Segundo uma reportagem do The Athletic, a New Jersey Transit planeia cobrar aos adeptos mais de 100 dólares (84 euros) por bilhetes entre a Penn Station, em Manhattan, e o MetLife Stadium, em Nova Jérsia, durante o Mundial. Normalmente, um bilhete de ida e volta para esta viagem custa 12,90 dólares (10.94 euros).
A Massachusetts Bay Transportation Authority confirmou este mês que os bilhetes de ida e volta entre Boston e o Gillette Stadium vão custar 80 dólares (67,9 euros) – um aumento face ao preço habitual de 20 dólares (16,97 euros) em dias de evento.
"É uma vergonha. Em torneios recentes, o transporte estava incluído no preço do bilhete ou era oferecido a um valor fortemente reduzido para quem tinha ingresso", afirmou Guillaume Aupretre, porta-voz do principal grupo de adeptos de França, à AFP.
"Continuam a somar custos extra sem pensar nos adeptos", acrescentou, acusando a FIFA, o organismo máximo do futebol mundial, de afastar "os adeptos mais fiéis em favor dos mais abastados".
França vai disputar os seus três jogos do Grupo I em Boston e Nova Jérsia.
"Mais um dia, mais um roubo neste Mundial. O que se passa afinal?" publicou o grupo Free Lions, que representa adeptos ingleses em viagem, nas redes sociais.
Inglaterra também tem jogos da fase de grupos agendados para os estádios de Boston e Nova Jérsia.
"Excessivamente caro"
A governadora de Nova Jérsia, Mikie Sherrill, responsabilizou a FIFA pelo aumento dos preços, apontando para uma fatura de 48 milhões de dólares (35,5 milhões de euros) que o estado terá de pagar para garantir a segurança dos adeptos que vão aos oito jogos no MetLife Stadium.
"Não vou deixar que os passageiros de Nova Jérsia paguem esta conta durante anos, isso não seria justo", escreveu Sherrill nas redes sociais, acrescentando que a FIFA espera arrecadar 11 mil milhões de dólares (8,125 mil milhões de euros) no Mundial: "Portanto, o essencial é isto: a FIFA devia pagar as viagens, mas se não o fizer não vou permitir que os passageiros de Nova Jérsia sejam prejudicados."
Essa opinião foi partilhada pelo líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, que escreveu nas redes sociais, na terça-feira, que a FIFA devia assumir os custos dos transportes para os recintos do Mundial. A FIFA, que já enfrenta críticas severas devido ao preço elevado de muitos bilhetes para os jogos, emitiu um comunicado contundente a criticar o aumento das tarifas de transporte.
A FIFA afirmou que os acordos originais com as cidades anfitriãs "exigiam transporte gratuito para os adeptos em todos os jogos". Uma renegociação estipulou que o transporte seria oferecido "ao preço de custo" nos dias de jogo, acrescentou a FIFA.
"Estamos bastante surpreendidos com a posição da governadora de Nova Jérsia relativamente ao transporte dos adeptos", declarou a FIFA: "O Mundial da FIFA vai trazer milhões de adeptos à América do Norte, com o consequente impacto económico."
Acrescentou ainda: "A FIFA não tem conhecimento de qualquer outro grande evento realizado anteriormente no NYNJ Stadium, incluindo outros grandes eventos desportivos, digressões mundiais de concertos, etc., em que os organizadores tenham sido obrigados a pagar o transporte dos adeptos."
A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, também criticou o aumento dos preços noticiado.
"Cobrar mais de 100 dólares por uma curta viagem de comboio parece-me excessivamente caro", escreveu Hochul no X.
A NJ Transit não respondeu ao pedido de comentário quando contactada pela AFP.
O The Athletic citou um porta-voz da agência, que afirmou que ainda não foi tomada uma decisão definitiva sobre os preços dos bilhetes para o Mundial, classificando as notícias como "especulação não confirmada".
Segundo a comunicação social local, cerca de 100 milhões de dólares (84 milhões de euros) de fundos federais dos EUA foram atribuídos às cidades anfitriãs para custos das redes de transporte, incluindo 8,7 milhões de dólares (7 milhões de euros) para Boston e Massachusetts, e 10,4 milhões de dólares (8 milhões de euros) para a área de Nova Iorque-Nova Jérsia.
A agência de transportes de Los Angeles recebeu 9,6 milhões de dólares (10 milhões de euros). No mês passado, comprometeu-se a não aumentar as tarifas normais para viagens até ao SoFi Stadium – que normalmente custam 3,50 dólares (2,58 euros) para uma viagem de ida e volta a partir do centro de Los Angeles – durante os dias de jogos do Mundial.
