Em sentido inverso, existem apenas oito seleções que apresentam convocatórias compostas a 100% por atletas nascidos no seu próprio território. São elas Colômbia, adversária de Portugal, República Checa, o Brasil, a Áustria, a Suécia, a Arábia Saudita, o Panamá e a África do Sul.
Histórias de passaportes e escolhas de coração
A globalização e o próprio alargamento do Mundial para 48 seleções explicam este aumento histórico de jogadores naturalizados. O caso mais extremo é o de Curaçau: dos 26 convocados, apenas um não nasceu nos Países Baixos.
A sua grande estrela, o avançado Tahith Chong (antigo jogador do Manchester United), nasceu nas Caraíbas mas tem ascendência chinesa e fez toda a formação nos Países Baixos, país que representou até aos sub-21. Desde os 10 anos jogou pelo Feyenoord e até aos 21 representou os Países Baixos… Curiosamente, o seu nome completo é uma homenagem ao histórico internacional francês Youri Djorkaeff: Tahith Jose Girigorio Djorkaef Chong.
Os pais do médio Dominique Simon são naturais do Haiti, mas ele próprio nasceu em França. Passou pela academia do Paris Saint-Germain, mas só teve oportunidade de representar uma seleção graças ao país caribenho, que regressa à elite após 52 anos.
Há também casos de escolhas de última hora. Ermin Mahmic, médio que jogava pelas camadas jovens da Áustria (país onde nasceu), optou na véspera do torneio por representar a Bósnia, a terra natal dos seus pais. Já o defesa Merchas Doski, que vai jogar o Mundial pelo Iraque, nasceu em Hannover, na Alemanha, para onde os seus pais (curdos-iraquianos) emigraram nos anos 90.
Até em seleções historicamente mais fechadas a este fenómeno, como a Alemanha, há exceções. Na comitiva germânica, o único jogador nascido fora do país é o defesa do Dortmund, Waldemar Anton, que nasceu no Usbequistão no seio de uma família de alemães-russos que regressou à Alemanha quando ele tinha dois anos. No início da pré-primária, Anton ainda não falava alemão, mas acabou por concluir o ensino secundário com excelentes notas a matemática e biologia.
Superestrelas no mapa da naturalização
Engane-se quem pensa que este fenómeno só atinge as seleções secundárias. Algumas das maiores superestrelas do futebol mundial enquadram-se nesta lista de estrangeiros.
O letal avançado norueguês Erling Haaland, por exemplo, nasceu em Leeds, Inglaterra, na altura em que o seu pai jogava na Premier League. Outro caso paradigmático é o de Michael Olise, o craque do Bayern Munique que vai representar a França, mas que tinha um autêntico menu à escolha: podia jogar também pela Inglaterra (onde nasceu), pela Argélia (país da mãe) ou pela Nigéria (país do pai).
Uma coisa é certa: para acompanhar este Mundial-2026 de forma atenta, os adeptos vão precisar de ter um dicionário de futebol numa mão e um atlas mundial na outra.
