Na tarde de terça-feira, vários jornalistas bem informados revelaram que a FIFA irá anunciar em breve planos para vender participações no Campeonato do Mundo. Não foi preciso esperar muito: em duas horas, a FIFA confirmou oficialmente as intenções descritas na polémica publicação de Martyn Ziegler no The Times.
Do que se trata? Atualmente, o Mundial é um projeto organizado exclusivamente pela FIFA enquanto entidade independente que gere o futebol mundial. Segundo a nova visão, a FIFA deverá criar uma empresa separada para gerir o Campeonato do Mundo (FIFA Forward Enterprise, abreviada para FFE), vendendo participações minoritárias a interessados.
Como descreveu Ziegler no The Times, permitir que investidores privados comprem direitos no maior torneio desportivo do mundo garantiria diretamente uma fortuna a Gianni Infantino. Seria ele a supervisionar a lucrativa subsidiária e poderia ganhar até dezenas de milhões de dólares.
Para "vender" bem o projeto aos meios de comunicação, o comunicado publicado pela FIFA sublinha até sete vezes que seria a FIFA a manter o controlo total do torneio como acionista maioritário. E os minoritários? O principal seria Josh Kushner, irmão do genro de Donald Trump.
UEFA protestou de imediato
As garantias de "controlo" não diminuem em nada as críticas dirigidas à entidade máxima do futebol mundial. A UEFA reagiu de forma breve, condenando firmemente os planos e apelando ao seu abandono.
"Isto ultrapassa uma linha que as instituições que gerem o futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva isto extremamente a sério. Tal como cada federação nacional de futebol. Tal como todos os intervenientes: ligas, clubes, jogadores, adeptos, governos e todos os que se preocupam com o futuro do futebol. A alma e a gestão do futebol não são ativos que possam ser negociados – especialmente sem transparência sobre quem beneficia financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. A FIFA não o deveria vender".
Princípios ou milhões
No entanto, o protesto da UEFA não é o verdadeiro teste para o plano de maior comercialização do Mundial. Esse teste será a votação dos membros, quando lhes for oficialmente apresentado. Infantino promete às federações nacionais valores tão elevados que, para algumas, podem ser argumento suficiente.
Só este ano, o plano de venda de ações deverá render 4,2 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) em receitas, e a FIFA aponta para uma avaliação estimada de 20 mil milhões (17,5 mil milhões de euros). Isto permitirá aumentar significativamente o financiamento das associações nacionais por parte da FIFA.
Até agora, a FIFA estava obrigada a transferir 8 milhões de dólares (7 milhões de euros) a cada uma das 211 federações no período de 2027-2030, no âmbito do programa FIFA Fast Forward Programme (FFFP). Agora, o valor prometido aumenta. Só este ano, está em causa um valor opcional de 20 milhões (17,6 milhões de euros) para despesas urgentes. No referido período de 2027-2030, serão 22 milhões (19,3 milhões de euros) no período seguinte (2031-2034), e depois até 24 milhões (21 milhões de euros) para cada associação nacional nos anos de 2035-2038. Especialmente para as federações mais dependentes financeiramente da entidade máxima mundial, isto representa uma diferença colossal.
