Exclusivo com Kiko Casilla: "Ainda faltam anos a Portugal para afinar as peças"

Kiko Casilla, no jogo de estreia por Espanha
Kiko Casilla, no jogo de estreia por EspanhaJAVIER SORIANO / AFP / AFP / ProfimediaA n

Kiko Casilla foi guarda-redes do Real Madrid, Espanhol, Cartagena, Cádiz, Leeds United, Elche e Getafe. Além disso, estreou-se por Espanha num amigável frente à Alemanha em Vigo e esteve em várias convocatórias com Vicente del Bosque. Numa entrevista exclusiva ao Flashscore, analisa as hipóteses da equipa espanhola no Mundial, especialmente no duelo dos oitavos frente a Portugal.

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Entrevista com Kiko Casilla
Flashscore

- A que se dedica atualmente Kiko Casilla?

- Neste momento, estou a comentar jogos da LaLiga 2, com a LaLiga. É uma competição muito interessante e, na verdade, todos os fins de semana há muita emoção. E também estou a formar-me em cursos de treinadores, acabei agora o da UEFA e estou também a aprofundar a vertente de guarda-redes. Estou a aprender um pouco de tudo o que envolve estar fora do relvado e, sobretudo, a preparar-me para, no futuro, se for necessário, entrar nesse mundo tão difícil, mas ao mesmo tempo tão bonito.

- Passou por muitos clubes e tem uma carreira longa. Imagino que nunca se deixa de ser guarda-redes, pois não?

- Não, também não me deixam, porque com isto das Lendas de Espanha também jogo os meus jogos, em eventos de cariz solidário, o que é muito bonito. Depois, com o Real Madrid, também estou com o Madrid Legends a jogar. Ou seja, também não me deixam estar sossegado. Mas é verdade que também é algo de que gosto. Porque, mesmo tendo deixado de jogar, continuar um pouco ativo também é bom, assim como recordar antigos colegas, voltar a estar um pouco no mundo do futebol também é especial. A verdade é que se sente falta, mas são fases da vida que tens de ir fechando e pronto. Sobretudo, continuar a desfrutar dentro do futebol, é o mais importante.

- Focando-nos na sua carreira pela seleção espanhola, foi convocado várias vezes e estreou-se num amigável chuvoso em Vigo frente à Alemanha. Que recordações guarda?

- Pois, é o melhor dia para não se estrear, para ser sincero. É verdade que estive o ano todo a ir à seleção porque havia jogos de qualificação para o Europeu. Estive durante um ano inteiro e, no fim, o Vicente del Bosque fez-me estrear. No fundo, todos querem estrear-se, faça chuva, neve ou haja um tornado, tanto faz. Mas calhou-me entrar num momento climatérico complicado. Na altura, talvez não tenha sido a estreia de sonho que todos desejam. Mas, com o tempo, vais analisando e sentes-te um privilegiado. Porque estreares-te pelo teu país, acho que para um desportista é o máximo que pode acontecer, pelo menos para mim, e consegui cumprir esse objetivo.

E conviver com toda aquela gente que fazia parte daquela geração que ganhou Europeus e o Mundial, estar ali com eles... Para além da minha estreia, poder partilhar tempo com eles durante tanto tempo, também foi algo muito importante. Essas concentrações também fizeram com que tudo aquilo fosse um sonho.

- Era uma seleção em transição, depois do triplete Euro-Mundial-Euro, para uma época sem títulos, que foi quebrada com a geração atual, onde ainda restavam membros da era dourada, a caminho do Euro-2016.

- Por exemplo, o Xavi já não estava, o Puyol também não. Mas ainda havia o Iker, o Iniesta, o Busquets. Ou seja, grande parte do núcleo daquela grande seleção ainda estava presente. Estava o Santi Cazorla, que se retirou há pouco tempo, também o Javi Martínez, havia muitos jogadores.

Eles vinham de um momento complicado, que foi o Mundial do Brasil, mas estavam com vontade de continuar a fazer coisas boas. No Brasil, as coisas não correram como deviam, porque cair na fase de grupos não era o que tinham planeado. Na altura, houve muita crítica, sobretudo da imprensa.

E o que queriam era fazer uma boa qualificação para o Europeu de França, como disseste, e, acima de tudo, que essa transição se notasse o menos possível. E também terminar, pois havia jogadores já com alguma idade, e ir saindo da melhor forma possível da seleção e num momento ideal. Mas as transições são complicadas, quer se queira, quer não. Quando vens de um percurso como o deles, a ganhar Europeu, Mundial, Europeu, imagina.

Todas as comparações são difíceis, mas a verdade é que encontrei um grupo muito bom, foi incrível. Para mim, partilhar esse ano com todos eles e estar dentro desse núcleo foi muito especial e uma experiência que vou guardar para sempre.

Kiko Casilla com Real Madrid Leyendas
Kiko Casilla com Real Madrid LeyendasÓscar J. Barroso / Zuma Press / Profimedia

"Fico feliz pelo Unai, manteve uma dinâmica muito boa a um nível altíssimo"

- Focando-nos já no presente e no Mundial, Espanha parece ter crescido desde esse empate com Cabo Verde, embora, vendo o que aconteceu com a Argentina nos 16 avos, pareça ser melhor equipa do que alguns pensavam. Para além do grande momento dos laterais, de Oyarzábal e do meio-campo, é preciso destacar a sua posição, a baliza. Espanha ainda não sofreu qualquer golo no Mundial e Unai Simón bateu o recorde de invencibilidade de Walter Zenga. Como está a ver Unai Simón e esse debate que tem havido na baliza com David Raya, Joan García e até Remiro?

- Para mim, é bom que haja debate, isso significa que o nível está muito alto. Acho que temos uma baliza com muita saúde. Em Espanha, a baliza está muito bem entregue, tem muita qualidade e isso é importante. O interessante do debate, não é que eu goste, de certeza que o Unai também não, nem o David nem o Joan, mas isso faz com que haja grande nível na baliza e por isso se gera esse debate.

Está claro que o míster optou pelo Unai. Porquê? Acho que foi porque manteve uma dinâmica muito boa na seleção, teve sempre um nível altíssimo sempre que pôde jogar. Para quê mudar, não é? Está claro que os três que lá estão, mais o Remiro também, que pode entrar, ou o Robert Sánchez, qualquer um pode cumprir na perfeição. Todos estão preparados para dar o máximo, mas o escolhido é o Unai e é preciso respeitá-lo e apoiá-lo.

Fico muito contente por este recorde que bateu, que não é nada fácil, isto já entra para a história. Também não teve muito trabalho nestes jogos, mas nota-se uma tranquilidade e uma coordenação com a defesa e esse saber estar que é fundamental.

Muitas vezes, este tipo de equipas, se calhar só rematam uma ou duas vezes, mas tens de estar muito atento nessas duas ocasiões e ele está. E depois, participar como participa com os pés, com essa calma que tem, acho que está a cumprir na perfeição. Fico muito feliz por ele, porque também deve ter passado por momentos difíceis, é verdade que não é muito de redes sociais, mas no fim tudo chega e o burburinho também.

Já te digo, fico muito feliz por ele, fico muito feliz pela saúde da baliza de Espanha. Espero que continue a bater esse recorde e que na segunda-feira continue a somar minutos a esse registo. Quanto à defesa, acho que o bom de Espanha já não é só o Unai, mas sim como todos defendem. Desde o Mikel lá na frente, o primeiro a defender, até ao último lateral, Pedro ou Marcos Llorente, um dos dois. Todos, assim que perdem a bola, vão pressionar, não deixam que o adversário se posicione para atacar. É de admirar como têm essa ideia interiorizada, como o míster implementou na seleção esse modelo de jogo que estão a ter. Oxalá continuemos assim e que segunda-feira seja mais uma vitória.

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Ouça o relato no site ou na appFlashscore

"Não vejo uma seleção com tanta clareza a defender e atacar como Espanha"

- Falava da defesa, onde o rendimento de Laporte e Cubarsí tem sido extraordinário. Mas queria abordar o tema dos laterais, que para além do trabalho defensivo, são praticamente extremos. Contra a Áustria, Cucurella participou nos três golos e fez duas assistências. Pedro Porro, que tem alternado com o Marcos Llorente, ambos com perfil muito ofensivo, marcou o seu primeiro golo. Acha que em eliminatórias futuras podem ser um fator determinante?

- Claro, estão a voar. Os dois laterais, tanto se jogar o Marcos, que também já participou, como o Grimaldo, que ainda não jogou, mas de certeza faria o mesmo, são muito ofensivos. Também porque o míster lhes deu essa liberdade e tem esse conceito muito bem preparado, caso percam a bola, de ter tudo controlado.

E isso faz com que possam juntar-se ao ataque, mas já não se juntam só por juntar, juntam-se para fazer o último passe para golo ou até marcar. Juntam-se para serem super importantes nesse ataque. O modelo de Espanha, a ideia que a seleção tem neste momento é de valorizar muito isso. Não vejo agora nenhuma seleção com essa ideia e com tanta clareza tanto a defender como a atacar. E acho que é preciso aproveitar tudo isto. Como disseste antes, começou-se de menos a mais. Também é preciso valorizar o que fez essa primeira seleção, Cabo Verde, como se viu no jogo dos 16 avos frente à Argentina.

À albiceleste custou-lhe imenso. E já te digo, é verdade que se criticou demasiado Espanha, talvez no início. É um empate, é o 0-0, mas no fim, se estão no Mundial é por alguma razão. E já te digo, acho que encontraram o momento ideal. A seleção está com muita confiança. Agora é Portugal, todos sabemos quem são, mas vamos a eles. De certeza que lhes vai custar ganhar-nos, disso não tenho dúvidas.

Kiko Casilla, com o Elche
Kiko Casilla, com o ElcheMutsu Kawamori / AFLO / Profimedia

"A Portugal faltam-lhe uns anos para afinar essas peças"

- É o primeiro teste sério, entre aspas, do Mundial, se é que se pode falar de testes menos sérios. Como está a ver Portugal? O Cristiano marcou contra o Uzbequistão, depois não esteve muito presente frente à Colômbia. Teve bons minutos contra a Croácia com aquele golo anulado e o penálti. Foi substituído e o Gonçalo Ramos marcou. O Bernardo Silva talvez não esteja no seu melhor momento, mas é uma equipa muito sólida, não? De Portugal nunca se pode desconfiar. Talvez o jogo chegue demasiado cedo.

- Não, não se pode desconfiar. Chegados a este ponto, sabes que já te vai calhar algo sério, como vai acontecer na segunda-feira. Mas Portugal já é um velho conhecido, de muitas eliminatórias, tanto em Mundiais como em Europeus. Conhecemo-los muito bem. É verdade que agora houve essa mudança geracional. Estão a aparecer muito fortes. Este grupo tem jogadores jovens de grande qualidade. Em termos de individualidades são incríveis, sem dúvida, mas como te disse, acho que enquanto equipa o Roberto Martínez está a fazer um grande trabalho em Portugal.

No entanto, acho que ainda lhes faltam uns anos para ter a ideia que ele quer ou para afinar essas peças que tem, que são muito boas. Não nos enganemos. Tira o Cristiano, entra o Gonçalo e marca o golo, percebes? É uma equipa muito completa, muito boa, mas confio muito no jogo de Espanha e confio que a equipa mantenha um ritmo alto e que não lhes permita, sobretudo isso, que quando percam a bola, tenham essa ideia que têm, que estão a executar muito bem, de recuar rapidamente. Porque senão, Portugal pode complicar muito, com aquele meio-campo e aquele ataque. Por isso, os laterais altos têm de ter muito cuidado, porque de certeza que vão estudar isso, já o têm analisado e é por aí que vão tentar explorar.

- Como disse, o meio-campo pode ser fundamental. O Luis de la Fuente já disse várias vezes que em Espanha estão os melhores médios do mundo. Estão o Rodri, o Pedri, o Merino, o Olmo, o Fabián que tem tido poucos minutos ou o Zubimendi que ainda não se estreou. Do outro lado, talvez o Vitinha não esteja no seu melhor momento no Mundial, o João Neves marcou no primeiro jogo, mas depois ainda não encontrou o seu melhor nível. Não sei se teme que possam aparecer este segunda-feira ou confia no meio-campo de Espanha para que isso não aconteça.

- Confio, confio muito. É claro que também é preciso ver que todos estes jogadores que jogam a tão alto nível, têm uma carga anual de jogos enorme. Não sei se o Fabián já leva 70 jogos, não fiz as contas, mas é uma barbaridade. E a esse nível, não é? Acho que isso também pesa muito.

É verdade que, este tipo de jogadores, nestes encontros e nesta fase do Mundial, de certeza que vão querer aparecer e vão aparecer. Mas também é certo que estaremos preparados caso apareçam, como temos estado até agora. Acho que o nosso meio-campo está muito bem preparado. Algo que também não era fácil, depois daquela fase anterior, com o Xavi, o Iniesta, o Busquets... Conseguimos voltar a ter esse grande meio-campo. E aí está também o trabalho de muita gente que está nos bastidores, tanto nas Associações Distritais como na Federação Espanhola. Vamos ganhar esse meio-campo, mas também temos de estar a um nível muito alto para vencer esse tipo de duelos.

"A veia goleadora do Oyarzábal não me surpreende"

- Na frente, para além do Lamine Yamal, que parece estar a recuperar o nível e dos problemas que tivemos com os extremos por questões físicas, surpreende-o o rendimento do Oyarzábal ou já confiava que ia marcar tantos golos?

- Não, não me surpreende porque já há muito tempo que faz golos. Tem uma facilidade para marcar impressionante. Há muitos anos que marca de forma regular e é o líder da Real Sociedad, assumindo a equipa nos momentos difíceis. E, a nível de seleção, vejas o jogo que vires, há sempre um golo do Mikel. É incrível.

Marca sempre um ou dois, está sempre presente. Talvez não se valorize o que ele é, o seu trabalho e os golos que já fez, mas é um jogador que qualquer treinador ou seleção gostaria de ter. E depois temos banco, por exemplo o Borja Iglesias que ainda não se estreou, mas que também pode ter o seu momento importante, se por exemplo na segunda-feira o jogo se complicar ou for preciso outro tipo de avançado.

- Está a visualizar o Fernando Llorente com Espanha na África do Sul em 2010 contra Portugal.

- Por exemplo, estou a visualizar isso. Também está o Ferran, que é verdade que lhe falta agora aquela confiança de marcar um golo. Porque o Ferran é um tipo de jogador que também precisa desse golo para se motivar mais e já há algum tempo que não o encontra. Acho que se esses jogadores se ligarem, mais o que o Mikel está a oferecer, mais o Lamine que também se vê com aquela vontade de marcar, não é? Em algum momento, contra a Áustria, viu-se que talvez tivesse um passe mais fácil, mas ele queria o seu golo para ser um pouco o líder da seleção e dizer: "Também estou aqui".

- E seguir o exemplo de Messi, Mbappé, Haaland e Kane.

- Exatamente. Sim, viu-se um pouco isso, não é? Eu vi assim, não sei se as pessoas viram. No fim ele faz isso, tinha o passe fácil, tinha opções mais claras, mas queria o seu golo. Também é compreensível. Ou seja, acho que estão todos com muita vontade, todos muito focados e esperamos que, na segunda-feira, a história não acabe e continuemos em frente.

Kiko Casilla com o Leeds United
Kiko Casilla com o Leeds UnitedMike Egerton / PA Images / Profimedia

"Vejo Espanha na final e a levantar essa segunda taça"

- Até onde pode chegar Espanha neste Mundial?

- Pelo plano, pela seleção, pelos jogadores, pela forma como jogam, pelo momento em que estão, vejo Espanha na final e a levantar essa segunda taça. Mas claro, até lá, ainda faltam jogos e começa agora esse funil de partidas que se tornam cada vez mais difíceis e exigentes.

Para além de tudo isto, também é preciso ter aquela pontinha de sorte neste tipo de torneios, não é? Chegar no momento certo, ter aquele bocadinho de sorte em momentos decisivos do jogo. E acho que, se tudo isso se juntar, podemos chegar longe.

- Que seleções lhe metem mais medo? De um lado do quadro, Espanha evitaria até uma hipotética final com a Argentina, Brasil, Inglaterra ou México. Do lado da seleção viriam França, Marrocos e antes Estados Unidos ou Bélgica? Quem lhe mete mais medo? Que seleção quer evitar?

- Do nosso lado, França e Marrocos estão neste momento a um nível muito alto.

- Coloca-as ao mesmo nível?

- França está talvez um degrau acima, porque é impressionante o que têm no ataque, com esse tridente. Ou nem sei se se pode chamar tridente, porque depois saem outros do banco e são quase iguais.

Depois Marrocos está a jogar um futebol muito bom. É também uma geração excelente e têm os conceitos muito bem definidos e sabem como jogar. Por esse lado, estas duas são as que mais respeito me merecem. Acho que seriam jogos complicados, ganháveis, claro, mas muito difíceis. E depois, do outro lado, Brasil e Argentina são sempre clássicos que não falham.

A Argentina está sempre lá, já vimos isso frente a Cabo Verde, embora também vá sentir essa mudança geracional quando sair o Messi. Mas continuam lá e, no fim, essa garra argentina e esse saber jogar, tudo o que têm de história, vai torná-los sempre competitivos.

O Brasil está à procura de ser o Brasil de sempre. E Inglaterra chega sempre com grandes expectativas, jogadores muito bons, mas às vezes complica bastante, não é? Em grandes torneios, como no outro dia. Vê como acabou. No fim aparece um tal Harry Kane que marca tudo e continuam em frente.

Kiko Casilla, com Varane, Mariano e Keylor Navas, após vencer a Liga dos Campeões em 2017
Kiko Casilla, com Varane, Mariano e Keylor Navas, após vencer a Liga dos Campeões em 2017Laurent Lairys/Agence Locevaphotos / Alamy / Profimedia

"Na marca das grandes penalidades sabia que ia passar o Paraguai"

Mas já te digo, nunca se pode deixar de lado. No fim, vão ficando esse tipo de seleções, há a surpresa da Alemanha, que ninguém esperava. No entanto, quando vi a marca das grandes penalidades, sabia que ia passar o Paraguai, não só pela cara do Orlando Gill, mas também pelas caras dos alemães, não eram as caras confiantes de outros anos.

Via-os assustadíssimos, percebes? Todos juntos ali no meio-campo, via-os super assustados. Como quem diz, que passem rápido estes penáltis para ver o que acontece, mas sem aquela confiança de ir marcar.

- Também há o fator psicológico, tanto com a Itália, que tem melhor equipa do que demonstra não se ter qualificado para os últimos três Mundiais, como a Alemanha, que leva três Mundiais sem passar uma eliminatória.

- Completamente. No fim, chegas a esse momento, o Orlando defende, chegam os penáltis, puxas pela memórias e vês os dois últimos Mundiais. Se não ganhas aqueles penáltis, é mais um fracasso. Não sei se viste a imagem do Kimmich a falar com o Goretzka na marca das grandes penalidades. Vês aquilo e dizes: "uf". Isso provoca-te uma desconfiança e um medo. E não vi isso no Paraguai. Repara como marcaram todos. Parecia que já tinham batido 10 penáltis em eliminatórias de Mundial.

Mas já te digo, as seleções, são as de sempre. No fim, surpresas vão ser poucas. Os Estados Unidos estão muito bem. O Pochettino está a fazer um grande trabalho. Acho que chegou no momento perfeito para fazer esse grande trabalho que é o Mundial em casa.

Fico muito contente por ele, foi meu treinador, sei como trabalha e aí estão os resultados. Os Estados Unidos estão a entrar aos poucos e também a fazer história. No fim, acho que vão ser as de sempre. Nós, Marrocos, França, seguramente, espero que Portugal não.

- E que os Estados Unidos do Pochettino só passem mais uma ronda, que depois apanhávamos nos quartos.

- Pois claro, está feito. Fechamos assim e seguimos. E depois já te digo, as de sempre, França, Argentina, Brasil, Inglaterra, de certeza que também vão andar por esses caminhos.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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