Exclusivo com Romário: "Este é um Brasil que me entusiasma bastante"

Romário está nos EUA para acompanhar o Mundial
Romário está nos EUA para acompanhar o MundialProfimedia

Romário está nos Estados Unidos para o Mundial. 22 anos depois de levar o Brasil ao tetracampeonato, o Baixinho divide-se agora entre os comentários para a CazéTV, o conteúdo para o seu canal, Romário TV, e as suas obrigações como senador pelo Rio de Janeiro. No meio de uma agenda apertada, conversou com o Flashscore.

Como habitual, Romário recordou a conquista de 1994 e comparou a pressão enfrentada por aquela geração com a atual. Em comum, os mesmos 24 anos de seca.

O antigo craque vê uma seleção brasileira em evolução no Mundial e declara-se "entusiasmado" após a vitória por 3-0 frente à Escócia. Romário comentou ainda a turbulência política no Vasco e mencionou os desafios que enfrenta como presidente do América-RJ.

Romário após o Brasil 3-0 Haiti
Romário após o Brasil 3-0 HaitiElyxandro Cegarra / PsnewZ / Bestimage / Profimedia

- Está a viver um Mundial muito especial, não só pelo palco, nos Estados Unidos, mas também pelo seu canal, Romário TV. Esperava isto?

- Estou a viver um momento muito diferente, muito especial na minha vida. Estou mesmo a viver, em todos os sentidos. Tinha a certeza de que as coisas iam ser muito positivas aqui nos EUA, porque temos uma memória muito boa do título aqui em 1994, depois de 24 anos. Esse grupo tornou-se tetracampeão mundial. E um dos motivos era esse, eu sabia que as pessoas iam recordar muito isso. As coisas estão a acontecer ainda mais do que esperava.

- Agora a seleção brasileira enfrenta uma fase a eliminar sob pressão para obter resultados. Vocês também sentiram pressão em 1994. Quanto ajuda ou prejudica essa pressão?

- Primeiro, saímos do Brasil sem confiança, como mais uma seleção que ia participar no Mundial. Mesmo depois daquele jogo contra o Uruguai (na qualificação), os adeptos e a imprensa brasileira não acreditavam que o Brasil pudesse ser campeão. Fizemos os três primeiros jogos exatamente como a seleção de agora: ganhámos dois e empatámos um.

A diferença é que o Brasil de agora empatou o primeiro e venceu os dois últimos, enquanto nós vencemos a Rússia e os Camarões, e empatámos com a Suécia. Já saímos do Brasil a pensar que podíamos ganhar o Mundial. Sabíamos das dificuldades, que a equipa não era tecnicamente "assim", que havia seleções melhores, mas a vontade com que saímos para ser campeões era tão grande que isso foi muito importante para aquela conquista.

- Vê nesta seleção essa vontade de 1994?

- No primeiro jogo, não. No segundo já melhorou e no terceiro comecei a perceber que este é um Brasil que me entusiasma bastante. Acho que o Brasil, a partir desse jogo (contra a Escócia), fez valer o peso e a grandeza da camisola.

- E o Vasco hoje, como vê a situação? Complicada? Pedrinho, política... É presidente de clube, sabe o quão difícil é.

- É um cenário complicado. O Pedrinho tem tido muitas dificuldades para levar o Vasco para a frente. Hoje sou presidente do América-RJ, que está numa posição muito diferente da do Vasco, infelizmente. O América foi um dos grandes do Rio, mas, após vários problemas ao longo dos anos, está em processo de reconstrução. E nós, no América, temos tentado ajudar ao máximo.

O Vasco ainda não conseguiu formar uma equipa forte este ano e vai defrontar rivais tradicionais como Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Atlético, Palmeiras. Já entra nesses jogos com alguns aspetos negativos e, por isso, as outras equipas crescem muito mais contra o Vasco hoje do que no meu tempo.