Luis de la Fuente avaliou, numa entrevista à Marca, a força do grupo ao longo de todo o Mundial-2026.
"Nós dissemos que tínhamos defrontado Portugal de Cristiano, a França de Mbappé, íamos jogar contra a Argentina de Messi, mas eles iam defrontar a seleção dos 26. Recordando aquela frase famosa dos 300 espartanos... Pois nós somos os 26 espanhóis", afirmou.
Analisando o Campeonato do Mundo, destaca que o primeiro jogo frente a Cabo Verde "colocou-nos perante a realidade do que seria a competição, percebendo um pouco a dificuldade que todos tínhamos, o conceito de Mundial, que insisto, não tem nada a ver com o do Europeu".
Além disso, salienta a evolução das eliminatórias: "Com Portugal de Cristiano Ronaldo já tinha antecipado que podia ser uma final antecipada. Era um dos favoritos e exigiu-nos o máximo. Nos quartos contra a Bélgica senti que era um jogo armadilha. Eram rápidos e muito dinâmicos. Mesmo no momento em que sofremos o primeiro golo de todo o Mundial, soubemos controlar os nervos. Já nas meias-finais chegou a França de Mbappé, absoluta favorita. Mas penso que havia mais inquietação na bancada do que dentro do nosso grupo".
Relativamente à final frente à Argentina, descreve-a da seguinte forma: "Foi a mãe de todos os jogos. A campeã em título, uma seleção de três estrelas, a despedida de Messi... O encontro de sonho. O triunfo foi fechar o círculo de tudo o que tínhamos vindo a propor ao longo de toda a competição. E a análise final foi que, de forma geral, todo o Mundial decorreu como planeado e visualizado previamente.
Gianni Infantino
O treinador riojano revela uma conversa que teve com Infantino quando Espanha conquistou a prata olímpica em Tóquio, em 2021.
"Quando terminou a cerimónia, veio Infantino ter comigo e disse-me: 'mister, os seus jogadores são um exemplo'. E muitos desses futebolistas estiveram nesta final. No outro dia ele recordou-me isso, disse-me: 'O que te disse no dia dos Jogos Olímpicos continua válido hoje. Que exemplo de tudo", afirmou.
Por outro lado, afirmou que só se sentiu campeão quando terminou a final, apesar da superioridade de Espanha.
"Durante a final vimos que o jogo estava totalmente controlado. Éramos muito superiores, mas faltava que algum dos golos anulados, e foi injustamente anulado um deles ao Nico Williams, tivesse contado para o marcador para termos uma vantagem mais confortável. Foi só com o apito final, porque eles iam ter as suas oportunidades. Sabíamos disso. Isto é o futebol. Até ao fim mantém-se a tensão. Mas aqui está a taça já connosco", assumiu.
Além disso, Luis de la Fuente voltou a deixar palavras para Lionel Scaloni: "Somos muito bons amigos, temos uma grande relação e é um verdadeiro cavalheiro. E sei que no final dos jogos ficas muito exaltado. Viram-se algumas cenas desagradáveis e tenho a certeza de que ele também não gostou. Penso que é essa a grandeza do desporto que se procura, é o confronto dentro do jogo. No calor da batalha não há amigos, mas depois, calmamente, quando termina a competição, voltas à normalidade e percebes que não há nada mais importante do que uma boa amizade."
