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Ex-presidente da FIFA Blatter critica plano de investimento: "Mundial não é um ativo comercial"

Antigo presidente da FIFA Sepp Blatter
Antigo presidente da FIFA Sepp BlatterReuters / Arnd Wiegmann

O antigo presidente da FIFA, Sepp Blatter, criticou esta quarta-feira os planos do organismo que rege o futebol para criar uma subsidiária de 20 mil milhões de dólares para gerir o Mundial, afirmando que o torneio não é um ativo comercial que pertença a um grupo restrito de dirigentes.

"O futebol não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição. Pertence ao povo", afirmou Blatter à Reuters.

"Se a FIFA fosse transformada numa estrutura empresarial orientada para o lucro, perderia a sua alma", acrescentou Blatter, que foi presidente da FIFA durante 17 anos, até 2015.

A FIFA anunciou na terça-feira que pretende criar a subsidiária para gerir o Mundial e os seus outros eventos, e irá oferecer até 20% de participação a investidores externos.

Esta decisão provocou uma reação furiosa das autoridades do futebol europeu, incluindo a UEFA, que afirmou que a FIFA estava a pôr o futebol à venda.

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Blatter afirmou que o Mundial não deve tornar-se um produto de investimento para fundos privados, com investidores à procura de retorno financeiro.

"O Mundial da FIFA não é um ativo comercial que pertença a um punhado de dirigentes. É parte do património cultural do futebol mundial. A FIFA é a guardiã do Mundial, não a sua proprietária", disse.

Blatter afirmou que ficou chocado com a ideia, acrescentando que nunca a teria considerado quando liderava a FIFA.

Segundo ele, investidores à procura de influência e lucros vão contra as associações que defendem os interesses dos seus membros.

"O futebol moderno sobreviveu há mais de um século porque pertence ao povo. Esse princípio nunca deve mudar", concluiu.

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