Mundial-2026: “A edição de 1966 colocou Portugal no mapa”, defende António Simões

Portugal brilhou na edição de 1966
Portugal brilhou na edição de 1966STRINGER / AFP

O antigo internacional português António Simões afirmou que o Mundial-1966, que Portugal terminou em terceiro, colocou o país no mapa no futebol, elogiando o rei Eusébio como uma figura inigualável.

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Simões fez parte da formação lusa que disputou pela primeira vez uma fase final de um Mundial, em 1966, em Inglaterra, com o terceiro lugar conquistado a ser ainda hoje a melhor classificação de sempre de Portugal.

A formação das quinas venceu a Hungria (3-1), Bulgária (3-0) e Brasil, de Pelé (3-1), na fase de grupos, e a Coreia do Norte (5-3), nos quartos de final, antes de perder com a Inglaterra nas meias-finais (2-1).

No jogo pelo terceiro lugar, Portugal bateu a União Soviética (2-1) e ficou com o lugar mais baixo do pódio, numa prova que foi ganha pelos ingleses.

O antigo extremo, que jogou quase toda a carreira no Benfica, afirmou à agência Lusa que os magriços demonstraram que os portugueses têm o “dom e a vocação” para jogar futebol.

“Reunimos vários jogadores com um dom e tínhamos um rei, que era Eusébio, que teve alguns príncipes à sua volta. Eu, modestamente, acho que tive a inteligência e capacidade de jogar com a inteligência de Eusébio, o que não era fácil”, afirmou António Simões.

Simões, de 82 anos, destacou ainda o privilégio que foi para si jogar com Eusébio, melhor marcador do Mundial em 1966 com nove golos, ao longo de cerca de 14 anos.

“O futebol é arte em movimento e requer uma inteligência específica. Eu compreendi a inteligência de Eusébio para jogar com ele. Eusébio foi o jogo, a bola e o futebol, com toda a naturalidade e humildade. Ele é uma figura inigualável e que os jovens percebam que é possível chegar à glória com humildade e com trabalho, com o gosto de jogar”, salientou.

O grupo de Portugal no Mundial-2026
O grupo de Portugal no Mundial-2026Flashscore

António Simões explicou que essa seleção “colocou Portugal no mapa” e pediu aos jogadores que vão estar no Mundial-2026 que tragam “mais glória” para o país, depois dos feitos que já conseguiram num passado recente.

O antigo internacional luso em 46 ocasiões foi uma das figuras de Portugal em 1966, lembrando alguns momentos que o marcaram durante e após a competição.

“As memórias que marcaram foram a forma modesta como chegamos a Inglaterra, só tínhamos o grande fotógrafo Nuno Ferrari à nossa espera. Já tínhamos títulos europeus de clubes, mas não éramos vistos como candidatos. Depois, a vitória com o Brasil desperta toda a Inglaterra para a qualidade do futebol português. E a última foi a melhor, o regresso a Portugal e todas as ruas, todas as cidades e país, foram invadidos num momento espontâneo de alegria depois do pódio alcançado”, frisou, lembrando que Portugal vivia numa ditadura.

Depois de 1966, o melhor que Portugal conseguiu foi o quarto lugar no Mundial-2006.

A seleção lusa prepara-se agora para disputar a edição deste ano, que vai decorrer nos Estados Unidos, Canadá e México, entre os dias 11 de junho e 19 de julho.

Portugal integra o Grupo K e vai estrear-se frente à República Democrática do Congo, em Houston, no dia 17 de junho, às 12:00 (18:00 horas de Lisboa).

Segue-se o estreante Uzbequistão, em 23 de junho, também em Houston e igualmente com início agendado para as 12:00 (18:00), ficando o agrupamento fechado no dia 27 de junho, quando Portugal defrontar a Colômbia em Miami, a partir das 19:30 (00:30 de 28 de junho).