O antigo responsável do PGMOL será o especialista Flashscore em arbitragem ao longo de todo o Mundial-2026, analisando de perto as prestações dos homens do apito, bem como outros temas de discussão.
Brasil - Japão
Foi um jogo muito agradável de seguir para os adeptos neutros, com o Japão a inaugurar o marcador aos 29 minutos graças a um remate direto de Sano. O encontro foi aberto e, à medida que o tempo passava, Casemiro permitiu ao Brasil chegar ao empate. Quando parecia que o jogo ia seguir para prolongamento, Gabriel Martinelli assinou o golo da vitória aos 90+5 minutos.
O árbitro Maurizio Mariani deixou o jogo decorrer e não hesitou em mostrar cartões amarelos por faltas que travaram ataques promissores. Ele e os seus colegas realizaram, aliás, uma exibição de grande nível.
Alemanha - Paraguai
Depois de defender muito bem, o Paraguai abriu o marcador aos 42 minutos, num jogo em que a Alemanha esteve muito abaixo do seu nível, embora a Mannschaft tenha conseguido empatar aos 54 minutos.
No prolongamento, a Alemanha pensou ter recuperado a vantagem, mas a intervenção do VAR levou o árbitro a anular o golo por uma alegada falta sobre o guarda-redes.
O futebol é um desporto de contacto e o guarda-redes caiu demasiado facilmente, pelo que considero que foi uma má decisão do árbitro. O golo não deveria ter sido anulado.
O jogo deteriorou-se a partir daí, com os jogadores a perderem a cabeça e o árbitro a ter de redobrar esforços para manter o controlo. Durante este período, Jamal Musiala deveria ter recebido um cartão vermelho por uma entrada considerada jogo perigoso.
A lei é clara: um carrinho ou intervenção que coloque em risco a integridade física de um adversário ou utilize força excessiva ou brutalidade deve ser sancionado como jogo perigoso grave. Qualquer jogador que faça um carrinho a um adversário para disputar a bola, de frente, de lado ou por trás, utilizando uma ou duas pernas, com força excessiva ou colocando em risco a segurança do adversário, é culpado de jogo perigoso grave.
Lendo o regulamento, considero que Musiala deveria ter sido expulso por um gesto malicioso nascido da frustração.
Houve claramente força excessiva, colocando em risco a segurança do adversário, e Musiala já não tinha controlo quando fez o carrinho.
Fiquei desiludido por o VAR não ter tido intervenção. Mesmo que o Paraguai tenha acabado por conquistar uma vitória nos penáltis, a atenção continuará centrada neste golo anulado e na relutância dos árbitros em expulsar Musiala.
Países Baixos - Marrocos
Foi o terceiro jogo do torneio para o árbitro Wilton Pereira Sampaio. Um árbitro que, recorde-se, tinha mostrado três cartões vermelhos no jogo de abertura do Mundial.
Na sua vontade de deixar o jogo fluir, arriscou não sancionar todas as faltas.
No final, foi um jogo extremamente agradável de acompanhar, com Marrocos a dominar grande parte do encontro, mas a desperdiçar oportunidades devido a defesas brilhantes de Bart Verbruggen, que esteve excecional.
Cody Gakpo abriu o marcador aos 72 minutos, antes de Issa Diop empatar já em tempo de compensação.
Com o cansaço, os erros multiplicaram-se de parte a parte, proporcionando um final de jogo emocionante. Marrocos acabou por garantir a qualificação após uma dramática sessão de penáltis.
Costa do Marfim - Noruega
O árbitro Jesus Valenzuela contribuiu para o bom desenrolar do encontro, ao saber aplicar a lei da vantagem.
A Noruega adiantou-se no marcador na primeira parte graças a Antonio Nusa, antes de Amad Diallo empatar. Quem mais senão Erling Haaland poderia marcar o golo da vitória no final do jogo?
Nos minutos finais, após uma falta do norueguês Martin Odegaard, vários jogadores envolveram-se em confrontos, mas o árbitro desarmou rapidamente e com habilidade a situação.
França - Suécia
No final, vitória tranquila para a França, graças a um bis de Kylian Mbappé e um golo de Bradley Barcola.
Do ponto de vista da arbitragem, a entrada perigosa do sueco Victor Lindelof aos 37 minutos merecia cartão amarelo, mas Danny Makkelie optou por não o mostrar.
México - Equador
O México também venceu sem dificuldades no Estádio Azteca.
Piero Hincapie tornou-se o segundo jogador do torneio (depois do paraguaio Miguel Almiron) a receber cartão vermelho por tapar a boca ao dirigir-se a um adversário.
É positivo ver a regra a ser corretamente aplicada neste caso.
Inglaterra - RD Congo
Um grande golo inaugural de Brian Cipenga, ao sétimo minuto, deu um verdadeiro arranque ao encontro.
A Inglaterra viu depois ser-lhe negada uma grande penalidade evidente quando Harry Kane foi derrubado pelo guarda-redes, que não tentou jogar a bola. Má decisão do árbitro.
Os Three Lions não estavam ao seu melhor nível e a tensão aumentava quando Kane marcou. O seu golo decisivo no final do jogo permitiu à sua equipa garantir a passagem à fase seguinte.
Bélgica - Senegal
O Senegal vencia por 2-0 e encaminhava-se para a fase seguinte, com o árbitro a realizar uma boa exibição ao deixar jogar sem apitar a cada queda de um jogador. O jogo mudou com dois golos rápidos dos belgas, aos 86 e aos 89 minutos.
No prolongamento, ambas as equipas mostraram-se muito mais cautelosas e o cansaço era evidente. Sinceramente, preferia que os jogos empatados após 90 minutos fossem decididos diretamente nos penáltis.
Uma intervenção tardia no prolongamento, que pareceu ser apenas um contacto natural entre dois jogadores, levou o VAR a aconselhar o árbitro a consultar o ecrã.
Para espanto do Senegal, foi assinalada grande penalidade a favor da Bélgica, Tielemans convertendo o lance e garantindo a qualificação para a sua equipa.
Na minha opinião, o VAR não deveria ter tido intervenção.
O árbitro não tinha cometido nenhum erro claro e, após uma longa análise, tomou a decisão errada ao assinalar penálti quando não existiu falta.
EUA - Bósnia-Herzegovina
Logo no início do jogo, um jogador dos Estados Unidos caiu na área a pedir penálti, corretamente recusado pelo árbitro.
Folarin Balogun pensou depois ter inaugurado o marcador para os anfitriões, mas o fora de jogo foi assinalado – mais uma boa decisão do árbitro assistente. Balogun acabou por marcar, mas aos 64 minutos viu cartão vermelho. Foi um caso clássico em que o VAR, com o benefício das repetições, considera que o árbitro cometeu um erro claro ao não expulsar de imediato o jogador.
Em tempo real, pareceu um acidente infeliz, sem intenção de magoar. O árbitro avaliou o lance da mesma forma em campo e não tomou qualquer medida.
No entanto, quando o VAR enviou o árbitro ao ecrã e lhe mostrou as repetições, viu claramente os pitões a deslizar sobre a barriga da perna e o tendão de Aquiles do adversário.
Essas imagens retiram o caráter natural e acidental do lance e deixam ao árbitro imagens que, francamente, não lhe deixam alternativa senão expulsar o jogador infeliz.
Outra excelente decisão do árbitro assistente surgiu no final do jogo, quando os Estados Unidos voltaram a ser apanhados em fora de jogo.
Espanha - Áustria
Já nos habituámos a ver faltas por puxão de camisola não sancionadas na Premier League, por isso é refrescante ver o árbitro Glenn Nyberg adotar uma postura rigorosa e anular corretamente o golo espanhol por falta sobre o guarda-redes.
Aliás, penso que Nyberg, depois de uma exibição destas, poderá ser nomeado para a final.
Portugal - Croácia
Após várias oportunidades desperdiçadas pelo Portugal na primeira parte, foi a Croácia a inaugurar o marcador por intermédio de Ivan Perisic.
Cristiano Ronaldo pensou ter marcado, mas o assistente levantou o seu bandeirola e o golo foi anulado por fora de jogo. As imagens mostraram que, ao inclinar-se para arrancar em profundidade, foi o ombro de Ronaldo que o colocou em fora de jogo.
Sinceramente, a regra do fora de jogo não deveria ser decidida ao milímetro. Considero que a ideia de Arsène Wenger (que defende que deve haver um espaço claro entre o avançado e o defesa) seria preferível, pois evitaria a anulação deste tipo de golo.
Desde o início do Mundial, também foi anunciado que puxões, bloqueios e agarrões seriam sancionados. Parabéns, por isso, aos árbitros por assinalarem uma falta evidente da Croácia, com Cristiano Ronaldo a converter o penálti correspondente.
O Portugal passou para a frente já em tempo de compensação graças a Gonçalo Ramos, mas o jogo terminou em polémica após o empate croata, que levou ambas as equipas ao prolongamento.
A festa durou pouco, pois o VAR enviou o árbitro ao ecrã.
As repetições mostraram que o passe para a área portuguesa foi desviado de cabeça pelo número 20 croata para o marcador do golo, que estava em posição irregular.
O golo foi, assim, corretamente anulado pelo árbitro inglês Jarred Gillett, que arbitra na Premier League.
Austrália - Egito
Ambas as equipas apresentaram futebol ofensivo desde os primeiros minutos.
O árbitro Gustavo Tejera esteve ao comando, mas teve dificuldades em manter o controlo perante o elevado número de faltas cometidas no início do jogo.
Um jogo animado que viu o Egito garantir a qualificação nos penáltis.
Argentina - Cabo Verde
Um jogo que entusiasmou adeptos em todo o mundo, pois a seleção com pior classificação do torneio, Cabo Verde, defrontava Lionel Messi e a Argentina.
Foi um excelente encontro, arbitrado de forma exemplar por Drew Fischer, que optou por uma abordagem discreta.
Canadá - Marrocos
O árbitro Michael Oliver dirigia o seu terceiro jogo neste Mundial. Aos 40 minutos, desarmou rapidamente o início de uma confusão geral graças a uma intervenção autoritária.
Depois de acalmar a situação, mostrou cartões amarelos a Achraf Hakimi e Richie Laryea, ao mesmo tempo que sancionou de forma mais rigorosa as faltas, sendo Jonathan David o quarto jogador advertido na primeira parte após derrubar Brahim Diaz para travar um ataque promissor.
Marrocos marcou por três vezes na segunda parte e venceu de forma clara.
Paraguai - França
Acabei de assistir a uma exibição muito fraca do árbitro Ilgiz Tantashev, que não deveria voltar a arbitrar neste Mundial.
Não conseguiu detetar as táticas antijogo do Paraguai nem sancionar o comportamento de vários jogadores.
Quando o árbitro estava a poucos metros do lance, mostrou cartão amarelo ao francês Bradley Barcola por uma alegada falta perigosa sobre Juan Jose Caceres, mas as repetições mostraram que não houve qualquer contacto. Péssima decisão do árbitro.
A estratégia do Paraguai era claramente reduzir o tempo útil de jogo. Infelizmente, uma arbitragem demasiado permissiva não conseguiu travar estas práticas.
Aos 34 minutos, Mbappé, depois de ser vítima de falta, reagiu agredindo o adversário, originando uma confusão generalizada entre os jogadores.
Os árbitros são aconselhados, em caso de confrontos generalizados, a mostrar pelo menos dois cartões amarelos para afirmar a sua autoridade.
Um incidente aos 38 minutos viu um jogador paraguaio usar ilegalmente o braço sobre Mbappé, um gesto perigoso à vista do árbitro que merecia, no mínimo, cartão amarelo. Não tomou qualquer medida.
Aos 68 minutos, um jogador francês driblou na área adversária e foi derrubado por um carrinho evidente. O árbitro deixou primeiro a jogada prosseguir até ao seu desfecho natural.
Só depois o VAR interveio e, após análise, o árbitro assinalou penálti a favor da França, que decidiu o desfecho do jogo.
Outras informações
Compreendo que a UEFA já não vai sancionar com cartão vermelho um jogador que tape a boca com a mão.
Considero isto uma evolução positiva, mas parece que a FIFA e a UEFA não estão em sintonia quanto à regra e à sua aplicação.
A FIFA confirmou que o empate da Croácia frente a Portugal foi corretamente anulado por fora de jogo graças à tecnologia integrada na bola do Mundial-2026.
