproveitaram a sua experiência em Inglaterra para agora desafiar aqueles que um dia lhes deram a oportunidade de se revelarem.
Terapia e marcas
O caso mais marcante é o de Emiliano Martinez, que nos últimos anos tem defendido a baliza do Aston Villa, com quem conquistou a mais recente Liga Europa. O guarda-redes vai defrontar vários dos seus colegas de clube. O principal é Ezri Konsa, defesa-central que é presença constante para Tomas Tuchel, enquanto Morgan Rogers e Ollie Watkins deverão começar no banco.
Para o guarda-redes sul-americano, será sem dúvida um reencontro emotivo, já que a sua carreira deu uma reviravolta decisiva precisamente em solo britânico.
Ele será o maior infiltrado da equipa sul-americana, pois, tirando uma breve passagem pelo Getafe, praticamente nunca saiu das Ilhas Britânicas desde 2010, quando foi contratado pelo Arsenal. Com o tempo, o natural de Mar del Plata encontrou o seu espaço na cidade de Birmingham, onde, com os Villans, tornou-se um líder absoluto no balneário. A sua determinação permitiu-lhe construir uma personalidade mentalmente inabalável, também graças ao uso amplamente divulgado da psicoterapia para ultrapassar momentos difíceis.

Eleito o Melhor Guarda-Redes do Mundo pela FIFA em 2022 e 2024, Dibu vai defender a baliza da Argentina pela 13.ª vez num Mundial, igualando assim o lendário guarda-redes Ubaldo Fillol, vencedor do torneio em 1978. Ainda sem ter feito uma das defesas neste torneio que o tornaram famoso, terá de provar-se como líder indiscutível da defesa frente a Harry Kane, com quem já travou muitos duelos na Premier League.
Equilíbrio e golos
Essenciais para Scaloni, Alexis Mac Allister e Enzo Fernández são titulares indiscutíveis no Liverpool e no Chelsea, respetivamente. Destacaram-se no Mundial do Catar, onde, saindo do banco, tornaram-se peças-chave para garantir a terceira estrela.
Hoje, são reconhecidos como líderes do meio-campo da Argentina. Especialmente o primeiro, que marcou o primeiro golo à Suíça, assumindo o papel de atacar entre linhas. É algo especial, tendo em conta a baixa estatura de Mac Allister, mas confirma a sua inteligência tática ao surgir em zonas ofensivas. Já o segundo é um dos estabilizadores da equipa.
Antes do jogo, as palavras da mãe de Mac Allister, Silvina Riela, deram que pensar: "Concordo totalmente com o que disse Scaloni. É apenas um jogo de futebol. A minha neta nasceu em Inglaterra. Por isso, quando todos cantam 'quem não salta é inglês', fico quieta com ela".
No ataque, Julian Alvarez deverá ser titular e defrontar o seu antigo colega John Stones, com quem cresceu no Manchester City. Com a missão de apoiar Lionel Messi da melhor forma possível, La Araña estreou-se no futebol europeu diretamente no Etihad Stadium, onde Pep Guardiola o quis muito, mas nunca lhe deu a titularidade em detrimento de Erling Haaland.
Um avançado atípico, capaz de ligar o jogo, terá a tarefa de furar uma defesa britânica longe de ser impenetrável. Afinal, apesar de agora jogar no Atlético de Madrid, toda a sua formação no futebol europeu foi em Inglaterra.
Defesas implacáveis
À frente de Dibu estarão Cristian Romero e Lisandro Martinez, que jogam no Tottenham e no Manchester United, respetivamente. Chegados à Premier League vindos da Serie A e da Eredivisie, os dois formam a dupla que garante eficácia nos momentos difíceis. É verdade que nos últimos jogos hesitaram em algumas ocasiões, em parte devido à falta de cobertura do meio-campo, mas ainda assim deram o seu contributo.
Não só pela capacidade de passe e marcação, mas também porque ambos têm sido responsáveis por incursões letais na área adversária. Cuti Romero forçou o autogolo decisivo de Cabo Verde nos oitavos de final e também iniciou a reviravolta frente ao Egito nos oitavos. Vai defrontar o seu antigo colega Kane, com quem partilhou o balneário nos Spurs.

Licha, por sua vez, fez uma assistência e marcou frente aos cabo-verdianos e ainda fez um corte heroico a um avançado suíço. Ao lado deles, ainda que no banco, está Marcos Senesi, que conquistou o lugar no Mundial graças às suas exibições no Bournemouth, e o privilégio de defrontar, mesmo que do banco, os seus "amigos" ingleses.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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