Mundial-2026: A ordem futebolística abala-se sem Alemanha e Itália

Alessandro Bastoni frente a Leroy Sané, no Alemanha-Itália da Liga das Nações, em 2025
Alessandro Bastoni frente a Leroy Sané, no Alemanha-Itália da Liga das Nações, em 2025ČTK / imago sportfotodienst / Scott Coleman/IPA Sport / ipa-agency.net

Duas das três melhores seleções da história, Itália e Alemanha, atravessam um período difícil. Tanto a Azzurra (1934, 1938, 1982 e 2006) como a Mannschaft (1954, 1974, 1990 e 2014) sagraram-se campeãs do mundo em quatro ocasiões, um feito apenas superado pelos cinco títulos do Brasil.

No entanto, nenhuma delas guarda boas recordações dos três últimos Mundiais. Itália não conseguiu marcar presença nestas três edições após ser eliminada nas fases de qualificação frente à Suécia (Rússia 2018), Macedónia do Norte (Catar 2022) e Bósnia e Herzegovina (América do Norte 2026).

Por sua vez, Alemanha não foi capaz de chegar aos oitavos de final nos três últimos Mundiais. Na Rússia (defrontou México, Suécia e Coreia do Sul) e no Catar (jogos frente ao Japão, Espanha e Costa Rica) ficou afastada na fase de grupos. Em 2026, apesar de ultrapassar a fase inicial com uma goleada frente a Curaçau, vitória apertada contra a Costa do Marfim e derrota diante do Equador, caiu nos 16 avos de final, na marcação de grandes penalidades, frente ao Paraguai.

Últimos êxitos

Olhando para trás, o último grande êxito de Itália não está assim tão distante no tempo. A nazionale sagrou-se campeã da Europa em 2021, há apenas cinco anos, depois de eliminar Áustria, Bélgica, Espanha nas grandes penalidades e Inglaterra, também nas grandes penalidades, em pleno Wembley.

Nessa equipa, orientada por Roberto Mancini, que é apontado para regressar ao comando de Itália, estavam os já retirados Bonucci e Chiellini, assim como jogadores extraordinários que ainda continuam em atividade, mas agora em clubes de menor dimensão, como Verratti, Jorginho, Insigne e Immobile. Mantêm-se na seleção atual Donnarumma, Di Lorenzo, Barella e até Chiesa poderá ser opção.

Antes disso, a Azzurra chegou aos quartos de final no Europeu de França 2016, foi vice-campeã no de Polónia-Ucrânia 2012, quartos de final no de Áustria-Suíça 2008 e campeã do mundo na Alemanha, em 2006.

Os germânicos, por sua vez, alcançaram o seu último grande êxito há 12 anos, quando se sagraram campeões do mundo no Brasil 2014. Venceram a Argentina por 1-0 na final e conseguiram um histórico 1-7 frente à anfitriã nas meias-finais. Dessa equipa, apenas o guarda-redes, Manuel Neuer, permanece.

Nos Europeus, a Alemanha chegou aos quartos de final em 2024, enquanto anfitriã, chegou aos oitavos de final em 2021 e foi semifinalista em 2016 e 2012.

O presente

Os resultados das duas seleções nos três últimos Mundiais não são fruto do acaso. No entanto, parece haver um importante fator psicológico nestes fracassos, já que, embora tanto Itália como Alemanha estejam longe dos seus tempos áureos, dispõem de plantel suficiente para lutar, pelo menos, por um lugar entre os oito melhores de qualquer competição.

Na final da Liga dos Campeões de 2025 estiveram seis jogadores elegíveis por Itália: Gigi Donnarumma, Francesco Acerbi, Alessandro Bastoni, Nicolò Barella, Federico Dimarco e Matteo Darmian, além de Davide Frattesi, que não jogou a final mas teve um papel fundamental na competição.

A base da Alemanha é um Bayern Munique que atingiu por duas vezes as meias-finais da Liga dos Campeões e uma vez os quartos de final nos últimos três anos: Manuel Neuer, Jonathan Tah, Aleksandar Pavlovic, Joshua Kimmich, Leon Goretzka e Jamal Musiala.

Na verdade, a história do futebol mundial não se compreende sem Itália (Giuseppe Meazza, Paolo Rossi, Marco Tardelli, Roberto Baggio, Paolo Maldini, Andrea Pirlo, Gigi Buffon, Fabio Cannavaro ou Francesco Totti) ou sem Alemanha (Gerd Müller, Jürgen Klinsmann, Rudi Voller, Lothar Matthäus, Miroslav Klose ou Thomas Müller).

O futuro

Embora o futuro seja sempre incerto, e em Itália se aponte à falta de oportunidades para os jogadores mais jovens, os resultados dos azzurrini não convidam ao pessimismo. A seleção italiana foi vice-campeã do mundo sub-20 na Argentina 2023, campeã da Europa sub-19 em Malta 2023 e é a atual campeã da Europa sub-17, depois de vencer a Bélgica na final disputada este ano na Estónia.

A Alemanha, por sua vez, foi vice-campeã da Europa sub-21 na Eslováquia 2025 e sagrou-se campeã desse torneio na Hungria-Eslovénia 2021. Também nessa categoria, em 2019 foi vice-campeã e em 2017 vencedora. Além disso, conquistou o Campeonato da Europa sub-17 realizado na Hungria em 2023.