O mentor Carlo Ancelotti, os lendários Messi e Cristiano Ronaldo, a Alemanha e a Juventus. O antigo médio alemão, Sami Khedira, campeão do mundo pela Alemanha em 2014, falou sobre vários temas à margem de um evento dedicado às camisolas históricas dos Mundiais.
- Está a gostar deste Mundial?
Muito. Como disse antes, mesmo sem a Itália, é possível ver todas as grandes selecções como Espanha, Alemanha e Argentina, mas ao mesmo tempo também equipas mais pequenas como Haiti e Curaçau. Esta é a beleza deste Mundial: junta as grandes potências e as seleções emergentes.
- O que pensa da Espanha?
O primeiro jogo contra Cabo Verde foi um pouco complicado para eles, mas estamos a falar de uma das grandes favoritas à vitória final. A Espanha tem jogadores incríveis, venceu o Europeu e acredito que tem tudo para voltar a conquistar o Mundial.

- A Alemanha neste Mundial pode chegar até ao fim?
Sem dúvida. A Alemanha tem uma equipa muito forte e muitos jogadores de grande qualidade. Claro que a lesão de Schlotterbeck é uma baixa importante, mas há Rüdiger, que é um verdadeiro animal competitivo e é fantástico vê-lo de novo em campo. Depois há jogadores como Nmecha, Wirtz e Musiala. Se a equipa mantiver este espírito e esta continuidade, acredito que pode ir muito longe no torneio.
- Falou de Ancelotti. Acha que pode ser o trunfo do Brasil?
O Carlo é uma pessoa extraordinária, um grande motivador e tem uma equipa técnica de altíssimo nível. Consegue fazer-te sentir o melhor. O Brasil tem uma boa equipa, embora talvez não esteja ao nível da Espanha ou da França, que considero entre as minhas favoritas juntamente com Portugal. Basta olhar para o meio-campo português, é impressionante. No fim, porém, o que conta é o melhor treinador, o melhor grupo e o melhor espírito de equipa. E o Ancelotti pode certamente fazer a diferença.
- O Messi tem 39 anos e continua a dominar o Mundial. Como explica isso?
Está simplesmente a fazer coisas à Messi. Se falarmos dos últimos 20 anos de futebol, todos nós devemos sentir-nos privilegiados por termos visto jogar Messi e Cristiano Ronaldo. Mudaram completamente este desporto e continuam a influenciá-lo ainda hoje. O Messi e o Cristiano são muito diferentes um do outro. Neste momento, o Messi parece atravessar uma fase melhor, mas continuo a acreditar que também o Cristiano voltará a marcar (a entrevista foi feita pouco antes do bis de CR7 frente ao Uzbequistão, ndr), porque é incrivelmente competitivo e Portugal tem uma equipa fortíssima.
Talvez o Messi já não tenha a intensidade física de há 15 anos, mas a qualidade técnica mantém-se igual. O que mais me impressiona, no entanto, é a paixão. Ganhou tudo: Mundial, Liga dos Campeões, Bolas de Ouro. E mesmo assim continua a divertir-se, a festejar com os colegas, a viver cada jogo como se fosse o primeiro. Este amor pelo futebol é o que torna ele, o Cristiano e o Neymar tão especiais e o que faz com que todos nós nos apaixonemos por este desporto.
- A Itália falhou a qualificação para o Mundial pela terceira vez consecutiva. O que pensa disso?
Não sou italiano, mas vivi muitos anos em Itália e sinto-me um pouco italiano. Adoro o país, adoro as pessoas e adoro a Juventus. Quando se fala de futebol italiano fala-se de campeões como Buffon, Chiellini e Bonucci. A Itália venceu o Europeu em 2021 e tem uma história extraordinária nos Mundiais. Por isso, custa-me ver os azzurri fora do Mundial pela terceira vez consecutiva. Especialmente este ano esperava ver a Itália no grande palco. Com jogadores como Bastoni, Barella e tantos outros, pensei que tinha chegado o momento do regresso.
A Itália ainda tem excelentes jogadores, mas evidentemente falta algo. Agora são precisas as decisões certas a nível federativo: o treinador certo, um projeto técnico claro e, acima de tudo, um grande trabalho com os jovens. Por isso, espero mesmo voltar a ver a Itália no grande palco daqui a quatro anos. O Mundial precisa da Itália.
- O que pensa da situação da Juventus? Pode voltar ao nível do passado?
Claro que pode. A Juventus sempre passou por momentos difíceis na sua história. Não se qualificar para a Liga dos Campeões foi um duro golpe, mas também pode ser uma oportunidade para recomeçar. No entanto, é preciso continuidade a nível diretivo, técnico e no plantel. Quando cheguei à Juventus já existia um núcleo duro formado por Bonucci, Chiellini, Barzagli, Buffon, Lichtsteiner e Marchisio. Depois foram acrescentados poucos jogadores como Mandžukić, Dybala e eu. Esse grupo manteve-se junto durante anos e isso permitiu à equipa competir ao mais alto nível. Acredito que este deve ser o objetivo da Juventus de hoje. Continuo a acreditar no clube. O Giorgio Chiellini continua envolvido no projeto e tenho-lhe muito carinho. Tenho a certeza de que está a dar um contributo importante.
- Acha que o Spalletti pode fazer a diferença como o Ancelotti?
Honestamente, não conheço pessoalmente o Spalletti. O que posso dizer é que teve muito sucesso no futebol italiano, por isso faz sentido continuar a apostar nele. Quando escolhes um treinador, tens de o apoiar e dar-lhe tempo. Para construir o sucesso é preciso continuidade a nível diretivo, estabilidade no banco e um grupo de jogadores que cresça junto ao longo do tempo. É assim que se constroem as grandes equipas.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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