Foi na inauguração da exposição “Portugal no topo do Mundo”, no âmbito da comemoração dos 60 anos da Associação dos Jornalistas de Desporto (CNID), que decorreu na Arena Portugal, em Oeiras, que António Simões aproveitou a presença do selecionador de Portugal, o espanhol Roberto Martínez, para lançar o apelo.
“Olho para o nosso selecionador nacional e tenho de lhe dizer que, junto dos nossos jogadores, se inspirem neste marco de 1966 com o objetivo de fazerem melhor”, começou por dizer o magriço.
No Mundial-1966, em Inglaterra, a seleção portuguesa, conhecida pelos magriços, na sua primeira participação na competição alcançou um histórico terceiro lugar que é, até hoje, a melhor classificação de Portugal na história da prova.
António Simões, uma das lendas do Benfica, é um dos quatro magriços vivos, juntamente com José Augusto, Hilário e Lourenço, embora este último não tenha chegado a vestir a camisola nacional.
O ex-jogador do Benfica prosseguiu dizendo que os jogadores da seleção não “precisam de mais dinheiro”, mas de “perceber” que podem acrescentar mais glória “à que já têm”, através do “serviço que prestam ao país” jogando futebol.
“Saber jogar, sabem todos. O que falta é servir Portugal”, rematou.
Sobre o Mundial-2026, Simões admitiu ter “expectativas altas, mas realistas”, dizendo que os convocados por Martínez já “demonstraram que se pode confiar neles”, incitando-os a ir em busca de mais glória.
O histórico jogador afirmou, também, que o “povo português tem legitimidade” para pedir “favoritismo” à equipa das quinas, elogiando o discurso de Martínez.
“Acho que o selecionador foi realista e teve bom senso quando disse que Portugal não é favorito, mas candidato. Como é que se pode ser favorito sem ser primeiro candidato? Acho que o povo português tem a legitimidade de pedir a esta ‘gente’ que esteja dentro dos favoritos”, disse.
Sobre a exposição, Simões começou por elogiar a iniciativa, que considerou uma prova de que “há memória e respeito pela história”, dizendo que um país que “respeita a história não perde a identidade”.
“A exposição é importante e fascinante porque respeita a história. É muito importante para as novas gerações terem conhecimento da história. Estou muito feliz por estar aqui e por ter feito parte de uma geração fantástica que pode servir, não de exemplo, mas de inspiração”, destacou.
Com os magriços José Augusto e Hilário também presentes, Simões fez questão de elogiar os antigos companheiros de seleção, salientando o “privilégio” de pertencer a uma geração que “ficou na história de Portugal”, já depois de ter “ficado na história de Benfica e Sporting” – pelas conquistas da Taça dos Clubes Campeões Europeus do Benfica, em 1961 e 1962, e da Taça dos Vencedores das Taças do Sporting, em 1964.
Martínez recebeu o prémio especial do CNID e aproveitou para responder ao magriço: “Agradeço as palavras inspiradoras de António Simões, assim como é inspiradora a geração de 1966 que brilhou no Mundial”.
Já o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) destacou a “homenagem” ao legado dos magriços, que diz terem sido os responsáveis pela “relação entre a seleção nacional e o povo português”.
“O respeito pelo passado serve de alicerce para a confiança no presente e no futuro, e pela ambição de olhar para o futuro com respeito, mas com ambição de ganhar”, afirmou Pedro Proença.
Na mesma ocasião, além de Martínez, entre outros jogadores e jornalistas, foram ainda premiados o avançado colombiano do Sporting Luis Suárez e a defesa do Benfica Lúcia Alves como os melhores dos campeonatos portugueses, assim como o médio João Neves, dos franceses do Paris Saint-Germain, considerado melhor futebolista português no estrangeiro.
